How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
terça-feira, junho 10, 2014
segunda-feira, junho 09, 2014
Todos os
Punhais
Todos os
punhais que fulgem nos gritos,
Todas as
fomes que doem no pão
Todo o suor
que luz nas estrelas
Todas as
lanças nos dedos da reza,
Todos os
soluços para ressuscitar os filhos mortos,
Todos os
desejos nos alçapões do frio,
Todas as
jóias nos pescoços dos espelhos rachados
Todos os
assassinos que andaram ao colo das mães,
Todos os
atestados de pobreza com lágrimas de carimbo,
Todos os
murmúrios do sol no quarto ao lado à hora da morte…
Tudo, tudo,
tudo
Se condensou
de repente
Numa nuvem
negra de milhões de lágrimas
A
humilharem-me de ternura
- eu que
quero ser alheio, duro, indiferente…
… Enquanto
os outros dançam, cantam, bebem,
vivem, amam,
riem, suam
neste pobre
planeta
magoado das
pedras e dos homens
onde cresceu
por acaso o meu coração no musgo
aberto para
a consciência absurda
deste
remorso sem sentido.
(José Gomes
Ferreira nasceu faz hoje 114 anos)
domingo, junho 08, 2014
POEMA CONTRA
A RESIGNAÇÃO
A tinta com
que se escreve a dor de um povo
não existe
na paleta dos dias perfeitos.
É uma tinta
que casa o azul do mar
com a
palidez de cal das tardes sem esperança,
o verde, o
ocre e a cinza com o metal do grito
que a
garganta magoadamente abafa.
E quando os
filhos perguntam “amanhã como será?”,
que ninguém
retome o fio da história
na enseada
de assombros em que tantos sonhos naufragaram.
Condenaram-nos
a responder pelo número que somos,
tornados
estatística de uma raiva adormecida,
cifra negra
que nos resume e derrota. Até quando?
Então e as
viagens heróicas, as naus afundadas,
as sinuosas
rotas de luz, os astrolábios do espanto
e tudo o
mais que se perdeu no esquecimento dos mapas ?
São
perigosos os poetas na hora do incêndio da memória
com o fogo
das palavras que não se rendem nem se vendem.
Agora somos
a conta que ficou por pagar, colectiva e brutal,
a miséria
sussurrada na aflição das noites,
a dormência
dos dedos quando chega a hora
de escrever
coragem na página de todos os temores.
Mas há uma
pátria que se revolta dentro de nós
quando a
música interrompe o sono das casas
e proclama
que tudo é legítimo menos a resignação.
(José Jorge
Letria faz hoje 63 anos)
sábado, junho 07, 2014
sexta-feira, junho 06, 2014
Prosopopéia
da Peppa ao Pupo
"A sra.
Peppa Ruiz e o sr. Pupo de Moraes
andam em
negociações para o arrendamento
do Mercado
do Rio de Janeiro."
Dos jornais
Parece peta.
A Peppa aporta à praça
E pede ao
Pupo que lhe passe o apito.
Pula do
palco, pálida, perpassa
Por entre um
porco, um pato e um periquito.
Após,
papando, em pé, pudim com passa.
Depois de
peixes, pombos e palmito,
Precípite,
por entre a populaça,
Passa,
picando a ponta de um palito.
Peças
compostas por um poeta pulha,
Que a
papalvos perplexos empunha,
Prestando
apenas p'ra apanhar os paios,
Permuta a
Peppa por pastéis, pamonha...
- Que Peppa
apupe o Pupo e à popa ponha
Papas,
pipas, pepinos, papagaios!
(poeta
brasileiro falecido faz hoje 96 anos)
Este poema
foi publicado no livro Mortalhas: os
deuses em ceroulas; mais de 100 anos passados, temos Peppa e Pupo do
lado de cá do mar!
quinta-feira, junho 05, 2014
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