quinta-feira, setembro 11, 2014

Peter Tosh faleceu faz hoje 27 anos
Richard Ashcroft faz hoje 43 anos
O outro 11 de Setembro


Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo hacerlo llama,
porque el hombre de la paz era una fortaleza.

Para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia,
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar más para seguir matando,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza.

Para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa,
una armada, una hueste, una brigada,
tuvieron que creer que era otro ejército,
pero el hombre de la paz era tan sólo un pueblo
y tenía en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios más tanques más rencores
más bombas más aviones más oprobios
porque el hombre de la paz era una fortaleza.

Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse siempre a la muerte
matar y matar más para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad,
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.

quarta-feira, setembro 10, 2014

Johnny Hickman faz hoje 58 anos
José Feliciano faz hoje 69 anos
Madrugada

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes


(poeta maranhense que hoje faz 84 anos)

terça-feira, setembro 09, 2014

Maria Rita faz hoje 37 anos
Lúcia Moniz faz hoje 38 anos
Ana Carolina faz hoje 40 anos
Otis Redding nasceu faz hoje 73 anos
Pubescência

Ei-la! Chega ao jardim, que estava triste,
Porque a sua alegria ausente estava,
E ela, que em vê-lo dantes se alegrava,
Agora a toda a tentação resiste.

Seria outra alma, pensa, que a animava?
Por que um desejo que a persegue insiste?
Qualquer cousa que ignora, mas que existe,
Pulsa-lhe ao coração que não pulsava.

Triste cismando segue, e em frente à fonte:
- Um sátiro, de cuja boca escorre
Um fino fio d'água transparente,

Ri-se dos cornos que lhe vê na fronte,
Os lábios cola aos dele, e porque morre
De sede, bebe alucinadamente...


(poeta alagoano falecido em Paris faz hoje 105 anos)

segunda-feira, setembro 08, 2014

Pink faz hoje 35 anos
Fernanda Abreu faz hoje 53 anos
Benjamin Orr faria hoje 67 anos
Não estou só

Não estou só, porque o piano invisível
Está repetindo a valsa clássica daquela noite, há muito tempo.

Não estou só, porque há palavras que foram ditas e não morreram de todo.

Não estou só, porque as amadas mortas ainda estão falando ao meu ouvido;
Mocinhas vestidas de branco das cidadezinhas tranquilas estão sorrindo para mim;
Comovendo minha estátua e o retrato em cima da mesa.

Não estou só, porque os olhos do retrato estão perdidos no passado e no presente.

A sala é pequena. O mundo parou. Tudo parou. Ainda assim não estou só,
Porque a noite chora sangue no pingo da estrela,
Parado, no rasgão da janela que dá para o mundo.


(poeta baiano nascido faz hoje 102 anos)

domingo, setembro 07, 2014

In Memoriam
António Antunes da Silva faleceu hoje aos 65 anos
Toni Garrido faz hoje 47 anos
Morris Albert faz hoje 63 anos
Os sons do ofício

É porque recolho o vário
no aviário das vértebras
e me há um silo de células
e me há um quase-aquário,
que o poema se me chega,
estuário.

Que me importa
a sina jugular das fases,
a vida conjugal das frases
e o semblante cínico
das fezes,
se não faço poemas
como quem defende teses.

Faço poemas
para que passem os dias
e pascem os rebanhos
e os oceanos pasmem
ante o naufrágio
de todas as datas
no calendário-lanho.

Ou seja, faço-os
como quem viceja
os laços do arremesso
como quem vislumbra
silêncio nos entulhos
e aprendeu a estrutura ideal
para montar barulhos
sob a língua mais banal.

Faço-os
como quem lambe oásis no planalto,
deixado pelas bases
de um simples sobressalto.

É como se o ego
coubesse inteiro
na determinação de um prego
que me fixa exílios sob a carne
mas que também aciona
os gatilhos do alarme.


(poeta goiano que hoje faria 50 anos)