How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
sábado, dezembro 13, 2014
Pranto Para
Comover Jonathan
Os diamantes
são indestrutíveis?
Mais é meu
amor.
O mar é
imenso?
Meu amor é
maior,
mais belo
sem ornamentos
do que um
campo de flores.
Mais triste
do que a morte,
mais
desesperançado
do que a
onda batendo no rochedo,
mais tenaz
que o rochedo.
Ama e nem
sabe mais o que ama.
(poetisa
mineira que hoje faz 79 anos)
sexta-feira, dezembro 12, 2014
Para Ti
Foi para ti
que
desfolhei a chuva
para ti
soltei o perfume da terra
toquei no
nada
e para ti
foi tudo
Para ti
criei todas as palavras
e todas me
faltaram
no minuto em
que talhei
o sabor do
sempre
Para ti dei
voz
às minhas
mãos
abri os
gomos do tempo
assaltei o
mundo
e pensei que
tudo estava em nós
nesse doce
engano
de tudo
sermos donos
sem nada
termos
simplesmente
porque era de noite
e não
dormíamos
eu descia em
teu peito
para me
procurar
e antes que
a escuridão
nos cingisse
a cintura
ficávamos
nos olhos
vivendo de
um só
amando de
uma só vida
Mia Couto
Posta
dedicada à minha companheira, com quem casei faz hoje 38 anos
quinta-feira, dezembro 11, 2014
Havia
Séculos
Havia
séculos
e eram
florestas sobre florestas escritas.
O canto
cantava: era o incêndio do vento
folheando a
memória da terra
essa maranha de raízes aéreas que nasciam
enterrando
mais fundo
as árvores anteriores;
essa teia nocturna de troncos e lianas, de
ramos e folhas,
nervuras que
os versos enervam irrespiráveis;
esse mapa em relevo lavrado pela paciência
da luz
que
atrasando-se recorta
estas estranhas esculturas do tempo:
os poemas
selvagens
o máximo excesso
de uma rosa aquática e frágil
sempre a
nascer desfiladeiros
e falésias,
fendas, quebradas, ravinas
vulcões que
deflagram em écrans sucessivos
Havia
séculos
e o cinema
dos astros
acendia
ampolas e bagas, campânulas, cápsulas, lâmpadas;
punha em
música a infinita noite dos versos que longamente
escutam
aqueles que
muito antes ou muito depois vieram ou virão
até estes
anfiteatros que os desertos invadem.
Havia
séculos
e /
atravessando as ruínas dessa terra quente, as páginas
de água
dessa rosa alucinada / havia esse:
o comum de
nós que dos seus se dividindo, verso
a verso,
procura ainda alguém. E assim
era de novo
o início.
A grande
migração das imagens - havia séculos -
desde há
muito começara, desde sempre, já.
E sem cessar
migrávamos nós, inquietos e perdidos
sem paz e
sem lei, sem amos nem destino.
(poeta
eborense que hoje faz 69 anos)
quarta-feira, dezembro 10, 2014
terça-feira, dezembro 09, 2014
Estrela
Perigosa
Estrela
perigosa
Rosto ao
vento
Marulho e
silêncio
leve
porcelana
templo
submerso
trigo e
vinho
tristeza de
coisa vivida
árvores já
floresceram
o sal
trazido pelo vento
conhecimento
por encantação
esqueleto de
idéias
ora pro
nobis
Decompor a
luz
mistério de
estrelas
paixão pela
exatidão
caça aos
vagalumes.
Vagalume é
como orvalho
Diálogos que
disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser
venenosa como às vezes o cogumelo é.
No obscuro
erotismo de vida cheia
nodosas
raízes.
Missa negra,
feiticeiros.
Na
proximidade de fontes,
lagos e
cachoeiras
braços e
pernas e olhos,
todos mortos
se misturam e clamam por vida.
Sinto a
falta dele
como se me
faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo
alegre,
o de te
esperar.
(poetisa
brasileira de origem ucraniana, falecida a 9 de Dezembro de 1977)
segunda-feira, dezembro 08, 2014
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