How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, julho 08, 2015
terça-feira, julho 07, 2015
A Benção da
Locomotiva
A obra está
completa. A máquina flameja,
Desenrolando
o fumo em ondas pelo ar.
Mas, antes
de partir mandem chamar a Igreja,
Que é
preciso que um bispo a venha baptizar.
Como ela é
concerteza o fruto de Caím,
A filha da
razão, da independência humana,
Botem-lhe na
fornalha uns trechos em latim,
E
convertam-na à fé Católica Romana.
Devem nela
existir diabólicos pecados,
Porque é
feita de cobre e ferro; e estes metais
Saem da
natureza, ímpios, excomungados,
Como saímos
nós dos ventres maternais!
Vamos,
esconjurai-lhes o demo que ela encerra,
Extraí a
heresia ao aço lampejante!
Ela acaba de
vir das forjas d'Inglaterra,
E há-de ser
com certeza um pouco protestante.
Para que o
monstro corra em férvido galope,
Como um
sonho febril, num doido turbilhão,
Além do
maquinista é necessário o hissope,
E muita
teologia... além de algum carvão.
Atirem-lhe
uma hóstia à boca fumarenta,
Preguem-lhe
alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
E lancem na
caldeira um jorro d'água benta,
Que com água
do céu talvez não possa andar.
(Guerra
Junqueiro faleceu faz hoje 92 anos)
segunda-feira, julho 06, 2015
Piolhoso
país
Piolhoso
país em que nasci,
Coio de
inchados zeros vencedores,
de medíocres
maus, de furta-cores,
de lázaros,
de cães sem pedigree!
Sarcástica,
de gozo, a gente ri.
São os
péssimos tidos por melhores.
Pisam,
brutais, angústia, pena, dores:
Ah! se os
compreendo! Ah! se os compreendi!
São arrobas
de sebo e cornadura,
Fornecedores
de fábricas de pentes,
E de soro,
também, contra as bexigas.
São
deputados, directores-gerais,
Governadores,
ministros, generais,
Sem que
passem de tímidas lombrigas.
(escritor
bracarense nascido a 6 de Julho de 1902)
domingo, julho 05, 2015
sábado, julho 04, 2015
PERMANÊNCIA
Não peçam
aos poetas um caminho. O poeta
não sabe
nada de geografia celestial.
Anda aos
encontrões da realidade
sem acertar
o tempo com o espaço.
Os relógios
e as fronteiras não tem
tradução na
sua língua. Falta-lhe
o amor da
convenção em que nas outras
as palavras
fingem de certezas.
O poeta lê
apenas os sinais
da terra.
Seus passos cobrem
apenas
distâncias de amor e
de presença.
Sabe
apenas
inúteis palavras de consolo
e mágoa pelo
inútil. Conhece
apenas do
tempo o já perdido; do amor
a câmara
escura sem revelações; do espaço
o silêncio
de um vôo pairando
em toda a
parte.
Cego entre
as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
- morto
redivivo.
Tudo é
simples para quem
adia sempre
o momento
de olhar de
frente a ameaça
de quanto
não tem resposta.
Tudo é nada
para quem
descreu de
si e do mundo
e de olhos
cegos vai dizendo:
Não há o que
não entendo.
(poeta
portuense nascido faz hoje 107 anos)
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