How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
segunda-feira, novembro 30, 2009
Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos
domingo, novembro 29, 2009
sábado, novembro 28, 2009
Iludo o sentido
Da vida em que vivo.
O mundo que sinto
É mundo que minto.
É mundo pensado
Aquém, do outro lado
Da margem do rio
Com águas em fio.
A imagem dos astros,
Das velas, dos mastros,
Das nuvens, das margens
É sombra de imagens.
Perdidas no fundo
Do engano do mundo.
Não quero a certeza
Da minha tristeza.
Deixai-me à vontade
Naquela verdade
Pensada e fingida
Que é logro de vida.
Se minto o que sinto,
De tudo o que minto
Iludo o sentido
Da vida que vivo.
José Campos de Figueiredo
sexta-feira, novembro 27, 2009
quinta-feira, novembro 26, 2009
O homem em eclipse
Ora foi que certo dia
o homem eclipsou-se
a data digam a data
a datazinha faz favor
qual data foi por decreto
que a gente se eclipsou
foi só manobra espertice
um dois três e pronto é noite
que nem a lua apareça
seja de que lado for
Uns seguraram-se logo
eram espertos bem se viu
outros caíram ao mar
com cabeça pernas e tudo
quanto a mim perdi a calma
fiquei desaparafusado
tradição cultura estilo
certeza amigos fatiota
tudo fora do seu sítio
um desaparafuso terrível
Segurem-me camaradas
sinto pernas a boiar
cheiro fantasmas enxofre
estou aqui mas posso voar
o parafuso da língua
vai partido vai saltar
agarrem-me! agarra!
pronto
pari o mais leve que o ar
Mário Cesariny
Pintura: Óleo sobre almofada de tecido - Homenagem a Mário Henrique Leiria
quarta-feira, novembro 25, 2009
Senão vejam! Todos os dias aqueles ilustres deputados se dizem uns aos outros: É falso! É mentira! E não se esbofeteiam, não se enviam duas balas! Piedosa inocência!
Cordura evangélica! É um parlamento educado por S. Francisco de Sales!
O ilustre deputado mente!
Ah, minto? Pois bem, apelo...
Cuidam que apela para o espalmado da sua mão direita ou para a elasticidade da sua bengala?
- Não, meus caros senhores, apela - para o País!
Quanta elevação cristã num diploma de deputado! Quando um homem leva em pleno peito, diante de duzentas pessoas que ouvem e de mil que lêem, este rude encontrão: É falso! - e diz com uma terna brandura: Pois bem, apelo para o País! - este homem é um santo! Não entrará decerto nunca no Jockey-Club, de onde a mansidão é excluída, mas entrará no reino do Céu, onde a humildade é glorificada.
É uma escola de humildade este parlamento! Nunca em parte nenhuma, como ali, o insulto foi recebido com tão curvada paciência, o desmentido acolhido com tão sentida resignação! Sublime curso de caridade cristã. E veremos os tempos em que um senhor deputado, esbofeteado em pleno e claro Chiado, dirá modestamente ao agressor, mostrando o seu diploma: - «Sou deputado da nação portuguesa! Apelo para o País! Pode continuar a bater!»
E depois que doçura de expressões! Não vimos ainda há pouco o Sr. Ávila designado no meio de uma questão financeira com estas benévolas qualificações - camaleão, sapo, elefante?! Que autoridade no dizer! que elevação no pensar! Como é instrutivo, como é moral, o ver discursos assim concebidos:
- Não aprovo o projecto do ilustre presidente do Conselho, porque entendo na minha consciência, e digo-o à face do País, que S. Exª é uma verdadeira serpente:
- Mando para a mesa a seguinte moção:
A Câmara, compenetrada de que o sr. ministro da Fazenda é uma lontra, passa à ordem do dia!
Depois o modo carinhoso como a Câmara tomou conta da infeliz palavra insulto!
Aquela pobre palavra, tão comprometedora, que nunca aparecia outrora que não fosse o sinal de um duelo ou de uma policia correccional - o parlamento refez-lhe uma virgindade e um decoro, e ela agora vem, e ninguém se revolta, e o Sr. António Aires tem para ela um bom sorriso.
- O ilustre deputado há três dias não faz senão insultar-me (textual). Três dias!
- O ilustre deputado não me insulte!
- Vou responder a esses insultos!
- Menos insultos!
Ai! o mundo despoetiza-se! As coisas terríveis perdem o colorido da lenda.
O Parlamento vive na idade de ouro. Vive nas idades inocentes em que se colocam as lendas do Paraíso - quando o mal ainda não existia, quando Caím era um bom rapaz, quando os tigres passeavam docemente par a par com os cordeiros, quando ninguém tinha tido o cavalheirismo de inventar a palavra calúnia! - e a palavra mente! não atraía a bofetada! crianças riem do papão. O diabo já não é temido. O insulto já não é aviltante! Não é! A Câmara dos Deputados vive há um mês, tendo no seu seio o insulto, em perpétua ordem do dia - e engorda!
Mas o Sr. António Aires, esse, para que continua a dizer com a sua voz eloquente:
- Amanhã continua a mesma discussão?
A escrupulosa verdade - e S. Exª, sacerdote e católico, está adstrito a observar este regimento da consciência - pede que se declare:
- Amanhã continua a mesma assuada.
Assim o público ficava avisado - e os srs. deputados também! Porque nada deve custar mais a um ilustre deputado, que quer zelar os interesses do seu país, do que ver, numa discussão, exausta a sua colecção de injúrias, findos os seus apontamentos de berros!
Não é quem quer doutor em impropérios! E assim, devidamente prevenido, cada deputado podia formar de véspera uma útil e séria lista de argumentos - consultando o dicionário, o seu aguadeiro, a porta da Alfândega e os fadistas da Praça da Figueira.
Eça de Queiroz - in Uma Campanha Alegre
Passam hoje 164 anos sobre o nascimento de Eça de Queiroz e o texto transcrito tem mais de 138 anos. Mas, se fosse vivo, talvez escrevesse algo de muito similar, provavelmente com adjectivos bem mais contundentes considerando a panóplia de meios de comunicação que hoje existe.
terça-feira, novembro 24, 2009
Frontispício da primeira edição em inglês do livro A Origem das Espécies (On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), de Charles Darwin, publicado há 150 anos.
Habitando os cafés
e refletindo as manhãs
com restos da noite,
ambientou-se ao não-ser,
traçou a inexistência,
ficou entre parênteses.
Silente e absorto,
refez os becos
de um dia oco e pesado.
Inquieto,
alimentou-se de acasos:
sorveu as praças,
o cinza das chaminés
e amargurou-se com o lamento
pulverizado dos meninos
da grande cidade.
Chorou a salobra
segunda-feira,
feita de vagidos
e tormentos.
Desse modo,
por muito tempo,
passou a repetir
as noites,
nos olhos avulsos
do esquálido cão,
que cismara em perseguir.
Um dia,
ao tentar recompor sua história,
morreu de esquecimento.
Francisco Perna Filho*
*poeta brasileiro que hoje comemora o 46º aniversário
segunda-feira, novembro 23, 2009
O professor Sílvio era o maior educador do norte goiano. Ou pelo menos pensava que era, depois de ter dado aulas em umas oito escolas rurais nos três municípios em que morou.
Com esse cacife todo, resolveu se candidatar a prefeito. Em cada comício, levava alguns alfabetizados por ele para mostrar resultados do seu trabalho. Candidatos de outros partidos gozavam, dizendo que ele ensinava as pessoas a desenhar o nome e as considerava alfabetizadas.
Contestando seus opositores, o professor Sílvio passou a pedir para alguns dos seus alfabetizados que subissem ao palanque, e fazia perguntas relacionadas à maltratada língua-pátria. A cada resposta, a platéia aplaudia e ele vibrava.
– Tão vendo? Tão vendo? Gente alfabetizada pelo professor Sílvio sabe ler e escrever, sim senhor!
Num desses comícios, subiu ao palanque o pernambucano Gregório, que chegou analfabeto ao norte de Goiás, e foi "desasnado" pelo professor Sílvio. Para mostrar que aprendeu mesmo, mandou que perguntasse o que quisessem, e o próprio professor perguntou:
– O que é sílaba?
Gregório nem vacilou. Com um ar de profunda sabedoria, sapecou:
– Sílbala é uma palavra que a gente gaguleja de uma vez só.
Mouzar Benedito
Publicado no jornal digital VIAPOLÍTICA
domingo, novembro 22, 2009
Todos os dias me suicido,
invento dores e palavras absurdas,
é a fórmula que escolhi para me multiplicar.
Começo quando começa o dia,
estou eu sempre me recomeçando.
Faço assim porque tenho pressa,
pode ser que eu morra
antes do fim do mundo.
Além do mais,
a noite não espera
e guardo muito cuidado com ela porque,
no seu silêncio extremo,
está a perdição que me alimenta.
Percorro os caminhos como um navio,
desses que carregam fantasmas.
Vou repartindo o tempo,
ora estou na luz,
ora no escuro maior.
É assim a contradição que estabeleço
para que ninguém me encontre
nem tampouco imite o meu sofrer.
Escondo,
dentro de mim,
no peito,
um moinho.
No centro dele sou duro como ferro.
Everaldo Moreira Veras*
*poeta brasileiro
sábado, novembro 21, 2009
Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros.
Voltaire
sexta-feira, novembro 20, 2009
quinta-feira, novembro 19, 2009
Eu nunca...
Eu sei...
Eu quero...
quarta-feira, novembro 18, 2009
terça-feira, novembro 17, 2009
segunda-feira, novembro 16, 2009
domingo, novembro 15, 2009
sábado, novembro 14, 2009
Vivo de plantar artigos indefinidos
em frases substantivadas;
suor adverbial, monossilábico sol.
Enxadas verbais mondam palavras,
grãos sintáticos coloram o dia
desta lavra infame.
Ervas metafóricas crescem vorazes
sobre a colheita superlativa.
Hipérboles regam os grelos
desta plantação morfológica.
Eitos absolutos, parônimo canto;
Imensa lavoura gramatical.
Enzo Carlo Barrocco*
*poeta brasileiro
sexta-feira, novembro 13, 2009
quinta-feira, novembro 12, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho. Este adágio, um entre as várias dezenas que existem sobre o São Martinho, significa que pelo dia 11 de Novembro se espera que tenha passado o tempo e vindo o frio suficientes para “curtir” o mosto e transformá-lo em vinho.
O que muitas alminhas desconhecem é que beber mosto como quem bebe vinho provoca fortes desarranjos intestinais que fazem os incautos andarem a correr para as casas de banho dias a fio.
Por outro lado, fazer um bom magusto requer sabedoria, pois as castanhas têm de ser mexidas e remexidas com perícia de forma a assarem uniformemente por todos os lados.
Pois parece que os mais altos mandatários da justiça cá do burgo desconheciam estas realidades comezinhas, pois apressaram-se a retirar as castanhas do lume mal a face visível tinha aspecto de assada e atiraram-se ao mosto como borracho ao garrafão. Como resultado, não conseguem descascar a face oculta das castanhas e foram atacados por uma diarreia mental que já dura há vários dias. Com a agravante de as casas de banho se situarem nas redacções dos jornais e nos estúdios das televisões.
terça-feira, novembro 10, 2009
Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível
Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos secretos dentes
Nesta hora
Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim
Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranqüilamente
Todas as horas do fim
Torquato Neto
segunda-feira, novembro 09, 2009
Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento.
Cecília Meireles
domingo, novembro 08, 2009
Renasces em ti mesma e por ti mesma.
Movimentas o sonho, a poesia e as aventuras imprevisíveis.
O imponderável é a tua matéria.
A poesia só me visita para que te realizes,
para que eu te sinta e te compreenda.
Que caminhos te prendem,
que ignotas rotas te iluminam?
Uma rosa se forma entre o teu sorriso e a aurora.
De repente,
tudo se torna tão irreal
que te sinto visível.
Emílio Moura*
*poeta mineiro
sábado, novembro 07, 2009
sexta-feira, novembro 06, 2009
quinta-feira, novembro 05, 2009
quarta-feira, novembro 04, 2009
terça-feira, novembro 03, 2009
segunda-feira, novembro 02, 2009
domingo, novembro 01, 2009
sábado, outubro 31, 2009
sexta-feira, outubro 30, 2009
quinta-feira, outubro 29, 2009
quarta-feira, outubro 28, 2009
terça-feira, outubro 27, 2009
segunda-feira, outubro 26, 2009
Dinossauro Excelentíssimo
No gabinete, entre o discurso e a caça às palavras é que o Dinossauro cumpria o seu reinado. Escrevia e vigiava, à sombra do retrato oficial que tinha em cima da secretária e sempre guiado pela sua voz dentro dele. Mas se abrisse a porta podia continuar a ouvir-se, desdobrado pelos altifalantes que havia nos corredores a na sala ao lado onde estava a estátua que era ele mesmo em corpo histórico.
Havia um frio de eternidade naquela teia de circuitos, uma aragem de zumbidos metálicos, e o Dinossauro, atrás da secretária dourada, sua varanda, suas patas leoninas, parecia um sonâmbulo pousado num sonho desértico. Não dormia há séculos, dizia-se dele; outros garantiam: repousa vivo à margem da morte, que é a linha de onde se vê mais claro. De quando em quando as nervuras da teia estremeciam, suspendendo uma gota metálica: TINHA CAÍDO UMA PALAVRA.
José Cardoso Pires, excerto de Dinossauro Excelentíssimo.
domingo, outubro 25, 2009
sábado, outubro 24, 2009
Sem papas na língua
A comunidade internacional está a perder dinheiro e a derramar o seu sangue no Afeganistão para apoiar um governo de criminosos corruptos e misóginos, de acordo com os interesses dos Estados Unidos.
Malalai Joya é uma mulher de armas e já foi considerada a mulher mais corajosa do Afeganistão. Refugiada desde os 4 anos de idade em campos do Irão e do Paquistão, regressou ao seu país com 20 anos, sob o regime dos talibãs.
Em 2003, com 25 anos de idade, foi eleita para o Loya Jirga, convocado para ratificar a Constituição do Afeganistão. Em 2005 foi eleita Membro do Parlamento, do qual foi suspensa 2 anos depois com o argumento de que tinha insultado alguns dos seus pares num programa de televisão. Apoiada por intelectuais e parlamentares de todo o mundo, apelou da sua suspensão (o processo ainda segue os seus trâmites), ao mesmo tempo que discursava nos mais diversos locais (incluindo o Parlamento Europeu).
Esta semana deslocou-se a Madrid para receber o prémio o prémio Juan Maria Brandés para a Defesa do Direito de Asilo e Solidariedade com os Refugiados, tendo dado uma entrevista ao jornal Publico (o espanhol, que o de cá não liga a essas coisas), cuja leitura recomendo a quem quiser entender de que lado estão e o que pensam sobre a intervenção da NATO as verdadeiras forças democráticas do Afeganistão. A propósito: o que andam os nossos a fazer por lá?
sexta-feira, outubro 23, 2009
quinta-feira, outubro 22, 2009
quarta-feira, outubro 21, 2009
terça-feira, outubro 20, 2009
segunda-feira, outubro 19, 2009
domingo, outubro 18, 2009
sábado, outubro 17, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
quinta-feira, outubro 15, 2009
quarta-feira, outubro 14, 2009
terça-feira, outubro 13, 2009
segunda-feira, outubro 12, 2009
domingo, outubro 11, 2009
sábado, outubro 10, 2009
sexta-feira, outubro 09, 2009
quinta-feira, outubro 08, 2009
Enquanto, no seu país, 7 milhões de hondurenhos lutam e morrem, sob a bota dos golpistas, pelo regresso do país à normalidade democrática, falcões saudosos da guerra fria traficam - a peso de ouro – influências em Washington para redireccionar a posição inicial da administração Obama, alegadamente apoiados na sombra pela Secretária de Estado.
Cartoon: Umpierrez
quarta-feira, outubro 07, 2009
terça-feira, outubro 06, 2009
segunda-feira, outubro 05, 2009
domingo, outubro 04, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
Cegueira de Olhos Abertos A cegueira que cega cerrando os olhos, não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos, essa é a mais cega de todas: e tal era a dos Escribas e Fariseus. Homens com os olhos abertos e cegos. Com olhos abertos, porque, como letrados, liam as Escrituras e entendiam os Profetas; e cegos, porque vendo cumpridas as profecias, não viam nem conheciam o profetizado. (...) Esta mesma cegueira de olhos abertos divide-se em três espécies de cegueira ou, falando medicamente, em cegueira da primeira, da segunda, e da terceira espécie. A primeira é de cegos, que vêem e não vêem juntamente; a segunda de cegos que vêem uma coisa por outra; a terceira de cegos que vendo o demais, só a sua cegueira não vêem.
Padre António Vieira, in "Sermões”
Quem quiser verificar a perfeita actualidade do Padre António Vieira, pode passar os olhos pela inqualificável arenga - inqualificável porque, nem todos juntos, os termos canalha, nojenta, ajavardada, nauseabunda, repugnante, torpe, merdilheira, conspurcante, infecta, engulhosa, asquerosa e merdosa conseguiriam catalogar genuinamente aquela prosa - de VGM publicado ontem no Diário de Notícias. Mas é conveniente estar de estômago vazio, pois a náusea vai ser extrema, pelo menos para 70,1% dos portugueses. O mau perder, o desespero anti-democrático e a baixa linguagem atingem as raias da insanidade. Desengane-se quem pensava que o nível político já tinha batido no fundo. Como é possível, mais de 40 anos depois, um tal bolor salazarento?










