terça-feira, novembro 11, 2014

Defesa do lobo contra os cordeiros

Querem que o abutre coma miosótis?
o que exigem do chacal?
do lobo, que mude de pele? Querem
que ele mesmo extraia seus dentes?
O que é que não apreciam
nos comissários políticos e nos papas,
porque olham, feito burros,
o vídeo mentiroso?

Olhem-se no espelho: covardes,
temendo a fadiga da verdade
sem vontade de aprender, entregando
o pensar aos lobos
um anel no nariz como adorno preferido,
nenhuma ilusão burra o bastante, nenhum consolo
barato o suficiente, cada chantagem
ainda é clemente demais para vocês.

Ó cordeiros, irmãs
são as gralhas comparadas a vocês:
vocês se arrancam os olhos uns aos outros.
Fraternidade reina
entre lobos:
andam em alcateias.

Louvados sejam os salteadores: vocês
convidam para o estupro
deitando-se no leito preguiçoso
da obediência. Mesmo gemendo
vocês mentem. Querem
ser devorados. Vocês
não mudam o mundo.


(poeta alemão que hoje faz 85 anos)

(Tradução de Kurt Scharf e Armindo Trevisan)

1 comentário:

jrd disse...

Tanta é a verdade que magoa neste poema

Abraço