Machado de Assis
E eu acrescento que, se o ridículo matasse, hoje as bandeiras portuguesas estariam a meia haste e teríamos um Presidente interino.
How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, setembro 30, 2009
terça-feira, setembro 29, 2009
segunda-feira, setembro 28, 2009
sábado, setembro 26, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
A arma
O voto é a minha única arma e vou usá-la mais uma vez nas eleições do próximo Domingo.
Creio que a maioria dos amigos - elas e eles - que me visitam não têm dúvidas sobre o meu perfil de esquerda, mas sempre acrescento que nunca fui no apelo do voto útil e continuo a não ir, nem contra nem a favor, e a prestação dos eleitos com a ajuda do meu voto (e da minha companheira, penso) não me tem feito sentir que os nossos votos sejam um desperdício, muito pelo contrário.
Não tenho ambições de ser presidente de uma eléctrica espanhola, deputado europeu ou gerente de uma editora com nome esquisito mas, mesmo que as tivesse, prefiro, quando morrer, ir deitado de costas num caixão normal, em vez de ir deitado de lado num caixão em forma de meia lua feito por encomenda.
Como sou contestatário por natureza, há muitas coisas com que não concordo nas prestações parlamentares e nas propostas daqueles que vão receber os nossos votos; mas aquilo que nos aproxima ultrapassa largamente aquilo que nos separa.
Posso ser considerado burro, mas não me importo de ser burro ao lado (embora num plano muito inferior) do Zé Carlos, do Zé Gomes Ferreira, do Manuel da Fonseca, do Armindo Rodrigues, do Adriano e de tantos outros, presentes ou, infelizmente, já ausentes.
O voto é a minha única arma e vou usá-la mais uma vez nas eleições do próximo Domingo.
Creio que a maioria dos amigos - elas e eles - que me visitam não têm dúvidas sobre o meu perfil de esquerda, mas sempre acrescento que nunca fui no apelo do voto útil e continuo a não ir, nem contra nem a favor, e a prestação dos eleitos com a ajuda do meu voto (e da minha companheira, penso) não me tem feito sentir que os nossos votos sejam um desperdício, muito pelo contrário.
Não tenho ambições de ser presidente de uma eléctrica espanhola, deputado europeu ou gerente de uma editora com nome esquisito mas, mesmo que as tivesse, prefiro, quando morrer, ir deitado de costas num caixão normal, em vez de ir deitado de lado num caixão em forma de meia lua feito por encomenda.
Como sou contestatário por natureza, há muitas coisas com que não concordo nas prestações parlamentares e nas propostas daqueles que vão receber os nossos votos; mas aquilo que nos aproxima ultrapassa largamente aquilo que nos separa.
Posso ser considerado burro, mas não me importo de ser burro ao lado (embora num plano muito inferior) do Zé Carlos, do Zé Gomes Ferreira, do Manuel da Fonseca, do Armindo Rodrigues, do Adriano e de tantos outros, presentes ou, infelizmente, já ausentes.
quinta-feira, setembro 24, 2009
As Armadilhas do Passado
Estudemos as coisas que já não existem. É necessário conhecê-las, ainda que não seja senão para as evitar. As contrafacções do passado tomam nomes falsos e gostam de chamar-se o futuro. Esta alma do outro mundo, o passado, é atreita a falsificar o seu passaporte. Precatemo-nos contra o laço, desconfiemos dela. O passado tem um rosto, que é a superstição, e uma máscara, que é a hipocrisia. Denunciemos-lhe o rosto e arranquemos-lhe a máscara.
Victor Hugo, in Os Miseráveis
quarta-feira, setembro 23, 2009
Velho Cego, Choravas
Velho cego, choravas quando a tua vida
era boa, e tinhas em teus olhos o sol:
mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas,
o que é que esperas, cego, que esperas da dor?
No teu canto pareces um menino que nascera
sem pés para a terra e sem olhos para o mar
como os das bestas que por dentro da noite cega
- sem dia ou crepúsculo - se cansam de esperar.
Porque se conheces o caminho que leva
em dois ou três minutos até à vida nova,
velho cego, que esperas, que podes esperar?
Se pela mais torpe amargura do destino,
animal velho e cego, não sabes o caminho,
eu que tenho dois olhos to posso ensinar.
Pablo Neruda, in Crepusculário
(Tradução de Rui Lage)
terça-feira, setembro 22, 2009
segunda-feira, setembro 21, 2009
Os Juízos Ligeiros da Imprensa
Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e já irradicável hábito dos juízos ligeiros. Em todos os séculos se improvisaram estouvadamente opiniões: em nenhum, porém, como no nosso, essa improvisação impudente se tornou a operação corrente e natural do entendimento. Com excepção de alguns filósofos mais metódicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente do penoso trabalho de reflectir. É com impressões que formamos as nossas conclusões. Para louvar ou condenar em política o facto mais complexo, e onde entrem factores múltiplos que mais necessitem de análise, nós largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo ondeante do charuto.
O método do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, é o que adoptamos, com magnífica inconsciência, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que esplêndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: «É uma besta! É um maroto!» Para exclamar: «É um génio!» ou «É um santo!», oferecemos naturalmente mais resistência. Mas ainda assim, quando uma boa digestão e um fígado livre nos inclinam à benevolência risonha, também concedemos prontamente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa de louros ou a auréola de luz.
Eça de Queirós, in Cartas de Paris
domingo, setembro 20, 2009
VERDADEIRAMENTE
Contra o cidadão,
o pior dos males é a violência.
A pior violência, a mentira.
A pior mentira, a mentira política
- pois dela derivam todos
os outros males e mentiras.
Sei, bem sei, que se mente
até involuntariamente
inocentemente
inconscientemente.
Mente-se religiosamente.
Mente-se jornalisticamente.
Mas, principalmente, mente-se
politicamente
e, politicamente, mente-se
freqüentemente.
E porque mente assim assiduamente,
já não mente o político sorrateiramente,
“respeitosamente”:
ele mente deslavadamente
descaradamente
de-sa-ver-go-nha-da/mente.
E por mentir - politicamente -
tão repetidamente,
tão constantemente,
o político mente... impunemente.
E porque se mente - especialmente politicamente -
tão impunemente,
chegamos à conclusão de que
- paradoxalmente -
já não vivemos em um País de mentira:
vivemos em um País... demente.
Cidadão,
chegou a hora da verdade.
Ao votar na eleição,
não minta para você mesmo.
Vote com consciência.
Vote verdadeiramente.
Vote como quem dá uma porrada.
Pois pelo jeito, só assim, um dia,
toda mentira será castigada.
Edmilson Sanches*
*poeta brasileiro
sexta-feira, setembro 18, 2009
Questões de deontologia
No mesmo dia (ontem) em que o futuro ex-director do jornal do cavaquismo e ponta de lança da AIPAC em Portugal escrevia que o relatório da Comissão da ONU sobre os crimes de guerra cometidos pelos sionistas em Gaza não tinha credibilidade e que Israel tinha toda a razão em contestá-lo, o conceituado jornalista judeu Gideon Levy escrevia no jornal israelita Haaretz acerca do Juiz Richard Goldstone, líder da Comissão : ninguém pode seriamente dizer que Goldstone, um activo e ardente sionista, com profundas ligações a Israel, é um anti-semita. Isso seria ridículo.
A sorte de JMF é que o ridículo não mata porque, se o fizesse, era caso para dizer que tem mais vidas do que um gato. Mas hoje acabou por quase cometer um suicídio em pelota quando, depois de ter sido totalmente despido de credibilidade pelas revelações do DN sobre as pretensas escutas a Belém, veio acusar o SIS e dizer que aquele jornal infringiu a deontologia profissional.
Nos idos de 74/75 um grande crítico de televisão, infelizmente há muito desaparecido, baptizou de “vómito cor de rosa” um jornal impresso nessa cor que, tendo sido uma importante arma de combate à ditadura, se transformou, depois de Abril, num jornaleco tomado de assalto pelos arautos da “revolução a todo o vapor”. Se fosse vivo, o que chamaria Mário Castrim ao Público de hoje? Creio que “vómito cor de laranja” seria a escolha mais plausível.
quinta-feira, setembro 17, 2009
O manicómio
Parece que anda tudo doido.
O feirante quer ser primeiro ministro e afirma-se pronto para governar o país, supõe-se que com a filha do almirante como ministra do mar, o lampião Félix como ministro das finanças, a Seabra (MJ) como ministra da educação e o Casqueiro como ministro dos micro empresários e da extracção de sal em Rio Maior.
A dama do antigamente, émula entusiasta do arremedo de democracia jardinista, vive no tempo dos Filipes, insulta os espanhóis e acirra-lhes os ânimos do PNR (a ver se eles fecham mais um bocadinho a torneira dos rios partilhados) e despreza os emigrantes, pelo menos os cabo-verdianos e os ucranianos.
Parafraseando o José Régio, não sei quem deve governar, só sei que estes dois, não! Chegou-nos um Tenreiro e um botas. Como escreveu o BB, esta senhora não serve para nos governar. E este senhor também não, acrescento eu.
quarta-feira, setembro 16, 2009
O último poema
Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil,
quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Só aqui dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.
Quanta humanidade,
com fome, frio, pânico, dor
pressão moral, terror e loucura!
Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra a parede,
mas todos com o olhar fixo da morte.
Que espanto causa o rosto do fascismo!
Levam a cabo os seus planos com precisão fantástica,
sem que nada lhes importe.
O sangue, para eles, são medalhas.
A matança é acto de heroísmo.
É este o mundo que criaste, meu Deus?
Para isso os teus sete dias de assombro e trabalho?
Nestas quatro muralhas só existe um número
que não cresce
e que lentamente quererá mais a morte.
Mas prontamente me golpeia a consciência
e vejo esta maré sem pulsar,
mas com o pulsar das máquinas
e os militares mostrando seu rosto de matrona,
cheio de doçura.
E o México, Cuba e o mundo?
Que gritem esta ignomínia!
Somos dez mil mãos a menos
que não produzem.
Quantos somos em toda a pátria?
O sangue do companheiro Presidente
golpeia mais forte que bombas e metralhas.
Assim o nosso punho golpeará novamente.
Como me sai mal o canto
quando tenho de cantar o espanto!
Espanto como o que vivo
como o que morro, espanto.
De ver-me entre tantos e tantos
momentos do infinito
em que o silêncio e o grito
são as metas deste canto.
O que vejo nunca vi,
O que tenho sentido e o que sinto
Fará brotar o momento...”
Victor Jara (Estádio de Santiago do Chile, 1973)
Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil,
quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Só aqui dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.
Quanta humanidade,
com fome, frio, pânico, dor
pressão moral, terror e loucura!
Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra a parede,
mas todos com o olhar fixo da morte.
Que espanto causa o rosto do fascismo!
Levam a cabo os seus planos com precisão fantástica,
sem que nada lhes importe.
O sangue, para eles, são medalhas.
A matança é acto de heroísmo.
É este o mundo que criaste, meu Deus?
Para isso os teus sete dias de assombro e trabalho?
Nestas quatro muralhas só existe um número
que não cresce
e que lentamente quererá mais a morte.
Mas prontamente me golpeia a consciência
e vejo esta maré sem pulsar,
mas com o pulsar das máquinas
e os militares mostrando seu rosto de matrona,
cheio de doçura.
E o México, Cuba e o mundo?
Que gritem esta ignomínia!
Somos dez mil mãos a menos
que não produzem.
Quantos somos em toda a pátria?
O sangue do companheiro Presidente
golpeia mais forte que bombas e metralhas.
Assim o nosso punho golpeará novamente.
Como me sai mal o canto
quando tenho de cantar o espanto!
Espanto como o que vivo
como o que morro, espanto.
De ver-me entre tantos e tantos
momentos do infinito
em que o silêncio e o grito
são as metas deste canto.
O que vejo nunca vi,
O que tenho sentido e o que sinto
Fará brotar o momento...”
Victor Jara (Estádio de Santiago do Chile, 1973)
terça-feira, setembro 15, 2009
A password
Uma engenheira informática estava a ajudar um colega da empresa a configurar o computador e perguntou-lhe que password ele queria utilizar. O homem, tentando atrapalha-la, disse pénis.
Ela, sem dizer uma palavra e sem se rir, introduziu a password. Quase que morria de riso quando o computador deu a resposta:
PASSWORD REJEITADA: TAMANHO INSUFICIENTE
segunda-feira, setembro 14, 2009
Não Te Rendas Jamais
Procura acrescentar um côvado
à tua altura. Que o mundo está
à míngua de valores
e um homem de estatura justifica
a existência de um milhão de pigmeus
a navegar na rota previsível
entre a impostura e a mesquinhez
dos filisteus. Ergue-te desse oceano
que dócil se derrama sobre a areia
e busca as profundezas, o tumulto
do sangue a irromper na veia
contra os diques do cinismo
e os rochedos de torpezas
que as nações antepõem a seus rebeldes.
Não te rendas jamais, nunca te entregues,
foge das redes, expande teu destino.
E caso fiques tão só que nem mesmo um cão
venha te lamber a mão,
atira-te contra as escarpas
de tua angústia e explode
em grito, em raiva, em pranto.
Porque desse teu gesto
há de nascer o Espanto.
Eduardo Alves da Costa *
*poeta carioca
Subscrever:
Mensagens (Atom)

