How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
terça-feira, agosto 19, 2014
Valsa nos
ramos
Caiu uma
folha.
E duas.
E três.
Na lua
nadava um peixe.
A água dorme
uma hora
e o mar
branco dorme cem.
A dama
estava morta
na rama.
A monja
cantava
dentro da toronja.
A menina
pelo pinho
ia até à pinha.
E o pinho
buscava a
plúmula do trino.
Mas o
rouxinol
chorava suas
feridas em redor do sol.
E eu também
porque caiu
uma folha
e duas
e três.
E uma cabeça
de cristal
e um violino
de papel.
E a neve
poderia com o mundo,
se a neve
dormisse todo o mês,
e os ramos
lutavam com o mundo,
um a um,
dois a dois
três a três.
Oh duro
marfim de carnes invisíveis!
Oh golfo sem
formigas ao amanhecer!
Chegará um
torso de sombra
coroado de
louros.
Será o céu
para o vento
duro como
uma parede
e os ramos
arrancados
irão dançar
com ele.
Um a um
em volta da
lua,
dois a dois
em volta do
sol,
e três a
três
para que os
marfins adormeçam bem.
(poeta
andaluz assassinado faz hoje 78 anos)
segunda-feira, agosto 18, 2014
domingo, agosto 17, 2014
Ausência
Por muito
tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava,
ignorante, a falta.
Hoje não a
lastimo.
Não há falta
na ausência.
A ausência é
um estar em mim.
E sinto-a,
branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e
danço e invento exclamações alegres,
porque a
ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a
rouba mais de mim.
(Carlos
Drummond de Andrade faleceu faz hoje 27 anos)
História de
amor num bar
te olho
e me encolho
duvido
e nem sou
atrevido
música
estúpida
te quero
e me
desespero
vou
ao teu vôo?
ou danço
e descanso?
lento,
eu tento?
ou esqueço?
(não te
mereço...)
tu me
sorris...
eu, por um
triz...
coragem!
meus pés
agem...
de estáticos
a rápidos
tu chegas
e não me
renegas
dizes sim
só pra mim
belo clima!
tudo em
cima!
plenilúnio!
tu corpo,
meu punho!
te abraço...
e desfaço
te amo
e desamo...
um beijo
e te
deixo...
(escritor
carioca que hoje faz 38 anos)
sábado, agosto 16, 2014
sexta-feira, agosto 15, 2014
A porta
branca
Por detrás
desta porta,
uma de todas
as portas que para mim se abrem e se fecham,
estou eu ou
o universo que eu penso.
Deste meu
lado, dois olhos que vigiam
os fenómenos
naturais, incluindo a celeste mecânica
e as
sociedades humanas, sedentárias e transumantes.
Mas podem os
olhos fazer a sua enumeração,
e pode o
pensado universo infindamente ir-se,
que para mim
o que hoje importa
é aquela
olhada vaga porta.
Que ela seja
só como a vejo, a porta branca,
com duas
almofadas em recorte,
lançada
devagar sobre o vão do jardim,
onde o gato,
por uma fenda aberta
pela sua
pata, tenta ver-me,
tão alheio a
versos e a universos.
(Fiama Hasse
Pais Brandão nasceu faz hoje 86 anos)
quinta-feira, agosto 14, 2014
Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
(Bertold Brecht faleceu faz hoje 58 anos)
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