quarta-feira, junho 10, 2015

Arte

Poemas são palavras e presságios,
pardais perdidos sem direito a ninho.
Poemas casam nuvens e favelas
e se escondem depois no próprio umbigo.

Poemas são tilápias e besouros,
ar e água à beira de anzóis e riscos.
São begônias e petúnias,
isopor ou mármore nas colunas,

rosas decepadas pelas hélices
de vôos amarrados ao chão.
Cinza do que foi orvalho,

poema é carta fora do baralho,
milharal pegando fogo
pelo berro do espantalho.


(poeta carioca nascido a 10 de Junho de 1952)

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