How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, janeiro 16, 2013
terça-feira, janeiro 15, 2013
Lembrança
Passa um
vento morno,
Um vento
morno
Na trémula
palmeira,
Na neblina
prateada.
Envoltos na
ténue distância
Morros azuis
de mata
Lá ao longe.
Algures um
sino suave tange.
No vento
ondula como flâmula
Uma saia
berrante cor de sangue.
Árvores de
fruta pão
Bailando,
mãos abertas,
Leques de
bananeiras
Oscilando
lentamente.
Visão
fugidia, retratada
Por inteiro
No livro
silencioso da memória.
Lembrança de
São Tomé,
Sangué,
trémula e prateada...
Saudade de
São Tomé...
(poeta
matosinhense nascido faz hoje 92 anos)
segunda-feira, janeiro 14, 2013
A rua
Bem sei que,
muitas vezes,
O único
remédio
É adiar
tudo. É adiar a sede, a fome, a viagem,
A dívida, o
divertimento,
O pedido de
emprego, ou a própria alegria.
A esperança
é também uma forma
De contínuo
adiamento.
Sei que é
preciso prestigiar a esperança,
Numa sala de
espera.
Mas sei
também que espera significa luta e não, apenas,
Esperança
sentada.
Não
abdicação diante da vida.
A esperança
Nunca é a
forma burguesa, sentada e tranqüila da espera.
Nunca é
figura de mulher
Do quadro
antigo.
Sentada,
dando milho aos pombos.
(poeta
brasileiro falecido a 14 de Janeiro de 1974)
domingo, janeiro 13, 2013
Com as mãos
Com as mãos
projecto os muros
para além da
Casa
construo
extensões da alma
modelo
verbos silêncios
apuro os
sentidos na paisagem
para habitar
este lugar transitório
com as mãos
suspensas na página
observo a
harmonia da linhas do mundo
como se meu
corpo fosse uma gaivota
voando
voando voando na rotação
de um
movimento original
retornando
às mãos
reencontro
as rotas da criação
e recordo
com o sabor agudo da língua
a água do
mar
nelas
mergulho o corpo
e respiro
Gisela Ramos Rosa
(poetisa
portuguesa nascida no Maputo a 13/01/1964)
sábado, janeiro 12, 2013
Vida Sempre
Entre a vida
e a morte há apenas
o simples
fenómeno
de uma
subtil transformação. A morte
não é morte
da vida.
A morte não
é inação, inutilidade.
A morte é
apenas a face obscura,
mínima, em
gestação
de uma
viagem que não cessa de ser. Aventura
prolongada
desde o
porão do tempo. Projectando-se
nas naves
inconcebíveis do futuro.
A morte não
é morte da vida: apenas
novas formas
de vida. Nova
utilidade.
Outro papel a desempenhar
no palco
velocíssimo do mundo. Novo ser-se (comércio
do pó) e não
se pertencer.
Nova
claridade, respiração, naufrágio
na maquina
incomparável do universo.
Casimiro de Brito
Poema
dedicado ao meu irmão, falecido faz hoje 2 anos
sexta-feira, janeiro 11, 2013
OFÍCIO DE
LADRÃO
depois,
disseste que a vida se propagava em transcendente vertigem
e que a
seiva ao penetrar os poros do estrume fecundaria a visão
eu
perguntava, que dom seria aquele?
o do cego
assistindo à projecção dum filme mudo
ambos
conhecíamos o sabor do sangue e das açucenas tardias
mas, o tempo
atropelou tudo em redor
esquecemos
os objectos íntimos e o que estávamos ali a fazer
das palavras
restavam os pedúnculos ocos na respiração dum recente
medo
viajávamos
sem rumo
abandonei-te
à transgressão do voo e do açúcar
e quando
regressámos um ao outro
consentiste-me
que roubasse aos deuses o silêncio
e a
luminosidade do monólogo
(poeta
coimbrão que hoje faria 65 anos)
quinta-feira, janeiro 10, 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)
.jpg)