How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
sábado, maio 12, 2012
É PRECISO UM
PAÍS
Não mais
Alcácer Quibir.
É preciso
voltar a ter uma raiz
um chão para
lavrar
um chão para
florir.
É preciso um
país.
Não mais
navios a partir
para o país
da ausência.
É preciso
voltar ao ponto de partida
é preciso
ficar e descobrir
a pátria
onde foi traída
não só a
independência
mas a vida.
(Manuel
Alegre faz hoje 76 anos)
sexta-feira, maio 11, 2012
O Poeta e a
Nau
Vai errante, no Mar, uma nau sem governo...
O oceano é
chão, o céu azul fundindo em aço...
As velas
mortas... Nem sequer vento galerno
As vem
inchar para dormir no seu regaço!...
Sobre o
antigo convés pesa um velho cansaço,
E ou destino
fatal ou maldição do inferno,
O mastro
grande em vão aponta para o espaço...
- Sobre as
ondas a nau é um cárcere eterno!
Dominando em
redor, lá na gávea mais alta,
Um marujo, a
cantar, fala do Além, e exalta
Um passado
esplendor sobre a nau sepulcral...
“Porque o
vento há-de vir aninhar-se nas velas!”
“Porque a
nau voará, - tocará nas estrelas!...”
- O marujo é
Poeta - e a nau... Portugal!
(poeta
amantina nascido há 123 anos)
quinta-feira, maio 10, 2012
Ontem ao
luar
Ontem, ao
luar, nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste
o que era a dor de uma paixão.
Nada
respondi, calmo assim fiquei
Mas, fitando
o azul do azul do céu
A lua azul
eu te mostrei
Mostrando-a a
ti, dos olhos meus correr senti
Uma nívea
lágrima e, assim, te respondi
Fiquei a
sorrir por ter o prazer
De ver a
lágrima nos olhos a sofrer
A dor da
paixão não tem explicação
Como definir
o que eu só sei sentir
É mister
sofrer para se saber
O que no
peito o coração não quer dizer
Pergunta ao
luar, travesso e tão taful
De noite a
chorar na onda toda azul
Pergunta ao
luar, do mar à canção
Qual o
mistério que há na dor de uma paixão
Se tu
desejas saber o que é o amor
E sentir o
seu calor
O amaríssimo
travor do seu dulçor
Sobe um
monte à beira mar, ao luar
Ouve a onda
sobre a areia a lacrimar
Ouve o
silêncio a falar na solidão
De um calado
coração
A penar, a
derramar os prantos seus
Ouve o choro
perenal
A dor
silente, universal
E a dor
maior que a dor de Deus
Se tu queres
mais
Saber a
fonte dos meus ais
Põe o ouvido
aqui na rósea flor do coração
Ouve a
inquietação da melancória pulsação
Busca saber
qual a razão
Porque ele
vive assim tão triste a suspirar
A palpitar
em desesperação
Na queima de
amar de um insensível coração
Que a
ninguém dirá no peito ingrato em que ele está
Mas que ao
sepulcro fatalmente o levará
Catullo da
Paixão Cearense faleceu faz hoje 49 anos
Música de
Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara na voz de Marisa Monte
Artur Paredes nasceu
faz hoje 113 anos
Composição
de Artur Paredes, acompanhado por Carlos Paredes e Arménio Silva.
quarta-feira, maio 09, 2012
terça-feira, maio 08, 2012
(o vídeo é de um concerto de 1985, ano em que faleceu vítima de acidente
de viação)
O Momento
É do momento incerto
Que se fala
Não movido por horas
Ou por dias
Mas apenas e só
Do abrir e fechar
Das asas e das flores,
Do som, do tom, das cores
De tudo que se move
Neste mundo
E como um círio
Ou súbito relâmpago
Se ilumina e desfaz
Em menos dum segundo.
(poeta flaviense nascido faz hoje 99 anos)
segunda-feira, maio 07, 2012
O Céu e o Ninho
És ao mesmo tempo o céu e o ninho.
Meu belo amigo, aqui no ninho,
o teu amor prende a alma
com mil cores,
cores e músicas.
Chega a manhã,
trazendo na mão a cesta de oiro,
com a grinalda da formosura,
para coroar a terra em silêncio!
Chega a noite pelas veredas não andadas
dos prados solitários,
já abandonados pelos rebanhos!
Traz, na sua bilha de oiro,
a fresca bebida da paz,
recolhida
no mar ocidental do descanso.
Mas onde o céu infinito se abre,
para que a alma possa voar,
reina a branca claridade imaculada.
Ali não há dia nem noite,
nem forma, nem cor,
nem sequer nunca, nunca,
uma palavra!
(Tagore nasceu faz hoje 151 anos)
Tradução de Manuel Simões
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