thesoundofsilence

How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.

domingo, fevereiro 07, 2016

Sully Erna faz hoje 48 anos

Juliette Gréco faz hoje 89 anos

Restaurante

Leva-me outra vez para a mesma mesa
onde fico de costas para a janela
onde o tempo me esquece
onde nada me toca
o teu gesto protege
o teu corpo separa
a água que me dás
interrompe a memória

Só à porta da rua
o tempo reaparece.


(Yvette Centeno faz hoje 76 anos)

sábado, fevereiro 06, 2016

Gary Moore faleceu faz hoje 5 anos

Axl Rose faz hoje 54 anos

Bob Marley nasceu faz hoje 71 anos

Pragmatismo Estético      
                                                                                                                                                 
A disciplina é quase tudo
menos o dia-a-dia
   
o poema é quase nada
mais a inspiraçäo     

na falta solidária do mesmo quase
faz-se o poema
vive a poesia


(poeta paulista que hoje faz 73 anos)

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Sara Evans faz hoje 45 anos

Daniel Balavoine faria hoje 64 anos. Faleceu aos 33  

Al Kooper faz hoje 72 anos

Canção de Ndon Kishote

Fruste silhueta
gáudio da canalha
provocando o riso, o choro e a troça
o soldado veterano trazido pela guerra
é fardo de palha
que a brisa desconjunta
regressando a casa no fundo da carroça.

velho monumento que nada mais encerra,
como aquela puta que já não presta,
que foi marabunta,
que foi cagalhoça.
fruste silhueta
gáudio da canalha.
o que te resta ainda
da tua gesta?

memória d'arquivo
que nem sequer comporta
o eco evasivo que sonoriza a glória!
silêncio na memória.
silêncio imperativo.

mito que se conta em língua morta,
feito que desfeito perde a história.

memória duma insólita fescura
nos nossos afagos e carícias
que ondularam a superfície dos lagos
e agitaram as folhas das welwitchias.

memória d'aventura que desperta
abrindo a porta dos sonhos fugazes,
nas vozes agudas,
nas palavras estranhas
nos gestos largos e sagazes
retumbando na crista das montanhas
avante! avante! que a vitória é certa!
que davam coragem aos nossos rapazes
atrapalhando os budas!...
mas deixando sempre a porta aberta...

memória duma fruste silhueta
a cavalo numa nuvem temporária
à procura da meta
pelo tempo fora, pela extensa área
do sonho rubro da nossa vida,
claudicando no campo de batalha
na sua montada feita de esperança,
um poema na boca, na mão a longa lança,
e em toda ela um suspiro de ternura.

não é o cavaleiro da triste figura
duma velha história, que não tem saída,

a fruste silhueta, gáudio da canalha,
é o herdeiro duma sagrada-esperança
noutra aventura
mal digerida...


(escritor angolano, falecido faz hoje 10 anos)

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Marcelo Camelo faz hoje 38 anos

Natalie Imbruglia faz hoje 41 anos

Para fazer o retrato de um pássaro

Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
depois pintar
qualquer coisa de bonito
qualquer coisa de simples
qualquer coisa de belo
qualquer coisa de útil...
para o pássaro
depois pendurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem dar um pio
sem mover um dedo...
Às vezes o pássaro chega sem demora
mas pode também levar longos anos
até se decidir
Não se abater
esperar
esperar anos e anos se preciso
pois a rapidez ou a demora
do pássaro não têm nada a ver
com o sucesso do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
manter o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando entrar
fechar suavemente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar sem querer nas penas do pássaro
Fazer depois o retrato da árvore
reservando o galho mais belo de todos
para o pássaro
pintar ainda a folhagem verde e o frescor do vento
a poeira do sol
e o rumor dos insetos na relva no calor do verão
depois é só esperar que o pássaro comece a cantar
Se o pássaro não cantar
é mau sinal
sinal de que o quadro é mau
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
então você deve arrancar devagarinho
uma das penas do pássaro
e escrever seu nome num canto do quadro.


(Jacques Prévert nasceu a 4 de Fevereiro de 1900)

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Ritchie Valens faleceu a 03/02/1959 com apenas 17 anos de idade

Linda Eder faz hoje 55 anos

A Esmo

Eles não sabem o que fazem:
mas eu fico aqui
sem saber sobre o rumo
sem conhecer a saída
e apalpo o vazio que intriga
e um peso morto nos braços.

Vida dentro da vida, tão lógica
como o encaixe da peça
e sua engrenagem de inferno
que mói, que reduz, que incorpora.

Nós somos assim - morrendo de medo.

E encenamos que sabemos que fingimos
sem faixa de pedestre, enquanto se aproxima
o muro.

Nós somos. A esmo.

A luz que sobe agora é de mentira?
O sangue que percorre é de verdade?
Nasce um sol à minha frente, que arrisca
uma viagem suicida, algo que segue
e morre à tarde, e ficamos
em susto e contemplação.
Onde está todo o clarão? Onde está a coragem
que me queimou toda a vida?

Assim mesmo. De arremedo.


(poeta carioca que hoje faz 53 anos)

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Eva Cassidy faria hoje 53 anos (faleceu aos 33 anos)

Lenine faz hoje 57 anos

Campo de batalha - I

A noite, porém, rangeu e quebrou:

Viajantes clandestinos,
à procura de uma estrela mais distante,
quedaram-se emudecidos.

Apodreceu a carne, rangeram os ossos
e os dias escorreram, viscosos, iguais.

Estéril, a vida continuou:
a fome, a peste, a guerra - a morte!


(poeta angolano nascido faz hoje 101 anos)

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Sara González faleceu faz hoje 4 anos


Luís Cília faz hoje 73 anos

Claude François nasceu faz hoje 77 anos

Preso Político

1

Quiseram pôr-me inteiro numa ficha.
O dia e a noite são iguais por dentro.
Não há papel que conte a minha vida
mais que estes versos de punhal à cinta.
A barba cresce, e cresce a voz armada
descendo pelos muros tão tranquila;
tão tranquila que já nem desespera
de ser apenas voz, não uma guerra.

Quiseram pôr-me inteiro numa ficha.
Não há papel que conte a minha vida.
Mais que estes versos, esta mão estendida
por sobre os muros só de medo e pedra.

2

Quando saíres, amigo, não me esqueças.
Fico à espera da tua novidade.
Olha bem que farás da liberdade:
quando saíres, amigo, não me esqueças.

Quero mais fazimento que promessas.
São de prata os enganos da cidade
com que outros sujeitam a vontade.
Não me esqueças, amigo, não me esqueças.


(Fernando Assis Pacheco nasceu faz hoje 79 anos)