segunda-feira, julho 06, 2015

Piolhoso país

Piolhoso país em que nasci,
Coio de inchados zeros vencedores,
de medíocres maus, de furta-cores,
de lázaros, de cães sem pedigree!

Sarcástica, de gozo, a gente ri.
São os péssimos tidos por melhores.
Pisam, brutais, angústia, pena, dores:
Ah! se os compreendo! Ah! se os compreendi!

São arrobas de sebo e cornadura,
Fornecedores de fábricas de pentes,
E de soro, também, contra as bexigas.

São deputados, directores-gerais,
Governadores, ministros, generais,
Sem que passem de tímidas lombrigas.


(escritor bracarense nascido a 6 de Julho de 1902)

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