How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
terça-feira, setembro 10, 2013
Primeiros
anos
Para uma
vida de merda
nasci em
1930
na rua dos
prazeres
Nas tábuas
velhas do assoalho
por onde me
arrastei
conheci
baratas, formigas carregando espadas
caranguejeiras
que nada me
ensinaram
exceto o
terror
Em frente ao
muro negro no quintal
as galinhas
ciscavam, o girassol
Gritava
asfixiado
longe longe
do mar
(longe do
amor)
E no entanto
o mar jazia perto
detrás de
mirantes e palmeiras
embrulhado
em seu barulho azul
E as tardes
sonoras
rolavam
sobre nossos
telhados
sobre nossas
vidas .
Do meu
quarto
ouvia o
século XX
farfalhando
nas árvores lá fora.
Depois me
suspenderam pela gola
me
esfregaram na lama
me chutaram
os colhões
e me
soltaram zonzo
em plena
capital do país
sem ter
sequer uma arma na mão.
(poeta
maranhense que hoje faz 83 anos)
segunda-feira, setembro 09, 2013
Prisioneiro
Que era um
pássaro apenas, me disseste,
Porém o nome
dele tu ignoras,
Ouviste e
ainda ouves vibrações sonoras,
Mas o doce
cantor não conheceste.
Pensas em
mim, e do tenor celeste
Escutas
enlevada as sedutoras
Canções
saudosas e comovedoras...
Que ave,
perguntas, misteriosa é esta?
Que
encantada harmonia, que doçura,
Que magoado
cantar!... A todo o instante
Ouves esta
garganta ardente e obscura.
Nunca a
verás; não queiras vê-la, não!
Deixa que o
meu amor oculto cante
N’áurea
gaiola do teu coração.
(poeta alagoano
falecido em Paris faz hoje 104 anos)
domingo, setembro 08, 2013
Uma Conversa
Solidão uma
conversa! Eu estou é no meio do mundo.
Do que serve
trancar a porta?
Do que serve
botar as mãos nos ouvidos?
Do que serve
fazer o papel de surdo que não quer ouvir?
Gritos de
homens da rua entram, apesar de tudo,
Vozes
angustiadas de mulheres perdidas entram, apesar de tudo.
Uivos de
seviciados entram, apesar de tudo.
Solidão uma
conversa! eu estou é no meio do mundo.
Os eunucos
estão fazendo flores nas torres de marfim,
Mas eu estou
é no meio do mundo.
O rumor das
ruas confunde-se ao ritmo do teclado da máquina;
Metralhadoras
escrevem poemas no teclado da máquina,
Cavalos
estão batendo as patas no teclado da máquina.
Gente
lutando,
Suando,
Amando, nas
cinco partes do mundo.
Quem pode
escrever poemas na solidão,
Se portas
trancadas nada valem
Se mãos nos
ouvidos nada valem,
Se fazer o
papel do surdo que não quer ouvir nada vele,
Se os olhos
dos moribundos ficam, do alto, iluminando as páginas,
Se mãos
alvas vêm ascender o cigarro, devagarinho,
Se o rumor
das ruas vem fazer coro ao ritmo do teclado da máquina?
Solidão uma
conversa! Eu estou é no meio do mundo...
(poeta
baiano nascido faz hoje 101 anos)
sábado, setembro 07, 2013
sexta-feira, setembro 06, 2013
Fuga
O músico
procura
Fixar em
cada verso
O cântico
disperso
Na luz, na
água e no vento.
Porém, luz,
vento e água
Variam riso
e mágoa,
De momento a
momento.
E em vão a
área dos dedos
Se eleva!
Não traduz
Os súbitos
segredos
Escondidos
no vento,
Nas águas e
na luz...
(poeta
portuense nascido faz hoje 109 anos)
quinta-feira, setembro 05, 2013
Na maré dos
teus olhos
É na maré
dos teus olhos
que eu
invento
naufrágios
de ternura
É na maré
dos teus olhos
que eu
descubro
a cor
insensata das manhãs
É na maré
dos teus olhos
que eu
assisto
ao
pôr-do-sol do meu desespero
É na maré
dos teus olhos
que eu
navego
em barcos
feitos de espuma.
(poeta
brigantino que hoje faz 50 anos)
quarta-feira, setembro 04, 2013
Explicação
da Eternidade
devagar, o
tempo transforma tudo em tempo.
o ódio
transforma-se em tempo, o amor
transforma-se
em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos
que julgámos mais profundos,
mais
impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se
devagar em tempo.
por si só, o
tempo não é nada.
a idade de
nada é nada.
a eternidade
não existe.
no entanto,
a eternidade existe.
os instantes
dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes
do teu sorriso eram eternos.
os instantes
do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna
até ao fim.
(José Luís
Peixoto faz hoje 39 anos)
Guio-me
Guio-me
Por teus
olhos abertos
Sobre a
trêmula e ardente
Superfície
das lágrimas.
De tantas
coisas
É feito o
Mundo!
Entre
escombros, espigas, dias e noites
Procuram os
homens ansiosamente
O ramo de
louro.
Quando,
fatigados,
Próximos
estão do limiar, do pórtico,
Os homens
deixam, à entrada,
Suas mais
queridas coisas.
E ei-los que
apenas se incomodam,
E se
interrogam,
Sobre o modo
mais simples
De se despir
e adormecer.
(poeta
alvitense nascido faz hoje 93 anos)
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