How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
segunda-feira, agosto 31, 2009
domingo, agosto 30, 2009
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganada, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiada, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer boa demais, nem pretensiosa;
Se és capaz de sonhar - sem aos sonhos te escravizares,
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires;
Se encontrando a Desgraça e o Triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
Ou as coisas por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignada, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
E - o que é mais - tu serás uma Mulher, ó minha filha!
Rudayard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida, ligeiramente adaptada por mim para a dedicar à minha filha, hoje.
sábado, agosto 29, 2009
Nuvem
Gotas de suor da terra evaporadas
ao calor, e ao soprar das ventanias,
amarguras dos campos condensadas
rumo dos céus, lá nas alturas frias!
Para onde vais, fugindo assim às pressas,
tu que és filha daqui? Não te comove
o aspecto bruto, o horror medonho dessas
regiões em que há seis meses que não chove?
Peregrina, mimosa retirante,
nômade filha do sertão agreste,
pois é fado viver assim errante
quem nasceu nessas bandas do Nordeste?
Reclamam-te esses campos inditosos
a umidade fecunda dos teus beijos
na saudade dos rústicos festejos:
águas de enchentes, roças e outros gozos.
Nuvem - gases do vale, véus da serra -
para onde vais, fugindo assim em bando?
Filha rebelde e pródiga da terra,
quando é que um dia hás de voltar chorando?
O chão, o céu, os pássaros em coro,
rios, açudes, tudo mais enfim,
ressuscita à harmonia do teu choro.
O próprio sol se ameiga ao ver-te assim.
E cala o filho do sertão adusto,
que desde o berço até à campa sofre
a dor que lhe arranquei do peito angusto
e aqui fica gemendo nessa estrofe:
Ai! Para que plantar? Só para a mágoa
de assistir o espetáculo tremendo
de o que plantei aos poucos ir morrendo
à fartura de sol e à mingua d'água?
Nuvem, piedade! Ao menos com o manto
de tuas sombras cobre os sertões nus
para que o sol não queime a terra tanto
e o homem não viva amaldiçoando a luz!...
Cristiano Cartaxo*
*poeta brasileiro
sexta-feira, agosto 28, 2009
A Nossa Falsa Verdade
Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
A princípio, quando me apercebia de tais situações, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado...
Johann Wolfgang von Goethe, in "Máximas e Reflexões"
A minha mulher não costuma fazer comentários acesos às notícias do telejornal, mas ontem quase explodiu quando ouviu uma senhora do passado falar de “politica de verdade” - e eu ri-me pensando no que iria postar hoje.
Não tive tempo (e não tenho pachorra) para analisar em detalhe o “diz que era uma espécie de programa de governo” da dona Manuela. Mas da sua leitura cruzada ressaltou um conjunto de generalidades e a repetição obsessiva da palavra “verdade”, coisa que a candidata deve ter descoberto recentemente (pelo menos deve ter sido depois da venda dos anéis e da hipoteca do país ao Citigroup). Felizmente, lembrei-me de que passam hoje 260 anos sobre o nascimento de um grande pensador alemão, o que veio mesmo a talhe de foice.
quinta-feira, agosto 27, 2009
Detalhes Importantes da Governação
Um sábio evita dizer ou fazer o que não sabe. Se os nomes não condizem com as coisas, há confusão de linguagem e as tarefas não se executam. Se as tarefas não se executam, o bem-estar e a harmonia são negligenciados. Sendo estes negligenciados, os suplícios e demais castigos não são proporcionais às faltas, o povo não sabe mais o que fazer. Um príncipe sábio dá às coisas os nomes adequados e cada coisa deve ser tratada segundo o significado do seu nome. Na escolha dos nomes deve-se estar muito atento.
Confúcio, in 'Analectos'
Tanta sabedoria há 2.500 anos e tanta falta dela, agora!
quarta-feira, agosto 26, 2009
Escravos governados por oligarcas
Os estado-unidenses pensam que têm “liberdade e democracia” e que os políticos têm de prestar contas nas eleições. A verdade é que os Estados Unidos são governados por poderosos grupos de interesses que controlam os políticos através de donativos para as suas campanhas. Os nossos verdadeiros governantes são uma oligarquia de interesses financeiros e militares/de segurança e a AIPAC, que influencia a política externa dos Estados Unidos em benefício de Israel.
Aperceber-se-ão os estado-unidenses de que não são governados pelos representantes eleitos mas sim por uma oligarquia que é dona do bordel de Washington?
Aqueles que pensam que a afirmação e a pergunta acima foram feitas por algum anti-americano e anti-semita estão rotundamente enganados. Pertencem, como muitas outras pérolas, ao chamado pai da Reaganomics, Paul Craig Roberts, que foi Secretário Adjunto do Tesouro na administração Reagan, e podem ser lidas aqui. Ele lá deve saber do que fala.
terça-feira, agosto 25, 2009
SOLIDÃO
As solidões caminham em espaços invisíveis,
na corrosão do tempo,
e se alojam como serpentes,
ou em garras de abutre
se aplumam vagarosamente...
São milhares de solidões em cada alma,
são milhares sem alma em cada solidão.
Elas me passam em instantes,
como nuvens eternas,
na dupla solidão de uma vida
que não se projeta em monólogos,
pois em monólogos o tempo se esvai.
Dilson Ribeiro*
*poeta brasileiro
segunda-feira, agosto 24, 2009
“Liberdade” de votar
Corrupção, tráfico de droga, alianças com os senhores da guerra e com os clérigos fundamentalistas, leis iníquas, acusações de fraude generalizada, simulacro de “eleições” num país destroçado e desgovernado pelo senhor Hamid Karzai, numa pantomina sangrenta encenada para consumo da “opinião pública ocidental".
Corrupção, tráfico de droga, alianças com os senhores da guerra e com os clérigos fundamentalistas, leis iníquas, acusações de fraude generalizada, simulacro de “eleições” num país destroçado e desgovernado pelo senhor Hamid Karzai, numa pantomina sangrenta encenada para consumo da “opinião pública ocidental".
domingo, agosto 23, 2009
Noite
As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.
Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.
Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.
Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono um ensaio de morte.
No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente
Menotti Del Picchia*
*poeta paulista
sábado, agosto 22, 2009
Dupla bitola
Abdelbaset Ali al-Megrahi, o líbio condenado a um mínimo de 27 anos de prisão por, alegadamente, ser responsável pela morte de 270 pessoas em 1988, quando uma bomba fez explodir o voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie , na Escócia, foi libertado ao fim de 8 anos, por razões humanitárias. A decisão, tomada pelo governo escocês atendendo ao estado terminal do prisioneiro (com menos de 3 meses de vida), que sempre se declarou inocente (e voltou a fazê-lo à chegada a Tripoli), provocou um coro de indignados protestos do outro lado do Atlântico.
Passaram 64 anos no início do corrente mês de Agosto sobre a decisão tomada por um assassino psicopata de fazer lançar sobre as indefesas cidades de Hiroshima e Nagazaki duas bombas atómicas que chacinaram mais de 200.000 pessoas. Os concidadãos das agora virgens ofendidas estado-unidenses aclamaram-no como herói mundial, reelegeram-no para a presidência do país e até o honraram há 13 anos dando o seu nome a um porta aviões nuclear.
A nossa comunicação social chama terrorista a um homem que nega ter participado na destruição de um avião onde viajavam 270 pessoas inocentes e apelida de herói o homem que se vangloriou de ter mandado largar as duas bombas atómicas. Eu, como tenho mau feitio, não digo mais nada.
sexta-feira, agosto 21, 2009
Entre pedras, palavras...
Que estupidez o sangue nas calçadas!
O sangue fez-se para ter dois olhos,
um lépido pé, um braço agente,
uma industriosa mão tocante.
Que estupidez o sangue entre as palavras!
O sangue fez-se para outras flores
menos fáceis de dizer que estas
agora derramadas.
Alexandre O´Neill
quarta-feira, agosto 19, 2009
terça-feira, agosto 18, 2009
Redacção
Eu gosto muito da perplexidade, que é o estado em que se encontra pelo menos um assessor do palácio de Belém ao imaginar que tem o telefone sob escuta ou que algum colega anda a fazer queixinhas para o exterior.
Perplexidade é mais ou menos o mesmo que estupefacção, embora seja uma palavra de maior requinte. Enquanto um assessor estupefacto – o que também é corrente para os lados da praça do império – é alguém feito estúpido, mais ou menos como um boi a olhar para um palácio, um assessor perplexo é uma espécie de “intelectual” anónimo acoitado sob o proteccionismo circunflexo da aparente fleuma presidencial e que vê o país como imagem reflectida por um espelho convexo. Devido aos efeitos secundários da tal convexidade do espelho, sai-se com queixas sem nexo que, no plexo da teia de mediocridade política que nos rodeia, criam um enorme complexo de insegurança, autêntico zingarelho que apenas aproveita aos feirantes que gostam de armar ao pingarelho.
A perplexidade será apenas mero reflexo da aridez do chefe ou dever-se-á a um estado rebarbativo, típico dos eunucos, motivado por falta de sexo?
segunda-feira, agosto 17, 2009
A palavra
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, agosto 16, 2009
Gripe A: fumo sem fogo?
Nunca tinha ouvido falar de Jane Bürgermeister até há alguns dias, quando me deparei com este aviso. Aquilo que li levou-me a pôr em causa a credibilidade da jornalista, mas um pequena pesquisa revelou que ela, efectivamente, publicou 4 artigos na Nature, 33 artigos no British Medical Journal e 62 artigos na The Scientist. É claro que, mesmo assim, pode não passar de uma vendedora da banha da cobra, mas o apoio que tem recebido de outros jornalistas de investigação e também de médicos (este e este, pelo menos) não deixam de me fazer pensar. Ou será apenas mais uma mirabolante teoria da conspiração?
sábado, agosto 15, 2009
A propósito das Honduras
La United Fruit Co.
Cuando sonó la trompeta, estuvo
todo preparado en la tierra,
y Jehova repartió el mundo
a Coca-Cola Inc., Anaconda,
Ford Motors, y otras entidades:
la Compañía Frutera Inc.
se reservó lo más jugoso,
la costa central de mi tierra,
la dulce cintura de América.
Bautizó de nuevo sus tierras
como “Repúblicas Bananas,”
y sobre los muertos dormidos,
sobre los héroes inquietos
que conquistaron la grandeza,
la libertad y las banderas,
estableció la ópera bufa:
enajenó los albedríos
regaló coronas de César,
desenvainó la envidia, atrajo
la dictadura de las moscas,
moscas Trujillos, moscas Tachos,
moscas Carías, moscas Martínez,
moscas Ubico, moscas húmedas
de sangre humilde y mermelada,
moscas borrachas que zumban
sobre las tumbas populares,
moscas de circo, sabias moscas
entendidas en tiranía.
Entre las moscas sanguinarias
la Frutera desembarca,
arrasando el café y las frutas,
en sus barcos que deslizaron
como bandejas el tesoro
de nuestras tierras sumergidas.
Mientras tanto, por los abismos
azucarados de los puertos,
caían indios sepultados
en el vapor de la mañana:
un cuerpo rueda, una cosa
sin nombre, un número caído,
un racimo de fruta muerta
derramada en el pudridero.
Pablo Neruda - Canto General
sexta-feira, agosto 14, 2009
Indigentes e maledicentes
As economias alemã e francesa registaram um crescimento de 0,3% no segundo trimestre e tal facto foi devidamente sublinhado por políticos e media europeus e de além Atlântico, com chamadas destacadas nas primeiras páginas.
Por cá, a economia cresceu exactamente os mesmos 0,3% e os partidos da oposição à direita trataram de retirar qualquer importância ao facto. É o que acontece a quem tem Frasquilhos Feios às Portas do poder. Claro que a situação não é de molde a deitar foguetes e fazer festa da rija, mas o Leite azedo teria feito muito pior, disso não tenho dúvidas.
Passando a um registo bastante diferente, tenho de confessar que gozei à brava com o desempenho do Francisco George na entrevista com a Judite de Sousa, depois do telejornal de ontem. Chamou-lhe incompetente e ignorante com uma pinta que até a minha mulher foi ver porque é que eu me estava a rir sozinho.
Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
Bertolt Brecht
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
Bertolt Brecht
Subscrever:
Mensagens (Atom)