How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
terça-feira, dezembro 08, 2015
Dizeres
íntimos
É tão triste
morrer na minha idade!
E vou ver os
meus olhos, penitentes
Vestidinhos
de roxo, como crentes
Do soturno
convento da Saudade!
E logo vou
olhar (com que ansiedade!...)
As minhas
mãos esguias, languescentes,
De brancos
dedos, uns bebés doentes
Que hão-de
morrer em plena mocidade!
E ser-se
novo é ter-se o Paraíso,
É ter-se a
estrada larga, ao sol, florida,
Aonde tudo é
luz e graça e riso!
E os meus
vinte e três anos... (Sou tão nova!)
Dizem
baixinho a rir: - “Que linda a vida!...”
Responde a
minha Dor: - “Que linda a cova!”
(Florbela
Espanca nasceu a 8 de Dezembro de 1894 e faleceu a 8 de Dezembro de 1930)
segunda-feira, dezembro 07, 2015
Retrato de
Amigo
Por ti falo.
E ninguém sabe. Mas eu digo
meu
irmão minha amêndoa meu amigo
meu tropel
de ternura minha casa
meu jardim
de carência minha asa.
Por ti morro
e ninguém pensa. Mas eu sigo
um caminho
de nardos empestados
uma intensa
e terrífica ternura
rodeado de
cardos por muitíssimos lados.
Meu perfume
de tudo minha essência
meu
lume minha lava meu labéu
como é
possível não chegar ao cume
de tão
lavado céu?
(Ary dos
Santos nasceu faz hoje 78 anos)
domingo, dezembro 06, 2015
Antes de
partir
Antes de
partir
Encherei os
meus olhos, a minha memória
Do verde
(verde, verde!) do meu País
Para que
quando tomado pela saudade
Verde seja a
esperança
Do regresso
breve
Antes de
partir
Encherei os
meus ouvidos, a minha memória
Do palpitar
que esmorece, enquanto a noite
Cresce sobre
a cidade e no campo
Feito o
silêncio dos homens e dos rádis...
(poeta
guineense que hoje faria 66 anos)
sábado, dezembro 05, 2015
Canção
Na fome
verde das searas roxas
passeava
sorrindo Catarina.
Na fome
verde das searas roxas
ai a papoula
cresce na campina!
Na fome roxa
das searas negras
que levas,
Catarina, em tua fronte?
Na fome roxa
das searas negras
ai devoravam
os corvos o horizonte!
Na fome
negra das searas rubras
ai da
papoula, ai de Catarina!
Na fome
negra das searas rubras
trinta balas
gritaram na campina.
Trinta balas
te mataram a
fome, Catarina.
(Papiniano
Carlos faleceu faz hoje 3 anos)
sexta-feira, dezembro 04, 2015
Les mains
d’Elsa
Donne-moi
tes mains pour l’inquiétude
Donne-moi
tes mains dont j’ai tant rêvé
Dont j’ai
tant rêvé dans ma solitude
Donne-moi
tes mains que je sois sauvé
Lorsque je
les prends à mon propre piège
De paume et
de peur de hâte et d’émoi
Lorsque je
les prends comme une eau de neige
Qui fuit de
partout dans mes mains à moi
Sauras-tu
jamais ce qui me traverse
Qui me
bouleverse et qui m’envahit
Sauras-tu
jamais ce qui me transperce
Ce que j’ai
trahi quand j’ai tressailli
Ce que dit
ainsi le profond langage
Ce parler
muet de sens animaux
Sans bouche
et sans yeux miroir sans image
Ce frémir
d’aimer qui n’a pas de mots
Sauras-tu
jamais ce que les doigts pensent
D’une proie
entre eux un instant tenue
Sauras-tu
jamais ce que leur silence
Un éclair
aura connu d’inconnu
Donne-moi
tes mains que mon coeur s’y forme
S’y taise le
monde au moins un moment
Donne-moi
tes mains que mon âme y dorme
Que mon âme
y dorme éternellement …
(Louis
Aragon faleceu faz hoje 33 anos)
quinta-feira, dezembro 03, 2015
O cavalheiro
sem anéis
Quando me
visto de pôr-do-sol,
Os anjos
ficam loucos.
Sobem nos
trapézios de vidros
E saem a
girar...
Girar...
Sou o
Cavalheiro sem Anéis.
Sou órfão
dos colarinhos de antigamente.
Minha voz se
perdeu nas listras do arco-íris.
Meu sorriso
nas cordas de um violino.
Sou o
Cavalheiro sem Anéis.
Eu sou a
própria roupa do crepúsculo.
Nem o vento
sabe onde vou dormir.
(poeta
baiano falecido faz hoje 12 anos)
quarta-feira, dezembro 02, 2015
Esquecendo
Os lagos
dormem cisnes na alameda
E as portas
do palácio estão fechadas.
As folhas a
cair, rezando seda,
Sonham
paisagens mortas, afastadas…
Essas
paisagens foram tuas aias.
Flautas ao
longe foram teus sentidos.
E as tuas
mãos ao desfiar vestidos
Dormiram
franjas em doiradas saias.
A tua Sombra
o seu olhar perdeu…
Não sei se
não serás um gesto meu,
Um gesto de
meus dedos longos, frios…
Não sei quem
és… Meus olhos esquecidos
Sentem-te em
mim, dormir nos meus sentidos…
Meus
sentidos, arcadas sobre rios…
(Alfredo
Guisado faleceu faz hoje 40 anos)
terça-feira, dezembro 01, 2015
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