How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, agosto 13, 2014
As
lavadeiras
As
lavadeiras no tanque noturno
Não
responderam ao canto da sibila.
“Lavamos os
mortos,
Lavamos o
tabuleiro das idéias antigas
E os
balaústres para repouso do mar...
Nele
encontramos restos de galeras,
Quem nos
desviará do nosso canto obscuro?
Nele
descobrimos o augusto pudor do vento,
O balanço do
corpo do pirata com argolas,
Nele
promovemos a sede do povo
E excitamos
a nossa própria sede...”
As
lavadeiras no tanque branco
Lavam o
espectro da guerra.
Os braços
das lavadeiras
No abismo
noturno
Vão e vêm.
(poeta
mineiro falecido faz hoje 39 anos)
terça-feira, agosto 12, 2014
Canção de
Agora
Ontem meu
peito chorava.
Hoje, não.
Também cansa
a desventura.
Também o sol
gasta o chão.
Estava ontem
sozinha,
tendo a meu
lado, sombria,
minha
própria companhia.
Hoje, não.
Morreu de
tanto morrer
a pena que
em mim vivia.
Morreu de
tanto esperar.
Eu não.
Relógios do
tempo andaram
marcando o
tempo em meu rosto.
A vida
perdeu seu tempo.
Eu não.
Também cansa
a desventura.
Também o sol
gasta o chão.
(poetisa
gaúcha nascida faz hoje 109 anos)
segunda-feira, agosto 11, 2014
El fervor de
admirar
El
escarabajo supone un creador
conquistador
de exactitudes
pero rendido
a la medida.
Grande es el
adorno de su caparazón,
mayor el de
su destino,
ayer larva,
anteayer huevo,
hoy
caminante coprófago.
¡Cuánto
apetito siente!
¡Con qué
gusto, de excrementos se ceba!
Desmenuzados
sábenle mejor,
porque nada
es todo.
Ahondo en la
esencia sin recelo,
con celos lo
contemplo
y se
enciende mi celo
ante un
banquete de heces.
Cada manjar
eternidad merece.
Convidada a
un ágape único
donde el que
convida inconsciente
es convite
del convidado.
Al favor de
mirar corresponde
el fervor de
admirar.
(Fernando
Arrabal faz hoje 62 anos)
domingo, agosto 10, 2014
sábado, agosto 09, 2014
Luz
Faz-se luz
pelo processo
de
eliminação de sombras
Ora as
sombras existem
as sombras
têm exaustiva vida própria
não dum e
doutro lado da luz mas do próprio seio dela
intensamente
amantes loucamente amadas
e espalham
pelo chão braços de luz cinzenta
que se
introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro
lado a sombra dita a luz
não ilumina
realmente os objectos
os objectos
vivem às escuras
numa
perpétua aurora surrealista
com a qual
não podemos contactar
senão como
amantes
de olhos
fechados
e lâmpadas
nos dedos e na boca
(Mário
Cesariny nasceu faz hoje 91 anos)
sexta-feira, agosto 08, 2014
A flor da
solidão
Vivemos
convivemos resistimos
cruzámo-nos
nas ruas sob as árvores
fizemos
porventura algum ruído
traçámos
pelo ar tímidos gestos
e no entanto
por que palavras dizer
que nosso
era um coração solitário silencioso
silencioso
profundamente silencioso
e afinal o
nosso olhar olhava
como os
olhos que olham nas florestas
No centro da
cidade tumultuosa
no ângulo
visível das múltiplas arestas
a flor da
solidão crescia dia a dia mais viçosa
Nós tínhamos
um nome para isto
mas o tempo
dos homens impiedoso
matou-nos
quem morria até aqui
E neste
coração ambicioso
sozinho como
um homem morre cristo
Que nome dar
agora ao vazio
que mana
irresistível como um rio?
Ele nasce
engrossa e vai desaguar
e entre
tantos gestos é um mar
Vivemos
convivemos resistimos
sem bem
saber que em tudo um pouco nós morremos
(poeta
riomaiorense falecido faz hoje 36 anos)
Prisão
Estou na
prisão.
Prisão é
tudo,
mesmo este
pensamento
de revolta
permanente
pois dele,
livre que
sou
me não
liberto.
Esta, porém,
é mais estreita,
feita de
muros e de grades
por homens e
para homens,
que só se
vence
pelo
desprezo vertical,
pela
teimosia vertical,
pelo amor
violento.
(Armindo
Rodrigues faleceu faz hoje 21 anos)
quinta-feira, agosto 07, 2014
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