How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
segunda-feira, setembro 14, 2015
vice-versa
tenho medo
de te ver
necessidade
de te ver
esperança de
te ver
ansiedade de
te ver
tenho
vontade de te encontrar
preocupação
de te encontrar
certeza de
te encontrar
escassas
dúvidas de te encontrar
tenho
urgência de te ouvir
alegria de
te ouvir
boa sorte de
te ouvir
e temores de
te ouvir
ou seja
resumindo
estou fodido
e radiante
talvez mais
o primeiro
do que o
segundo
e também
vice-versa.
(poeta
uruguaio nascido faz hoje 95 anos)
domingo, setembro 13, 2015
Auto-retrato
Espáduas
brancas palpitantes:
asas no
exílio dum corpo.
Os braços
calhas cintilantes
para o
comboio da alma.
E os olhos
emigrantes
no navio da
pálpebra
encalhado em
renúncia ou cobardia.
Por vezes
fêmea. Por vezes monja.
Conforme a
noite. Conforme o dia.
Molusco.
Esponja
embebida num
filtro de magia.
Aranha de
ouro
presa na
teia dos seus ardis.
E aos pés um
coração de louça
quebrado em
jogos infantis.
(Natália
Correia nasceu faz hoje 92 anos)
sábado, setembro 12, 2015
Matriz
Sou uma
matriz de palavras...
Desço mansa
e clara
De fontes
cristalinas.
Sou pólen
das flores,
Absorvida
pelas borboletas,
E doces
colibris.
Sou o
espinho da rosa cálida,
O vento
suave da primavera,
Um
caminhante em busca de estradas.
Faço amor
com as palavras
E as fecundo
em folhas brancas.
(poetisa sul-mato-grossense
que hoje faz 65 anos)
sexta-feira, setembro 11, 2015
Nihil
Homem!
Homem! Mendigo do Infinito!
Abres a boca
e estendes os teus braços
A ver se os
astros caem dos espaços
A encher o
vácuo imenso do finito!
Porque sobes
à rocha de granito?
Porque é que
dás no ar tantos abraços?
E cuidas
amarrar com férreos laços
Um reflexo
da sombra de um esp’rito?
Vê que o
céu, por escárnio, a luz nos lança!
Que, à tua
voz, a voz da imensidão
Responde com
imensa gargalhada!
A ideia
fechou a porta à esp’rança
Quando lhe
foi pedir gasalho e pão...
Deixou-a
cara a cara com o Nada!...
(Antero de
Quental faleceu a 11 de Setembro de 1891)
quinta-feira, setembro 10, 2015
Não há vagas
O preço do
feijão
não cabe no
poema. O preço
do arroz
não cabe no
poema.
Não cabem no
poema o gás
a luz o
telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O
funcionário público
não cabe no
poema
com seu
salário de fome
sua vida
fechada
em arquivos.
Como não
cabe no poema
o operário
que esmerila
seu dia de aço
e carvão
nas oficinas
escuras
- porque o
poema, senhores,
está
fechado:
“não há
vagas”
Só cabe no
poema
o homem sem
estômago
a mulher de
nuvens
a fruta sem
preço
O poema,
senhores,
não fede
nem cheira
(poeta
maranhense que hoje faz 85 anos)
quarta-feira, setembro 09, 2015
terça-feira, setembro 08, 2015
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