How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
sábado, julho 13, 2013
Esboço
Negro o
cabelo, a fronte iluminada,
O nariz
curvo, a boca pequenina,
Nos olhos
escuríssimos cravada
Uma estrela
no fundo da retina;
Nas faces
uma rosa desmaiada
E outra rosa
nos lábios purpurina,
Seus
pequeninos pés os duma fada
E o seu
corpo um corpinho de menina;
Todos os
traços cheios de expressão,
Nas mãos um
fogo estranho que lhas beija,
Porque eu
lhe pus nas mãos o coração:
Eis o esboço
rápido de aquela
Que, sempre
que na vida alguém a veja,
Nunca mais
vê ninguém senão a ela!
(poeta
lamecense falecido faz hoje 73 anos)
sexta-feira, julho 12, 2013
A Infinita
Vês estas
mãos? Mediram
a terra,
separaram
os minerais
e os cereais,
fizeram a
paz e a guerra,
derrubaram
as distâncias
de todos os
mares e rios
e, no
entanto,
quando te
percorrem
a ti,
pequena,
grão de
trigo, calhandra,
não
conseguem abarcar-te,
fatigam-se
ao agarrar
as pombas
gémeas
que repousam
ou voam no teu peito,
percorrem as
distâncias das tuas pernas,
enrolam-se
na luz da tua cintura.
Para mim tu
és tesouro mais rico
de
imensidade do que o mar e seus cachos
e és branca
e azul e extensa como
a terra nas
vindimas.
Nesse
território,
desde os pés
à fronte,
andando,
andando, andando,
passarei a
vida.
(Pablo
Neruda nasceu faz hoje 109 anos)
quinta-feira, julho 11, 2013
Humorismo
Sossego
macio da tarde.
Um sol
cansado
passa pelo
rosto suado
uma
nuvenzinha alva como um lenço
para enxugar
as primeiras estrelas.
Silêncio.
E o sol vai
caminhando sobre os montes tranqüilos
vai
cochilando. E de repente
tropeça e
cai redondamente
sob a
pateada dos sapos e a vaia dos grilos.
(poeta
paulista falecido faz hoje 44 anos
quarta-feira, julho 10, 2013
Alvorada
A alvorada
lembra um linho sem mancha,
aparando a
orvalhada.
Há
musselinas, contas claras de miçanga
entre as
folhas frescas do pomar.
Na meia-luz
trêmula, qualquer cousa espera.
O jardim
ajoelhou, num misticismo doce.
Incensórios
de corolas, folhas que fossem
lábios de
seiva, murmurando em prece…
No linho
puro, sob o altar da alvorada,
é a missa
eterna.
Passarinhos,
campainhas vivas...
Toda a
alvorada religiosa
adora a luz
na lenta elevação do sol.
(poeta
gaúcho falecido faz hoje 43 anos)
terça-feira, julho 09, 2013
Epitáfio
Aqui jaz o
Sol
Que criou a
aurora
E deu luz ao
dia
E apascentou
a tarde
O mágico
pastor
De mãos
luminosas
Que fecundou
as rosas
E as
despetalou.
Aqui jaz o
Sol
O andrógino
meigo
E violento,
que
Possuiu a
forma
De todas as
mulheres
E morreu no
mar.
(Vinícius de
Moraes faleceu faz hoje 33 anos)
segunda-feira, julho 08, 2013
ÁRVORE E POEMA
Aqui está
uma árvore:
o vento
canta poemas sem palavras
na sua ampla
copa.
Sei
que o
destino da árvore é transformar-se em papel:
um papel com
ânsia de palavras
Sei
de uma
palavra
com ânsia de
se plasmar no papel
de uma
palavra com ânsia de começar um poema
Sei
de um poema
não escrito que tem ânsia da sua primeira palavra
de um poema
que tem ânsia do seu poeta
Mas sei
também
que o poeta
sofre
quando se
abate a árvore para a transformar em papel.
(poetisa
sueca nascida na Dinamarca faz hoje 101 anos)
(Tradução de
Amadeu Baptista)
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