Coisas, Pequenas Coisas
Fazer das coisas fracas um poema.
Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.
Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.
Fernando Namora, in Mar de Sargaços
How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
domingo, janeiro 31, 2010
sábado, janeiro 30, 2010
Fazer
Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas, e as que dizem que fizeram as coisas. Tente ficar no primeiro tipo. Há menos competição.
Mahatma Gandhi
Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas, e as que dizem que fizeram as coisas. Tente ficar no primeiro tipo. Há menos competição.
Mahatma Gandhi
sexta-feira, janeiro 29, 2010
O princípio do fim?
Embora Obama não seja tão pateta quanto o seu predecessor, ele não está menos desejoso de sacrificar milhares de vidas em troca de benefícios políticos.
Ray McGovern
Vindo de alguém que passou quase 30 anos nos serviços secretos dos Estados Unidos, o artigo do qual consta a afirmação merece leitura atenta.
Embora Obama não seja tão pateta quanto o seu predecessor, ele não está menos desejoso de sacrificar milhares de vidas em troca de benefícios políticos.
Ray McGovern
Vindo de alguém que passou quase 30 anos nos serviços secretos dos Estados Unidos, o artigo do qual consta a afirmação merece leitura atenta.
Liberdade
até as pedras negam
a paternidade
da terra.
no chão, não há reforma
nem raízes.
os homens fingem
acreditar em Deus,
enquanto as crianças
sonham com esfinges
e mitos,
porque adormecem com fome
quero uma enxada
e um arado,
porque onde piso
até as lágrimas
proliferam.
quero a união dos povos
e o amor de irmãos,
porque dito a paz
e não acredito em esmolas.
quero ajuda para construir,
esperança para modificar
e depois gritar:
liberdade! liberdade!
Fernando Braga*
*poeta brasileiro
até as pedras negam
a paternidade
da terra.
no chão, não há reforma
nem raízes.
os homens fingem
acreditar em Deus,
enquanto as crianças
sonham com esfinges
e mitos,
porque adormecem com fome
quero uma enxada
e um arado,
porque onde piso
até as lágrimas
proliferam.
quero a união dos povos
e o amor de irmãos,
porque dito a paz
e não acredito em esmolas.
quero ajuda para construir,
esperança para modificar
e depois gritar:
liberdade! liberdade!
Fernando Braga*
*poeta brasileiro
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Quando Fores Velha
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
William Butler Yeats
Tradução: José Agostinho Baptista
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
William Butler Yeats
Tradução: José Agostinho Baptista
quarta-feira, janeiro 27, 2010
terça-feira, janeiro 26, 2010
Lição de boas maneiras
Ao arroto mal cheiroso dado pelo incompetente Jean-Claude Trichet a propósito dos actuais problemas orçamentais da Grécia, reagiu um Prémio Nobel da Economia do outro lado do Atlântico com uma soberba lição do que deve ser uma Europa solidária com os seus pequenos e periféricos membros.
Como dizia um conhecido comentador das corridas de Fórmula 1, há curvas dos circuitos onde os homens se distinguem dos rapazes. A situação actual da Grécia, que até podia ser a nossa, é claramente uma curva onde a seriedade e argúcia do homem Joseph Stiglitz contrastam com a inépcia e incapacidade do rapaz Jean-Claude Trichet.
Ao arroto mal cheiroso dado pelo incompetente Jean-Claude Trichet a propósito dos actuais problemas orçamentais da Grécia, reagiu um Prémio Nobel da Economia do outro lado do Atlântico com uma soberba lição do que deve ser uma Europa solidária com os seus pequenos e periféricos membros.
Como dizia um conhecido comentador das corridas de Fórmula 1, há curvas dos circuitos onde os homens se distinguem dos rapazes. A situação actual da Grécia, que até podia ser a nossa, é claramente uma curva onde a seriedade e argúcia do homem Joseph Stiglitz contrastam com a inépcia e incapacidade do rapaz Jean-Claude Trichet.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
A garrafa
Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar?
Que importa o gesto que a colheu?
Que importa a mão que a tocou
- se foi a criança
ou o ladrão
ou o filósofo
quem libertou a sua mensagem
e a leu para si ou para os outros.
Que se destrua contra os recifes
ou role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei
ou jamais seja vista por olhos humanos
que importa?
... se só de atirá-la às ondas vagabundas
libertei meu destino
da sua prisão?...
Manuel Lopes*
*poeta cabo-verdiano
Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar?
Que importa o gesto que a colheu?
Que importa a mão que a tocou
- se foi a criança
ou o ladrão
ou o filósofo
quem libertou a sua mensagem
e a leu para si ou para os outros.
Que se destrua contra os recifes
ou role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei
ou jamais seja vista por olhos humanos
que importa?
... se só de atirá-la às ondas vagabundas
libertei meu destino
da sua prisão?...
Manuel Lopes*
*poeta cabo-verdiano
domingo, janeiro 24, 2010
sexta-feira, janeiro 22, 2010
O eucalipto e o Saci
Um dia fui passear
Lá no reino encantado
E em cima de um cupim
Eu vi o saci sentado
Com os olhos cheios d’água
Que há pouco tinha chorado
Então lhe perguntei
Por que estava desolado
Deu um rodamoinho
E ele me respondeu
Olha para as montanhas
Veja o que aconteceu
Plantaram uns paus compridos
Que depressa cresceram
Todos os bichos foram embora
E alguns até morreram
É o tal de eucalipto
Planta que não é daqui
Uma mata silenciosa
Que acabou com tudo ali
Os macacos foram embora
Até o mico e o sagüi
Que saudade do sabiá
Do sanhaço e do bem-te-vi
Esta planta suga a terra
As nascentes estão secando
Nossos rios caudalosos
Devagar vão se acabando
As fazendas destruídas
Pelas máquinas vão tombando
O caipira sem destino
Pra cidade está mudando
Como são 32 oitavas, façam o favor de ler as restantes aqui.
(a propósito do 4º aniversário da plantação de um eucalipto para os lados Belém)
Um dia fui passear
Lá no reino encantado
E em cima de um cupim
Eu vi o saci sentado
Com os olhos cheios d’água
Que há pouco tinha chorado
Então lhe perguntei
Por que estava desolado
Deu um rodamoinho
E ele me respondeu
Olha para as montanhas
Veja o que aconteceu
Plantaram uns paus compridos
Que depressa cresceram
Todos os bichos foram embora
E alguns até morreram
É o tal de eucalipto
Planta que não é daqui
Uma mata silenciosa
Que acabou com tudo ali
Os macacos foram embora
Até o mico e o sagüi
Que saudade do sabiá
Do sanhaço e do bem-te-vi
Esta planta suga a terra
As nascentes estão secando
Nossos rios caudalosos
Devagar vão se acabando
As fazendas destruídas
Pelas máquinas vão tombando
O caipira sem destino
Pra cidade está mudando
Como são 32 oitavas, façam o favor de ler as restantes aqui.
(a propósito do 4º aniversário da plantação de um eucalipto para os lados Belém)
Os novos cruzados
Está a causar grande celeuma a denúncia de que um fabricante de miras telescópicas, que são vendidas às centenas de milhares às forças armadas dos Estados Unidos para serem incorporadas em espingardas utilizadas no Iraque e no Afeganistão pelos militares, quer nas operações de guerra quer no treino dos exércitos e polícias locais, coloca disfarçadamente à frente do número de série referências codificadas ao Novo Testamento, o que desrespeita a Constituição do país e os Regulamentos militares.
Na imagem é visível a inscrição JN8:12, uma clara referência ao versículo 12 do capítulo 8 do Evangelho de João: “Jesus falou-lhes novamente e disse: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Mas há outras imagens com o código 2COR4:6, referência ao versículo 6 do capítulo 4 da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios: “Porque o Deus que disse: das trevas brilhe a luz, foi quem brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo”.
A notícia apareceu inicialmente em 18 de Janeiro no sítio da ABC News, por denúncia da Fundação para a Liberdade Religiosa Militar, que recebeu inúmeras queixas de militares no activo, e rapidamente se espalhou por vários jornais, incluindo os chamados “de referência”.
Apesar de o assunto ter vindo a ser comentado nos bastidores há quase 4 anos, porta-vozes do Exercito e dos Fuzileiros Navais disseram que os serviços não tinham conhecimento das inscrições. Entretanto, as forças da Nova Zelândia no Afeganistão, que utilizam o mesmo tipo de miras, já disseram que iam remover tais códigos.
Este é o tipo de gentalha que depois se queixa de que os muçulmanos são fundamentalistas e que se eriça toda quando alguém fala dos novos cruzados.
P.S. Parece que a empresa, após os veementes protestos de neozelandezes e australianos e reparos dos militares estado-unidenses, se prontificou a retirar os códigos. A notícia pode ser lida no sítio da FLRM.
Está a causar grande celeuma a denúncia de que um fabricante de miras telescópicas, que são vendidas às centenas de milhares às forças armadas dos Estados Unidos para serem incorporadas em espingardas utilizadas no Iraque e no Afeganistão pelos militares, quer nas operações de guerra quer no treino dos exércitos e polícias locais, coloca disfarçadamente à frente do número de série referências codificadas ao Novo Testamento, o que desrespeita a Constituição do país e os Regulamentos militares.
Na imagem é visível a inscrição JN8:12, uma clara referência ao versículo 12 do capítulo 8 do Evangelho de João: “Jesus falou-lhes novamente e disse: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Mas há outras imagens com o código 2COR4:6, referência ao versículo 6 do capítulo 4 da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios: “Porque o Deus que disse: das trevas brilhe a luz, foi quem brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo”.
A notícia apareceu inicialmente em 18 de Janeiro no sítio da ABC News, por denúncia da Fundação para a Liberdade Religiosa Militar, que recebeu inúmeras queixas de militares no activo, e rapidamente se espalhou por vários jornais, incluindo os chamados “de referência”.
Apesar de o assunto ter vindo a ser comentado nos bastidores há quase 4 anos, porta-vozes do Exercito e dos Fuzileiros Navais disseram que os serviços não tinham conhecimento das inscrições. Entretanto, as forças da Nova Zelândia no Afeganistão, que utilizam o mesmo tipo de miras, já disseram que iam remover tais códigos.
Este é o tipo de gentalha que depois se queixa de que os muçulmanos são fundamentalistas e que se eriça toda quando alguém fala dos novos cruzados.
P.S. Parece que a empresa, após os veementes protestos de neozelandezes e australianos e reparos dos militares estado-unidenses, se prontificou a retirar os códigos. A notícia pode ser lida no sítio da FLRM.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Filha roubada
Mais uma história de arrepiar, numa reportagem do jornalista José Ramos e Ramos no programa Linha da Frente de ontem, na RTP1, cerca das 21 horas, posta corajosamente no ar mesmo perante as ameaças recebidas.
Maria é o nome da criança de 8 anos que, há 7 meses, foi retirada à mãe sob pretexto de sofrer de um desequilíbrio psíquico (síndrome de alienação parental) da qual nem a Organização Mundial de Saúde nem a Associação Americana de Psiquiatria reconhecem a existência.
Pelo que se vi e ouviu, os pais da criança divorciaram-se há alguns anos, tendo a criança ficado à guarda da mãe. Mas, com o tempo, Maria recusou-se peremptoriamente a visitar o pai e, vai daí, um juiz de 30 anos, com “larga experiência” em assuntos de crianças, decidiu interná-la compulsivamente numa instituição dirigida por uma seita religiosa do mais troglodita que existe (mas mesmo que não o fosse, o problema persistia), sem sequer autorizar que se despedisse da mãe e de outros familiares.
Que sim, afirmou um psicólogo que viu a Maria a pedido do pai, a criança sofria do tal desequilíbrio, mas ele não foi ouvido sobre o seu internamento e considerava um perfeito disparate que o juiz a tivesse retirado à mãe. Outros especialistas mais maduros, quer da área da medicina quer da área do direito, zurziram a bom zurzir no juiz inimputável.
As visitas da mãe são limitadas a uma hora, sempre na presença de alguém da instituição, só foi autorizada a levar um brinquedo e não pode tirar fotografias à filha. As crianças são periodicamente enfiadas numa carrinha para se deslocarem ao serviço religioso e saem da carrinha sem o apoio de qualquer adulto.
Tudo em defesa dos “superiores interesses da criança” um chavão que alguém inventou para classificar o inclassificável. Talvez quem o cunhou e o tal juiz nunca tenham sido crianças, quem sabe. Entretanto o avô chora, a mãe (professora) desfaz-se em lágrimas e vive em desespero, enquanto se perpetua a injustiça em nome da justiça.
Para quem não viu, vale a pena ouvir e ver.
Mais uma história de arrepiar, numa reportagem do jornalista José Ramos e Ramos no programa Linha da Frente de ontem, na RTP1, cerca das 21 horas, posta corajosamente no ar mesmo perante as ameaças recebidas.
Maria é o nome da criança de 8 anos que, há 7 meses, foi retirada à mãe sob pretexto de sofrer de um desequilíbrio psíquico (síndrome de alienação parental) da qual nem a Organização Mundial de Saúde nem a Associação Americana de Psiquiatria reconhecem a existência.
Pelo que se vi e ouviu, os pais da criança divorciaram-se há alguns anos, tendo a criança ficado à guarda da mãe. Mas, com o tempo, Maria recusou-se peremptoriamente a visitar o pai e, vai daí, um juiz de 30 anos, com “larga experiência” em assuntos de crianças, decidiu interná-la compulsivamente numa instituição dirigida por uma seita religiosa do mais troglodita que existe (mas mesmo que não o fosse, o problema persistia), sem sequer autorizar que se despedisse da mãe e de outros familiares.
Que sim, afirmou um psicólogo que viu a Maria a pedido do pai, a criança sofria do tal desequilíbrio, mas ele não foi ouvido sobre o seu internamento e considerava um perfeito disparate que o juiz a tivesse retirado à mãe. Outros especialistas mais maduros, quer da área da medicina quer da área do direito, zurziram a bom zurzir no juiz inimputável.
As visitas da mãe são limitadas a uma hora, sempre na presença de alguém da instituição, só foi autorizada a levar um brinquedo e não pode tirar fotografias à filha. As crianças são periodicamente enfiadas numa carrinha para se deslocarem ao serviço religioso e saem da carrinha sem o apoio de qualquer adulto.
Tudo em defesa dos “superiores interesses da criança” um chavão que alguém inventou para classificar o inclassificável. Talvez quem o cunhou e o tal juiz nunca tenham sido crianças, quem sabe. Entretanto o avô chora, a mãe (professora) desfaz-se em lágrimas e vive em desespero, enquanto se perpetua a injustiça em nome da justiça.
Para quem não viu, vale a pena ouvir e ver.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Eles estão de volta
Santiago do Chile: os apoiantes de Sebastian Piñera comemoram a vitória do seu candidato erguendo bem alto um busto do ditador Augusto Pinochet. A imagem não surpreende quem sabe que o multimilionário está rodeado dos ideólogos da ditadura, dos mentores do descalabro económico da mesma e dos torcionários que ainda pululam pelo país. Mau sinal e um alerta para a América Latina, depois do golpe nas Honduras, das bases estado-unidenses na Colômbia e no Panamá, dos ataques à Venezuela, dos confrontos entre o poder político e o poder económico na Argentina e dos crescentes perigos de golpe no Paraguai. Evidentemente, a CIA não tem nada a ver com todos estes acontecimentos.
Fotografia: Jorge Saenz/AP
Santiago do Chile: os apoiantes de Sebastian Piñera comemoram a vitória do seu candidato erguendo bem alto um busto do ditador Augusto Pinochet. A imagem não surpreende quem sabe que o multimilionário está rodeado dos ideólogos da ditadura, dos mentores do descalabro económico da mesma e dos torcionários que ainda pululam pelo país. Mau sinal e um alerta para a América Latina, depois do golpe nas Honduras, das bases estado-unidenses na Colômbia e no Panamá, dos ataques à Venezuela, dos confrontos entre o poder político e o poder económico na Argentina e dos crescentes perigos de golpe no Paraguai. Evidentemente, a CIA não tem nada a ver com todos estes acontecimentos.
Fotografia: Jorge Saenz/AP
terça-feira, janeiro 19, 2010
Quarto interior
Na cómoda algumas gavetas
com os caprichosos guinchos da madeira
não só entoavam sons como aspergiam
o ar de antiquíssima alfazema.
Moviam-se devagar para o regaço,
aceitavam escassamente a luz,
gemiam até estancarem
abertas e exalarem
por fim a plena
onda de aroma.
Fiama Hasse Pais Brandão
Na cómoda algumas gavetas
com os caprichosos guinchos da madeira
não só entoavam sons como aspergiam
o ar de antiquíssima alfazema.
Moviam-se devagar para o regaço,
aceitavam escassamente a luz,
gemiam até estancarem
abertas e exalarem
por fim a plena
onda de aroma.
Fiama Hasse Pais Brandão
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