How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, dezembro 14, 2016
Noiva
Linda, como
somente vós sabeis,
forte, como
a esperança que em vós ponho,
alegre, como
fostes, sois, sereis,
assim vos
penso, assim vos recomponho,
curvada
embora à vida e às suas leis
mas nunca
libertada do meu sonho.
Fostes a
noiva na manhã de Reis,
ainda hoje o
sois nos versos que componho.
Leio Luís de
Camões, o nosso poeta,
a suspirar
do amor mais desgraçado
e a maldizer
o dia em que nasceu.
Sobreponho-me
à morte e à dor secreta,
o amor
feliz, senhora, é o nosso fado,
cantá-lo, a
chave do destino meu.
(escritor
maranhense nascido faz hoje 102 anos)
segunda-feira, dezembro 12, 2016
Amar-te é
Vir de Longe
Amar-te é
vir de longe,
descer o rio
verde atrás de ti,
abrir os
braços longos desde os sete
anos sob a
latada ao pé do largo,
guardar o
cheiro a figos vistos lá,
a olho nu,
ao pé, ao pé de ti,
parar a
beber água numa fonte,
um acaso
perdido no caminho
onde os
vimes me roçam a memória
e te
anunciam mãos e te perfazem;
como se o
sino à hora de tocar
já fosse o
tempo todo badalado,
e a tua boca
se abrisse atrás do tojo,
e abaixo dos
calções as pernas nuas
se rasgassem
só para o pequeno sangue,
tal o
pequeno preço que me pedes.
Atrás da
curva estavas, és, serias,
nos muros de
granito, nas amoras.
Amar-te era
lembrança e profecias,
uma porta já
feita para abrir,
e encontrar
o lar ou música lavada
onde, se
nasces, vives, duras, moras
- meu nome
exacto e pão
no chão das
alegrias.
Pedro Tamen
Posta dedicada à minha companheira, com quem casei faz hoje 40
anos
domingo, dezembro 11, 2016
Paisagens
o verão
estende a sua sombra até aos joelhos
em que a luz
se dobra: a isso chamávamos Outono
Na campânula
do nevoeiro o plátano
incendeia a
cinza: oiro e vermelho
inverosímeis
como uma tempestade
eléctrica no
écran da janela;
uma floração
delirante do olhar
afectado
pelo crepúsculo
recordado na
paixão.
Depois
a água gris
lavará tudo
excessivamente.
(poeta
eborense nascido a 11 de Dezembro de 1945)
sábado, dezembro 10, 2016
Cidade-Rapaz
quero viver
contigo
numa
cidade-rapaz
e jantar num
restaurante situado no ombro
talvez mais
tarde um passeio pelo peito
esconder-me
contigo na floresta do peito
oh mas nunca
conhecer
esse rapaz
que é cidade
nem o seu
coração que bate como trovoada
a sua
insanidade saudável
mas no final
do dia
quero
deitar-me contigo
ouvindo a
sua respiração suave
{entrando na
sua respiração aí suave}
e falar para
esta cidade
em forma de
corpo indecente
esperando
suas reacções mais espontâneas
seus sonhos
mais nefastos
e quando a
cidade acordar
fingir-nos-emos
mitológicos
como a dissolução
dos
cúmplices
e viveremos
atrás dos olhos
num
interstício da alma.
(poetisa
farense que hoje faz 32 anos)
sexta-feira, dezembro 09, 2016
Dá-me a Tua Mão
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
(poetisa brasileira de origem ucraniana, falecida a 9 de
Dezembro de 1977)
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