terça-feira, agosto 23, 2011
A PAZ
A alva pomba da paz voou aos céus serenos.
Embaixo homens se agitavam
entre gritos e tiros.
Paquidermes mecânicos
sulcavam fossos
rasgando trincheiras.
Cansada de librar-se nas alturas
a pomba da paz
buscou na terra um pouso
e flechou
num vôo reto
rumo a uma coisa imóvel
hirta e muda no raso campo verde.
E pousou
calma e triste
sobre as mãos cruzadas de um cadáver.
(poeta paulista falecido a 23 de Agosto de 1988)
segunda-feira, agosto 22, 2011
A semente possível
tenho a luz na algibeira
e restos de um país em construção.
na areia as estrelas morrem cegas
enquanto desenho sonhos
na infância longínqua.
há sempre uma fala de búzios
possível na linha de água
com os peixes e os segredos das escamas
em conciliábulos de sombras
onde um feixe de luz sussurra
a nítida claridade.
José Nascimento Félix
(poeta natural de Angola residente em Portugal)
domingo, agosto 21, 2011
sábado, agosto 20, 2011
EUPOEMA
O lugar onde eu nasci nasceu-me
num interstício de marfim,
entre a clareza do início
e a celeuma do fim.
Eu jamais soube ler: meu olhar
de errata apenas deslinda as feias
fauces dos grifos e se refrata:
onde se lê leia-se.
Eu não sou quem escreve,
mas sim o que escrevo:
Algures Alguém
são ecos do enlevo.
(poeta paulista nascido a 20 de Agosto de 1927)
sexta-feira, agosto 19, 2011
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