How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
terça-feira, setembro 17, 2013
Pérola solta
Sem que eu a
esperasse,
Rolou aquela
lágrima
No frio e na
aridez da minha face.
Rolou
devagarinho...,
Até à minha
boca abriu caminho.
Sede! o que
eu tenho é sede!
Recolhi-a
nos lábios e bebi-a.
Como numa
parede
Rejuvenesce
a flor que a manhã orvalhou,
Na boca me
cantou,
Breve como
essa lágrima,
Esta breve
elegia
(José Régio
nasceu faz hoje 112 anos)
segunda-feira, setembro 16, 2013
Da
Felicidade
Estes
tratados de
filosofia
Hão de pouco
valer-te, meu amigo.
Enganador é
o
mundo... Na
verdade,
Feliz é o
que, semeando o próprio trigo,
Confia no
ouro de
futuras messes.
Na vã
procura da felicidade,
Constrói, tu
próprio, uma
filosofia
Diferente
das outras que conheces...
Enrique de Resende
(poeta
mineiro falecido faz hoje 40 anos)
domingo, setembro 15, 2013
Canção da
Falsa Adormecida
Se te pareço
ausente, não creias:
Hora a hora
o meu amor agarra-se aos teus braços,
Hora a hora
o meu desejo revolve estes escombros
E escorrem
dos meus olhos mais promessas.
Não
acredites neste breve sono;
Não dês
valor maior ao meu silêncio;
E se leres
recados numa folha branca,
Não creias
também: é preciso encostar
Teus lábios
em meus lábios para ouvir.
Nem
acredites se pensas que te falo:
Palavras
São o meu
jeito mais secreto de calar.
(poetisa
gaúcha que hoje faz 75 anos)
sábado, setembro 14, 2013
Não te
rendas
Não te
rendas, ainda estás a tempo
De alcançar
e começar de novo,
Aceitar as
tuas sombras,
Enterrar os
teus medos,
Libertar o
lastro,
Retomar o
voo.
Não te
rendas que a vida é isso,
Continuar a
viagem
Perseguir os
teus sonhos,
Destravar o
tempo,
Remover os
escombros,
e destapar o
céu.
Não te
rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o
frio queime,
Mesmo que o
medo morda,
Mesmo que o
sol se esconda,
E se cale o
vento,
Ainda há
fogo na tua alma
Ainda há
vida nos teus sonhos.
Porque a
vida é tua e teu também o desejo
Porque o
quiseste e porque eu te quero
Porque
existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não
há feridas que não cure o tempo.
Abrir as
portas,
Tirar os
ferrolhos,
Abandonar as
muralhas que te protegeram,
Viver a vida
e aceitar o repto,
Recuperar o
riso,
Ensaiar um
canto,
Baixar a
guarda e estender as mãos
Abrir as
asas
E tentar de
novo,
Celebrar a
vida e retomar os céus.
Não te
rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o
frio queime,
Mesmo que o
medo morda,
Mesmo que o
sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há
fogo na tua alma,
Ainda há
vida nos teus sonhos
Porque cada
dia é um começo novo,
Porque esta
é a hora e o melhor momento.
Porque não
estás só, porque eu te amo.
(poeta
uruguaio nascido faz hoje 93 anos)
sexta-feira, setembro 13, 2013
O Encontro
Como se um
raio mordesse
meu corpo
pêro rosado
e o namorado
viesse
ou em vez do
namorado
um novilho
atravessasse
meus flancos
de seda branca
e o trajecto
me deixasse
uma açucena
na anca
como se eu
apenas fosse
o efeito de
um feitiço
um astro me
desse um couce
e eu não
sofresse com isso
como se eu
já existisse
antes do sol
e da lua
e se a morte
me despisse
eu não me
sentisse nua
como se deus
cá em baixo
fosse um
cigano moreno
como se deus
fosse macho
e as minhas
coxas de feno
como se
alguém dos espaços
me desse o
nome de flor
ou me
deixasse nos braços
este
cordeiro de amor
(Natália
Correia nasceu faz hoje 90 anos)
quinta-feira, setembro 12, 2013
Incertezas
Já não há
tempo para perguntas.
A vida é um
mistério.
Só vemos um
lado do espelho.
Já nem sei
se foi vida
a longa
espera.
E as lindas
lembranças
não se
tornam reais.
Já não
aguento a incerteza.
Claudicas.
Ora sim...
Ora olhas ao longe.
És um verso
que não atravessa
mares
distantes.
Meu coração
treme a cada gesto.
Agarro-me em
espectros,
numa
inquietante angústia.
Tuas linhas
choram paixão,
tuas mãos
tremem de desejo.
Não tenhas
medo de amar.
Entrega-te
ao sonho,
ainda não é
tarde!
(poetisa
sul-mato-grossense que hoje faz 63 anos)
quarta-feira, setembro 11, 2013
Oceano Nox
Junto do
mar, que erguia gravemente
A trágica
voz rouca, enquanto o vento
Passava como
o voo do pensamento
Que busca e
hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar
sentei-me tristemente,
Olhando o
céu pesado e nevoento,
E
interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das
coisas, vagamente...
Que inquieto
desejo vos tortura,
Seres
elementares, força obscura?
Em volta de
que ideia gravitais?
Mas na
imensa extensão, onde se esconde
O
Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido,
um queixume, e nada mais...
(Antero de
Quental faleceu a 11 de Setembro de 1891)
Subscrever:
Mensagens (Atom)