How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, setembro 05, 2007
terça-feira, setembro 04, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
domingo, setembro 02, 2007
sábado, setembro 01, 2007
sexta-feira, agosto 31, 2007

A menina que se vê de cara tapada entre as duas senhoras, referida apenas como “Evita” nos meios de comunicação social nicaraguenses e internacionais, completa 10 anos no próximo mês de Outubro e está a dividir a sociedade daquele país da América Central.
“Evita”, natural de uma pobre e recôndita povoação da Região Autónoma do Atlântico Sul nicaraguense, está grávida de 27 semanas, vítima de violação por parte de um primo de 22 anos, que vivia na sua casa até a mãe da criança o ter expulso, e terá de dar à luz o filho que carrega consigo, apesar de estar doente e de os médicos reconhecerem que não tem condições para ser mãe.
Com efeito, desde Outubro de 2006, dez dias antes das eleições que levaram de novo ao poder Daniel Ortega, líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional, o aborto terapêutico passou a ser proibido na Nicarágua.
Como sempre, a aprovação da criminalização foi originada pela intensa campanha da Igreja Católica, bem acolitada pela Igreja Evangélica, assim como pelos vários movimentos anti-aborto do país e pelos políticos de direita e extrema direita.
O que é mais estranho e de lamentar é o facto de a aprovação da lei punitiva ter contado com o beneplácito dos Sandinistas, mais preocupados com o regresso ao poder do que com a defesa dos direitos das mulheres e, no caso da Nicarágua, das próprias crianças, dado que o índice de gravidez por violação a partir dos 13 anos é muito significativo.
“Evita”, para além do fardo de parir uma criança fora de tempo e ao arrepio da sua vontade, ostentará o “desonroso” recorde de ser a mãe mais jovem do seu país.
Esperemos que, pelo menos, conserve o “título” por muitos anos, pois isso será sinal de que não houve uma criança mais nova vítima da mesma dupla brutalidade: a do adulto que viola uma criança e a da sociedade que a obriga a parir.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Para a minha filhota:
rosas...

...um poema...
Urgentemente
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
...e depois...

Um bacalhau à lagareiro
quarta-feira, agosto 29, 2007
terça-feira, agosto 28, 2007
segunda-feira, agosto 27, 2007
domingo, agosto 26, 2007
sábado, agosto 25, 2007
sexta-feira, agosto 24, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
terça-feira, agosto 21, 2007
segunda-feira, agosto 20, 2007
domingo, agosto 19, 2007
sábado, agosto 18, 2007
sexta-feira, agosto 17, 2007
quinta-feira, agosto 16, 2007
84 anos, que o grande Millôr Fernandes completa hoje, perfazem uma bonita idade. Que continue por muitos anos a acicatar-nos com o seu humor corrosivo.

Última Vontade
Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossego
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre folhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E, como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa,
Haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome,
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora,
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Sol e chuva ocasionais,
Estes sim, imortais.
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há-de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr
Millôr Fernandes*
quarta-feira, agosto 15, 2007
terça-feira, agosto 14, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
sábado, agosto 11, 2007
sexta-feira, agosto 10, 2007
quinta-feira, agosto 09, 2007
quarta-feira, agosto 08, 2007
Poema natural Abro os olhos, não vi nada Fecho os olhos, já vi tudo. O meu mundo é muito grande E tudo que penso acontece. Aquela nuvem lá em cima? Eu estou lá, Ela sou eu. Ontem com aquele calor Eu subi, me condensei E, se o calor aumentar, choverá e cairei. Abro os olhos, vejo um mar, Fecho os olhos e já sei. Aquela alga boiando, à procura de uma pedra? Eu estou lá, Ela sou eu. Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei. Quando a maré baixar, na areia secarei, Mais tarde em pó tornarei. Abro os olhos novamente E vejo a grande montanha, Fecho os olhos e comento: Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo, Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento? Eu estou lá, Ela sou eu. Adalgisa Nery* (Poemas - 1937) *Poetisa carioca
terça-feira, agosto 07, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
quinta-feira, julho 26, 2007
quarta-feira, julho 25, 2007
terça-feira, julho 24, 2007
segunda-feira, julho 23, 2007
domingo, julho 22, 2007
sábado, julho 21, 2007
sexta-feira, julho 20, 2007

Abraxas é o segundo álbum do músico e cantor mexicano Carlos Santana, lançado em 1970.
Lembro-me de, entre 1970 e 1973, durante o meu serviço militar voluntariamente obrigatório, passado no então Regimento de Artilharia de Costa, em Oeiras, onde tive como colega o grande jornalista Joaquim Furtado (é mesmo o pai da Catarina), ter ouvido este LP até à exaustão.
As faixas Oye Como Va, Samba Pa Ti e Black Magic Woman foram as que mais aplausos sucitaram e ainda hoje são ouvidas com muita frequência.
Black magic Women
Got a black magic woman
Got a black magic woman
I've got a black magic woman
Got me so blind I can't see
that she's a black magic woman
She's trying to make a devil out of me
Don't turn your back on me baby
Don't turn your back on me baby
Yes don't turn your back on me baby
Stop messing 'round with your tricks
Don't turn your back on me baby
You just might pick up my magic sticks
Got your spell on me baby
Got your spell on me baby
Yes you got your spell on me baby
Turning my heart into stone
I need you so bad, magic woman
I can't leave you alone
canta Carlos Santana, no dia do seu 60º aniversário

Às 20:17:40 UTC (tempo do meridiano “0”, ex-TMG) do dia 20 de Julho de 1969, o módulo lunar Eagle pousou na superfície da Lua, depois de uma viagem de 4,5 minutos desde a nave especial Apolo 11. Cerca de 6,5 horas depois, pelas 2:56 UTC de 21 de Julho, o comandante Neil Armstrong tornava-se o primeiro homem a pisar o solo lunar. Foi então que pronunciou a célebre frase “Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigante para a humanidade”.
A frase original “That’s one small step for a man, one giant leap for mankind” tem, desde então, sido alvo de polémica, porque nos registos sonoros, aparentemente o astronauta não pronuncia o artigo “a” antes da palavra “man”, o que foi por muitos considerado um erro ou omissão da sua parte devido à excitação do momento. Neil Armstrong sempre afirmou que tinha dito “a man”, mas que o “a” não estava audível, pelo que, à falta de provas, declarou que preferia que o [a] aparecesse entre parênteses quando a citação fosse escrita. Até que, em Setembro de 2006, provas baseadas em novas análises dos registos sonoros levadas a cabo por Peter Shann Ford, de Sydney, Austrália, da empresa Control Bionics, que ajuda pessoas deficientes físicas a usarem os seus impulsos nervosos para comunicar através de computadores, demonstraram que Neil Armstrong tinha mesmo dito o tal “a”.
Este gigantesco salto da humanidade deu origem a várias lendas urbanas. Uma das que mais circulação teve a partir dos anos noventa (estava-se nos primórdios da internete) e que, ainda hoje, continua presente em muitos sítios da rede como sendo verídica, é uma piada de cariz sexual, bem ao estilo americano.
Quando Neil Armstrong, após o passeio lunar, ia a reentrar no módulo, fez uma enigmática observação. “Good luck, Mr. Gorsky”.
Muitas pessoas da NASA pensaram que era uma observação casual dirigida a algum cosmonauta da União Soviética. No entanto, após aturadas pesquisas, concluiu-se que não havia nenhum Gorsky, nem no programa espacial Soviético nem no Americano. Ao longo dos anos, muitas pessoas perguntaram a Armstrong o que significava aquela observação, mas a sua resposta era um sorriso.
Até que em Julho de 1995, em Tampa Bay, Florida, quando respondia a perguntas numa conferência de imprensa que se seguiu a um discurso, um jornalista interrogou-o sobre a enigmática observação de há 26 anos atrás e ele, finalmente, respondeu. Mr. Gorsky e a mulher já tinham falecido, pelo que podia contar a história.
Quando era criança, estava a jogar basebol com um amigo no jardim da casa dos pais, quando este bateu uma bola que foi parar debaixo da janela do quarto dos vizinhos da casa ao lado, que eram Mr. e Mrs Gorsky. Quando foi buscar a bola, o pequeno Neil ouviu a Sra. Gorsky gritar para o marido: “Oral sex! You want oral sex?! You’ll get oral sex when the kid next door walks on the moon!”
É uma histórica picante, mas é falsa, como tantas outras que circulam na rede. Nunca houve a tal conferência de imprensa, a frase não consta dos registos da NASA e o próprio Neil Armstrong, em finais de 1995, negou tê-la pronunciado e afirmou que a primeira vez que ouviu a anedota foi quando ela foi contada pelo comediante Buddy Hackett.
Só refiro este pormenor, porque já vi a história contada como verdadeira na nossa imprensa escrita. Não me lembro em que jornal, nem isso interessa. O que interessa é o nível da maior parte do nosso jornalismo, que continua a papaguear acriticamente aquilo que ouve ou lê, quantas vezes em questões de enorme gravidade.
quinta-feira, julho 19, 2007
quarta-feira, julho 18, 2007
terça-feira, julho 17, 2007
segunda-feira, julho 16, 2007
domingo, julho 15, 2007
sábado, julho 14, 2007
sexta-feira, julho 13, 2007
quinta-feira, julho 12, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007

Esta Senhora chama-se Suzanne Nadine Vega e celebra hoje 48 anos de idade.
Nascida em Santa Monica, Califórnia, a 11 de Julho de 1959, é uma cantora estado-unidense reconhecida mundialmente, mas a que, infelizmente, por cá não se dá a devida importância.
Filha de um escritor porto-riquenho, Suzanne cresceu e viveu grande parte de sua juventude em Manhattan, Nova Iorque, tendo escrito a sua primeira canção aos 14 anos.
Com fortes influências de Leonard Cohen, o álbum de estreia, intitulado Suzanne Vega e lançado em 1985, foi muito elogiado pela crítica da especialidade no seu país e atingiu a platina na Inglaterra.
Em 1987 veio o reconhecimento mundial (da crítica e do público), com o álbum Solitude Standing. A faixa intitulada Luka andou meses a fio nas rádios do mundo inteiro.
Com 9 álbuns no activo até agora e uma Retrospectiva em DVD (de 2003), é uma voz a ouvir, sempre. Happy Birthday, Suzanne!
Luka
My name is Luka
I live on the second floor
I live upstairs from you
Yes I think you've seen me before
If you hear something late at night
Some kind of trouble. some kind of fight
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was
I think it's because I'm clumsy
I try not to talk too loud
Maybe it's because I'm crazy
I try not to act too proud
They only hit until you cry
And after that you don't ask why
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore
Yes I think I'm okay
I walked into the door again
Well, if you ask that's what I'll say
And it's not your business anyway
I guess I'd like to be alone
With nothing broken, nothing thrown
Just don't ask me how I am
Just don't ask me how I am
Just don't ask me how I am
My name is Luka
I live on the second floor
I live upstairs from you
Yes I think you've seen me before
If you hear something late at night
Some kind of trouble. some kind of fight
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was
They only hit until you cry
And after that you don't ask why
You just don't argue anymore.
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore
Suzanne Vega
terça-feira, julho 10, 2007
segunda-feira, julho 09, 2007

Foi de repente, há 27 anos. Na noite de 8 de Julho de 1980, quando acertava com o Toquinho os detalhes das canções do álbum "Arca de Noé", Vinícius de Moraes alegou estar cansado e foi tomar um banho. Toquinho foi dormir. Na madrugada do dia 9, Vinícius foi encontrado pela empregada, na banheira de casa, com dificuldades em respirar. Toquinho correu em seu auxílio, seguido por Gilda Mattoso, última esposa do poeta. Mas não houve tempo para socorrê-lo. Vinícius de Moares morreria na manhã desse dia 9 de Julho.
No enterro, consolada por Elis Regina, Gilda recordava a noite anterior, quando, numa entrevista, perguntaram a Vinícius: "Você está com medo da morte?". E o poeta, placidamente, respondeu: "Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida".
Soneto da separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
domingo, julho 08, 2007
sábado, julho 07, 2007
sexta-feira, julho 06, 2007

Frida Kahlo nasceu há 100 anos; Louis Armstrong morreu há 36.
Apesar de serem contemporâneos e de países vizinhos, provavelmente nunca se encontraram. Mas une-os o facto de se terem dedicado à sua arte de alma e coração e de ambos terem, em vida, conquistado o reconhecimento internacional.
Ela, na pintura; ele no jazz, onde a sua voz e trompete inconfundíveis dominaram a cena durante 50 anos.
Sugiro a abertura de uma nova “janela”, para deliciarem os olhos com as 73 telas da Frida, enquanto os ouvidos saboreiam a voz do Satchmo, naquela que é considerada a sua mais emocionante interpretação:
What A Wonderful World
I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
and I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
the bright blessed day, the dark sacred night
and I think to myself, what a wonderful world
the colors of the rainbow, so pretty in the sky
are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
they're really saying, "I love you"
I hear babies cry, I watch them grow
they'll learn much more, than I'll never know
and I think to myself, what a wonderful world
yes, I think to myself, what a wonderful world
Imagem : Auto-retrato Duas Fridas, de 1939
quinta-feira, julho 05, 2007

Jean Cocteau, nascido a 5 de Julho de 1889, perto de Paris, foi um artista francês de múltiplos talentos, que se encontra entre os que mais marcaram a sua época.
Para além de poeta, foi romancista, dramaturgo, pintor, cenógrafo, escultor, realizador e actor.
Tendo publicado o seu primeiro livro de poesia aos 19 anos, aos 20 ingressou no círculos do ballet e do teatro, onde foi introduzido pelo amigo Serguei Diaghilev. Da sua colaboração nasceu Parade, espectáculo de ballet produzido em 1917 por Diaghilev, com música de Erik Satie e decoração de Pablo Picasso, com quem viria a trabalhar múltiplas vezes.
Em 1918 encontra o poeta Raymond Radiguet, do qual foi íntimo, falando-se mesmo de uma relação amorosa, embora não exista qualquer prova disso. A morte de Radiguet,em 1923,deixou-o em profundo desespero, tendo-se entregue ao ópio, do qual nunca se viria a libertar, apesar se sucessivas curas de desintoxicação.
Nos anos vinte associa-se a Marcel Proust, André Gide e Maurice Barrès, tendo sido amigo da maior parte da comunidade artística europeia da altura.
A sua filmografia (O sangue de um poeta, A bela e o monstro, A águia de duas cabeças e Testamento de Orfeu, entre outros), a maior parte escrita e dirigida por si, foi particularmente importante por ter introduzido o surrealismo no cinema influenciando, de certo modo, o género que ficou conhecido como Nouvelle Vague. De A bela e o monstro conheceu Jean Marais, que viria a ser o seu parceiro amoroso mais duradouro.
Grande amigo de Edith Piaf, escreveu, em 1940, uma peça de teatro propositadamente para ela, Le Bel Indifférent, que foi um enorme sucesso. A ua ligação a Piaf era tal que a notícia da sua morte o deixou com uma crise de sufoco, vindo também ele a morrer horas mais tarde, de ataque cardíaco.
Plain-Chant
Je n'aime pas dormir quand ta figure habite,
La nuit, contre mon cou ;
Car je pense à la mort laquelle vient trop vite,
Nous endormir beaucoup.
Je mourrai, tu vivras et c'est ce qui m'éveille!
Est-il une autre peur?
Un jour ne plus entendre auprès de mon oreille
Ton haleine et ton coeur.
Quoi, ce timide oiseau replié par le songe
Déserterait son nid !
Son nid d'où notre corps à deux têtes s'allonge
Par quatre pieds fini.
Puisse durer toujours une si grande joie
Qui cesse le matin,
Et dont l'ange chargé de construire ma voie
Allège mon destin.
Léger, je suis léger sous cette tête lourde
Qui semble de mon bloc,
Et reste en mon abri, muette, aveugle, sourde,
Malgré le chant du coq.
Cette tête coupée, allée en d'autres mondes,
Où règne une autre loi,
Plongeant dans le sommeil des racines profondes,
Loin de moi, près de moi.
Ah ! je voudrais, gardant ton profil sur ma gorge,
Par ta bouche qui dort
Entendre de tes seins la délicate forge
Souffler jusqu'à ma mort.
Jean Cocteau*
*Excerto de “Plain-Chant" – Poésie/Gallimard
(Imagem: retrato de Jeande Cocteau por Amedeo Modigliani)
quarta-feira, julho 04, 2007

É só para recordar que hoje, no Porto, na Livraria Poetria (Palacete Balsemão à Praça Carlos Alberto), às 21H30, haverá nova apresentação do novo livro de Maria Sofia Magalhães.
Para quem morar no Porto ou arredores, um convívio a não perder.
Guardar silêncios
como quem colecciona gestos habituais
em horas desabitadas.
Corro as cortinas da memória
e sinto vertigens de descobertas
em ciclos perfeitos.