Soneto da
Esperança
Tempo de
azul e não. Desencantado
reino do que
não foi, mundo postiço,
ontem feito
de agora, hoje passado:
na essência
do não-ser o instante omisso.
(Margaridas
da tarde, onde o seu viço?
Choro de
água nos ares, lento e alado
caminho cor
de sonhos? Insubmisso
mar sem
datas, desfeito e recriado?)
Suaves
rechãs por onde a mão do vento
esculpia no
verde a sombra exata
e as imagens
que o olhar já não alcança.
Aventuras
tão-só do pensamento:
arco de
azul, a tarde era a fragata
supérflua,
para o exílio da esperança.
(poeta
pernambucano falecido faz hoje 8 anos)