terça-feira, março 03, 2015

Canção amarga

Cavalo alado, perdido
em labirintos de estrelas:
longos caminhos de espanto,
desnudos aos quatro ventos,
fome de pura volúpia,
sede de bruma e silêncio.
Entre meus dedos trançados,
floriu o hibisco vermelho;
por ele troquei a flor
amarga do limoeiro,
olor de terra molhada,
aromas castos de feno;
deixei a saia rodada
pela túnica de efebo,
cravei agudo pinhal
na raiz do meu desejo
por um amor desumano,
Sem razão, sem fim, nem sexo.


(escritora vianense nascida faz hoje 96 anos)

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