sábado, abril 14, 2007

Um poeta na revolução


Valdimir Vladimirovich Maiakovski, falecido em Moscovo a 14 de Abril de 1930, influenciou profundamente todo o desenvolvimento da moderna poesia russa. Haroldo de Campos, poeta brasileiro, disse dele, em comentário publicado no livro “Maiakovski – Poemas” ( Editora Perspectiva -1982) o seguinte:

Vladimir Maiakovski é o maior poeta russo moderno, aquele que mais completamente expressou, nas décadas em torno da Revolução de Outubro, os novos e contraditórios conteúdos do tempo e as novas formas que estes demandavam.
Maiakovski deixa descortinar em sua poesia um roteiro coerente, dos primeiros poemas, nitidamente de pesquisa, aos últimos, de largo hausto, mas sempre marcados pela invenção. "Sem forma revolucionária não há arte revolucionária", era o seu lema, e nesse sentido Maiakovski é um dos raros poetas que conseguiram realizar poesia participante sem abdicar do espírito criativo
”.

Politicamente comprometido com a Revolução de Outubro, entrou frequentemente em choque com os “burocratas” e com os que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. Homem de grandes paixões, arrebatado e lírico, épico e satírico ao mesmo tempo, pôs termo à vida com um tiro no peito, aos 37 anos, pensa-se que devido a desgostos amorosos.

Parte da sua obra poética encontra-se traduzida para o português do Brasil. Da que consegui encontrar, escolhi o poema “Estrela”:

Escutai! Se as estrelas se acendem
será por que alguém precisa delas?

Por que alguém as quer lá em cima?
Será que alguém por elas clama,
por essas cuspidelas de pérolas?
Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,
no coração dos turbilhões de poeira;
ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,

temendo chegar atrasado,
e que lhe beija chorando
a mão fibrosa.Implora!
Precisa absolutamente
duma estrela lá no alto!
Jura! Que não poderia mais suportar

essa tortura de um céu sem estrelas!
Depois vai-se embora,
atormentado, mas bancando o gaiato
e diz a alguém que passa:
"Muito bem! Assim está melhor agora, não é?
Não tens mais medo, hein?"

Escutai, pois! Se as estrelas se acendem
é porque alguém precisa delas.
É porque, em verdade, é indispensável
que sobre todos os tetos, cada noite,
uma única estrela, pelo menos, se alumie.

(Tradução E. Carrera Guerra)

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