terça-feira, setembro 08, 2015

Vamos brincar de romantismo

Nunca te poderia dar um momento de romantismo
Com a presença do meu sangue,
A presença indomável dos meus nervos,
A presença exaltada dos meus sentidos,
A exaltação dos teus sentidos, todos presentes
Na festa nupcial da noite breve.

O romantismo mal sussura;
Exige grilos rondando a casa.

Vamos brincar de romantismo com a ausência do meu corpo.
E com a ausência do teu corpo.

Vamos brincar de tristeza faz-de-conta.

Amanhã não virei para a festa nupcial de cada noite.
Vou campear estrelas.

Ficará sozinha, no quarto vazio.
Flores. É bom umas flores, mas que se despetalem como lágrimas.

Hás de pôr as faces nas mãos morenas. Cerrarás os olhos.
Enquanto isso, os sapos todos desta rua, que vai ficar triste,
Virão cantar uma cantiga-de-amor-ausente.
Bem perto de tua janela,
Nas poças de água...


(poeta baiano nascido faz hoje 103 anos)

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