How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quinta-feira, maio 17, 2012
AUTOBIOGRAFIA
Algumas
poucas tabernas, velho armário,
cão de
folhas,
árvores do
escuro ladram,
eu corro
pelas páginas no focinho do cão.
A garrafa. O
gin gira
e fere-me
lábios e aviva o vinho velho.
Velho vidro.
Espalha o espelho (as palavras
no charco do
álcool).
Nunca o
coração bebe,
a árvore
ondulante bebe,
o coração
obscuro vive a violência
do meu ponto
de vista,
mas
habita-me
na confissão
se os cães
da retórica velhos
correm
contra a pele,
quando as
lágrimas os soltam
e as páginas
inesperadamente se derramam.
E o meu
armário fala, fantasma arborescente.
Em vez de um
lírio, as minhas fezes na boca,
a espuma da
copa. Álcool.
É o mar.
Choro
assombrado.
(poeta
espinhense que hoje faz 64 anos)
quarta-feira, maio 16, 2012
Épura
Geometrias,
imaginações destes caminhos
da minha
terra!
Curvas de
trilhas,
triângulos
de asas,
bolas de
cor...
Círculos de
sombras agachadas entre as árvores,
cilindros de
troncos embebidos na luz.
Geometrias,
imaginações destes caminhos
da minha
terra!
Melancolicamente,
nesta alegria geométrica,
pingando
bilhas polidas,
o leque das
bananeiras abana o ar da manhã...
(poeta
carioca nascido faz hoje 119 anos)
terça-feira, maio 15, 2012
segunda-feira, maio 14, 2012
Léguas-quilo
Quantas léguas-quilo
De jornais devoro
Para emitir duas páginas
De um juízo correto?
Quantos meses meço silêncios
Até que ouvidos captem
A melodia ignota
Original
Inédita
De meu eco?
Quantos países perco
Nestes pavimentos
Que me cercam
E encerram?
De quanta criança me privo
Por seus amanhãs mais justos
Menos incertos?
Quanto chumbo de solidão carrego
Solidão que não peço?
Em que conclaves
Não me arrisco
Pensando haver caminhos
Mais retos?
A quanto exílio me vetam
Crendo-se o tirocínio certo?
Como montar meu filme de vida
Sem reprises de minha imaginação
Tridimensional espacial
Hodierna e pregressa?
Juju Campbell Penna
(poeta carioca)
domingo, maio 13, 2012
As
lavadeiras
As
lavadeiras no tanque noturno
Não
responderam ao canto da sibila.
“Lavamos os
mortos,
Lavamos o
tabuleiro das idéias antigas
E os
balaústres para repouso do mar...
Nele
encontramos restos de galeras,
Quem nos
desviará do nosso canto obscuro?
Nele
descobrimos o augusto pudor do vento,
O balanço do
corpo do pirata com argolas,
Nele
promovemos a sede do povo
E excitamos
a nossa própria sede...”
As
lavadeiras no tanque branco
Lavam o
espectro da guerra.
Os braços
das lavadeiras
No abismo
noturno
Vão e vêm.
(poeta
mineiro nascido faz hoje 111 anos)
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