How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quinta-feira, março 14, 2013
Capricho
Ai! quando
Brando
Vai o vento
Lento
À lua
Nua
Perpassar
sutil;
E a estrela
Vela,
E sobr'a
linfa
A ninfa
Suspira
Mira
O divinal
perfil;
Num leito
Feito
De cheirosas
Rosas,
Risonhos
Sonhos
Sonharemos
nós;
Revoltos,
Soltos
Os cabelos
Belos,
Vivace
A face,
Tremulante a
voz
Cantos
E prantos
Que suspira
A lira,
A alfombra,
À sombra,
Encontrarei
pra ti;
Celuta,
Escuta
De meu seio
O enleio...
Vem, linda,
Ainda
Há solidões
aqui.
(poeta
baiano nascido a 14 de Março de 1847)
quarta-feira, março 13, 2013
Fartos
sorrisos
Fartos
sorrisos
Que despidas
vestes
Tentam
mostrar ao esconder
atrás de
tecidas zebras
Vultos que
apontam e disparam
Implorando a
luz
e olhos que
beijam
Ousados que
vida tiram
e o sonho
devolve
Gêmeos
sorrisos
meio
despidos
idolatrados
pedaços
de mel e
pele tecidos
(poeta montargilense
que hoje faz 35 anos)
terça-feira, março 12, 2013
segunda-feira, março 11, 2013
Solidão
Que venham
todos os pobres da Terra
os ofendidos
e humilhados
os
torturados
os loucos:
meu abraço é
cada vez mais largo
envolve-os a
todos!
Ó minha
vontade, ó meu desejo
- os pobres
e os humilhados
todos
se quedaram
de espanto!...
(A luz do
Sol beija e fecunda
mas os
místicos andaram pelos séculos
construindo
noites
geladas
solidões.)
(Manuel da
Fonseca faleceu faz hoje 20 anos)
domingo, março 10, 2013
O dom da vida
O dom da vida se imodera e precipita
com a ânsia tanta de se rever ao espelho
que denuncia o velho que me vou tornando.
Ocupo ainda o espaço que me foi dado,
descoheço os que vão chegando e já não
vejo os que ao meu lado me abandonaram.
Sou um estranho num mundo desordenado,
uma ave atrasada de seu bando, mas vivo
sem préstimo e sem comando, sem o fado
de súbito interrompido, menor ou corrido.
Ido passado que me agasta e resta, ida
aresta que me ilumina, lâmina e níquel.
Venho daquele tropel que me poupou a hora
da queda, trago a seda esvoaçante e nunca
rasgada em parte alguma, intacta figura
solitária. A lendária altura não me chamou,
o amor me doou.
(Dórdio Leal Guimarães nasceu faz hoje 75 anos)
sábado, março 09, 2013
Multiplicação
Dêem-me
minhas mãos,
que eu quero
semear a terra.
Com elas,
alumiarei o
cego,
afagarei a
face do leproso
e enxugarei
o suor do moribundo...
Violarei o
cofre do usurário
e saciarei a
fome do necessitado...
Eu quero
minhas mãos,
para aliviar
o laço do enforcado,
para guiar
os passos do ébrio,
para
estancar o sangue do esfaqueado...
Eu preciso
das minhas mãos,
para
libertar o detento,
para
socorrer o fugitivo,
para salvar
o afogado...
Dêem-me
minhas mãos,
que eu quero
colher flores,
para o leito
da noiva,
para o berço
do recém-nascido...
Eu quero
minhas mãos,
eu preciso
das minhas mãos,
para, com
elas, milagres propagar.
(poeta norte-rio-grandense nascido faz hoje 102 anos)
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