thesoundofsilence

How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.

quarta-feira, maio 06, 2015

Cindy Daniel faz hoje 29 anos

Fátima Guedes faz hoje 57 anos

Bob Seger faz hoje 70 anos

Uma Doença Cúmplice

uma doença cúmplice, marcas púrpura
dão ao teu rosto a expressão do exílio
a que te submetes, gemeste
toda a noite, soçobraste

à febre alta do final da tarde, uma prega,
vincada no teu rosto,
mantém-te inanimado
entre a vigília e a injúria

que há no sacrifício
e te põe a carne em chaga.
uma doença altiva, a consistência

do silêncio é como aço e o transe
permanece, é superiormente excessiva
tanta angústia.


(poeta portuense que hoje faz 62 anos)

terça-feira, maio 05, 2015

O vento e eu

O vento morria de tédio
Porque apenas gostava de cantar
Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
Cada vez mais vazia...

Tentei então compor-lhe uma canção
Tão comprida como a minha vida
E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso,
Me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!


(Mário Quintana faleceu faz hoje 21 anos)

Adele faz hoje 27 anos

James LaBrie faz hoje 52 anos

Ian McCulloch faz hoje 56 anos

Intermédio

Alguém que se ignora
Passeia a sua mágua
Lá pela noite fora.

Já sem saber se existe,
Entre silêncio e treva,
Nem alegre nem triste,

Alguém que a própria sorte
Enjeita, vai absorto
Num sonho que é a morte
E é vida - sendo morto.


(poeta aljustrelense nascido a 5 de Maio de 1923)

segunda-feira, maio 04, 2015

Herbert Vianna faz hoje 64 anos


Gregg Alexander faz hoje 45 anos

Lulu Santos faz hoje 62 anos

Sonho da Rosa

Se me recordas entristeço e faço
porque o teu vulto sensual me esqueça
e o teu olhar, a tua boca, e essa
graça de graça que tu pões no passo.

Sonho- fumo esgarçando-se no espaço -
nas mãos em concha amparo-te a cabeça,
e sem que a minha boca desfaleça
beijo-te a boca e cinge-te o meu braço.

Já, no jardim deserto da tristeza,
vens aos meus olhos como a luz acesa
que uma penumbra dolorida apaga...

Vai-se extinguindo o meu desejo... Olha:
tu foste a rosa que ao abrir se esfolha,
nuvem perdida que no céu divaga...


(Branquinho da Fonseca nasceu faz hoje 110 anos)

domingo, maio 03, 2015

Rea Garvey faz hoje 42 anos

Georges Moustaki nasceu faz hoje 81 anos

Que pena

Eles amputaram
As tuas coxas das minhas ancas.
Tanto quanto sei
São todos cirurgiões. Todos eles.

Eles desmantelaram-nos
Um ao outro
Tanto quanto sei
São todos engenheiros. Todos eles.

Que pena. Éramos uma invenção
Tão boa e tão amável.
Um aeroplano feito de um homem e de uma mulher.
Com asas e tudo.
Pairávamos ligeiramente por cima da terra.

Até voávamos um pouco.


(Yehuda Amichai nasceu faz hoje 91 anos)

sábado, maio 02, 2015

Lily Allen faz hoje 30 anos

Serge Reggiani nasceu faz hoje 93

O Livro dá vida

Fico tonto
de tanto
balançar
a vida;


sacudindo os dias
dentro da mochila,
folheando as horas
por entre os dedos
de prosa.

Marcelo Aceti 

(poeta brasileiro que hoje faz 29 anos)

sexta-feira, maio 01, 2015

In Memoriam

Ben E. King faleceu ontem, aos 76 anos

Luís Cília - Portugal resiste

Adriano Correia de Oliveira - Prá Frente

Arte poética

A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.

A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou praguejando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.

A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã. 

Mário Dionísio

quinta-feira, abril 30, 2015

Jeff Timons faz hoje 42 anos

Willie Nelson faz hoje 82 anos

Dorival Caymmi nasceu faz hoje 101 anos

Construir

Construir sobre a fachada do luar das nossas terras
Um mundo novo onde o amor campeia, unindo os homens
de todas as terras
Por sobre os recalques, os ódios e as incompreensões,
as torturas de todas as eras.
É um longo caminho a percorrer no mundo dos homens.
É difícil sim, percorrer este longo caminho
De longe de toda a África martirizada.
Crucificada todos os dias na alma dos seus filhos.
É difícil sim, recordar o pai esbofeteado
pelo despotismo dum tirano qualquer,
a irmã violada pelo mais forte, os irmãos morrendo nas minas
Enquanto os argentários amontoam o oiro.
É difícil sim percorrer esse longo caminho
Contemplando o cemitério dos mortos lançados ao mar
Na demência dum louco do poder, caminhando impune
para a frente, sem temer a justiça dos homens.
É difícil sim, perdoar os carrascos
Esquecer as terras donde nos escorraçaram
As galeras transportando nossas avós para outros continentes
Lançando no mar as cargas humanas
Se os navios negreiros têm lastro em demasia, é difícil sim,
Esquecer todos esses anos de torturas e inundar o mundo
De luz, de paz e de amor, na hora fatal do ajuste de contas.
É difícil sim, mas um erro não justifica outro erro igual.
Na construção de um mundo novo à sombra das nossas
Terras maravilhosas, juramos não sofrer uma afronta igual
Mas receber conscientes o amor onde há fraternidade
Espalhando assim o grito potente da nossa apregoada selvajaria
Mas essa hora tarda e os gritos do deserto espreitam
Por sobre as nossas cabeças encanecidas da longa espera
Mas os nossos sonhos hão-de abrir clareiras nos eternos luares
Dos nossos desertos assombrados.


(poetisa são-tomense nascida faz hoje 89 anos)