How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
terça-feira, outubro 23, 2012
segunda-feira, outubro 22, 2012
Recuso-me
Recuso-me a
ficar amolecido
Tragicamente
cilindrado
E muito
antes de lutar - vencido
E muito
antes de morrer - violado.
Recuso-me ao
silêncio e à mordaça
Serei
independente, livre e exacto
A verdade é
uma força que ultrapassa
A própria
dimensão em que combato.
Recuso-me a
servir a violência
Embora a
minha voz de nada valha
Mas que me
fique ao menos a consciência
De que
tentei romper esta muralha.
Recuso-me a
ter medo e a estiolar
Na concha
dos poetas sem mensagem
Que me levem
o corpo e a coragem
Mas que
fique esta voz para cantar.
(poeta
português falecido faz hoje 24 anos)
domingo, outubro 21, 2012
Soneto dos
símbolos efêmeros
Os símbolos
efêmeros: memento
da vida
breve: música secreta
- do tempo, a se esvair na asa do vento,
- do sonho, a esmaecer a chama inquieta.
Cresça no
céu de pedra o véu nevoento;
junto às
nuvens se perca a doida seta
rumo ao não
e ao talvez: o sentimento
atrela-se a
uma estrela, e essa incompleta
visão
apaziguante é misteriosa
luz
transcendência: rútila persiste,
seiva do
ser, essência poderosa,
pois se foi
dito o quanto a carne é triste,
arde em
perfume o espírito da rosa
e é mais
belo o que só no sonho existe.
(poeta
pernambucano falecido faz hoje 6 anos)
sábado, outubro 20, 2012
sexta-feira, outubro 19, 2012
Completas
A meu favor
tenho o teu olhar
testemunhando
por mim
perante
juízes terríveis:
a morte, os
amigos, os inimigos.
E aqueles
que me assaltam
à noite na
solidão do quarto
refugiam-se
em fundos sítios dentro de mim
quando de
manhã o teu olhar ilumina o quarto.
Protege-me
com ele, com o teu olhar,
dos demónios
da noite e das aflições do dia,
fala em voz
alta, não deixes que adormeça,
afasta de
mim o pecado da infelicidade.
(Manuel António
Pina faleceu esta tarde)
A lenda da maldição
A noite viu a criança que subia a escada cheia de risos e de
sombras
E pousou como um pássaro ferido sobre as árvores que
choravam.
A criança era o príncipe-poeta que a música ardente fizera
subir à última torre
E a noite era a camponesa que amava o príncipe e o adormecia
no seu canto.
Quando a criança chegou ao ponto mais alto viu que a música
era o riso embriagado
E que o riso embriagado era das estátuas mortas que tinham
no ventre aberto entranhas murchas.
A criança lembrou-se da noite cheia de entranhas e cujo riso
era a poesia eterna
E a angústia cresceu no seu coração como o mar alto nos
penhascos.
O olhar cego das estátuas levou o herdeiro do reino ao fosso
negro - ó príncipe, onde estás? - a voz dizia
E a água subia, nos braços, no peito, na boca, nos olhos do
amado da noite.
Depois saiu do fosso um homem que era o poeta-amaldiçoado
E que possuiu a noite chorando, adormecida.
A noite que nada viu continua chamando o príncipe-poeta
Enquanto o poeta-amaldiçoado chora nos braços das estátuas
mortas...
(Vinícius de Moraes nasceu faz hoje 99 anos
quinta-feira, outubro 18, 2012
Vínculos
Caminhamos...
Erramos...
Alcançamos píncaros
e os vínculos
da estrada da vida
comprida
se fortaleceram...
Pintamos na tela da memória
estórias,
compusemos na música do vento
alentos,
construímos nas ruínas
esquinas
de sonhos matreiros...
Hoje, paramos...
separamos
nossos retalhos de tempo
e o lamento
escreve na página do destino
matizes
das cicatrizes
dos nossos caminhos inversos...
(escritora paulista que hoje faz 62 anos)
quarta-feira, outubro 17, 2012
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