sexta-feira, fevereiro 18, 2011


Porque o Povo Diz Verdades

Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.

Vem perto o fim do capricho
Dessa nobreza postiça,
Irmã gémea da preguiça,
Mais asquerosa que o lixo.

Já o escravo se convence
A lutar por sua prol
Já sabe que lhe pertence
No mundo um lugar ao sol.

Do céu não se quer lembrar,
Já não se deixa roubar,
Por medo ao tal satanás,
Já não adora bonecos
Que, se os fazem em canecos,
Nem dão estrume capaz.

Mostra-lhe o saber moderno
Que levou a vida inteira
Preso àquela ratoeira
Que há entre o céu e o inferno.

António Aleixo, in Este Livro que Vos Deixo

(António Aleixo nasceu a 18 de Fevereiro e 1899)

2 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Os comentários não entraram na altura devida não sei porquê mas já está em ordem, obrigado!

E que actual é o versejar de António Aleixo! Bem a propósito até porque "sei que pareço um ladrão, mas há muitos que eu conheço, que parecendo o que não, são aquilo que eu pareço!"

mdsol disse...

Uma das quadras de que mais gosto e que revela, quanto a mim, toda a arte do António Aleixo:

A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa de jeito


:)))