Não tenho qualquer preconceito ideológico contra as nacionalizações; pelo contrário, penso que uma presença forte do Estado nas áreas fundamentais da economia seria muito melhor para os cidadãos do que deixar essas áreas ao livre arbítrio do Deus Mercado que, como estamos a verificar, não tem quaisquer mandamentos. E não acredito que as empresas públicas são pior geridas do que as privadas, porque o Estado não gere, nomeia gestores que saltitam dumas para as outras com o maior despudor. Tudo se resume a que o Estado, como accionista, responsabilize os gestores pelos resultados a médio e longo prazo, punindo os que gerem mal e premiando os que gerem bem. Mas vivo num país em que a maioria das pessoas acha que o Mercado é que é bom, embora não hesite em estender a mão ao Estado quando as coisas correm mal. Vem isto a propósito da notícia de que o Governo desafiou os accionistas da COSEC a venderem ao Estado aquilo que já foi do Estado e que o Estado quis privatizar. Não consigo compreender, pois se a COSEC não faz determinados seguros de crédito, é porque uma correcta análise técnica dos riscos em causa aconselha a não concretização dos seguros ou a sua contratação a um preço que os potenciais clientes não estão dispostos a pagar. Como seguradora, a COSEC tem deveres de solvabilidade a cumprir que a entrada em vigor do Projecto Solvência II (é, para os seguros, o correspondente ao Basileia II dos bancos, mas bem mais complexo e exigente) não deixará passar em claro. Seja ela de capitais públicos ou de capitais privados. É por isso que a COSEC não aceita determinados riscos, já que uma análise técnica assim o recomenda. Se os aceitasse e as perspectivas de perda quase certa se viessem a confirmar, seriam os accionistas privados a ter de arrotar com o cacau sob a forma de aumento de capital, o que eles, naturalmente, não estão disposto a fazer. Ao querer comprar a COSEC, o que o Governo está a fazer é passar de uma análise técnica do risco para uma análise política. E quem vai entrar com o pilim são os accionistas do Estado, ou seja nós, os contribuintes, ou os nossos filhos e netos.
How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, maio 13, 2009
Aos solavancos
Como era de esperar, a viagem do Papa ao Médio Oriente tem decorrido aos solavancos, não agradando nem a gregos nem a troianos.
Primeiro, não agradou a muitos judeus, porque na sua visita ao Museu do Holocausto evitou a passagem por uma placa que se refere ao silêncio do Papa da altura, que se prepara para canonizar, e nunca se referiu aos nazis ou aos alemães.
Depois, abandonou um encontro inter-religioso quando foi invectivado por um clérigo palestino que lhe pediu para ajudar a parar com os crimes de Israel.
Por último, face às interrogações levantadas pela sua pertença à Juventude Hitleriana, o seu porta-voz, Federico Lombardi, veio dizer que “o Papa nunca, nunca foi membro da Juventude Hitleriana”, contradizendo declarações anteriores do próprio Papa. Claro que, de seguida, o tal Federico se desdisse, mas a negação estava feita.
Duvido de tanta coisa
Duvido de tanta coisa
Duvido de quase tudo.
Há algo que não duvido?
menos por menos dá mais.
Há coisas tão evidentes
E outras mais discutíveis
Há algo que não duvido?
Impar por Impar dá par.
Não sei se amanhã jantarei
Não sei se estou bem de saúde
Tantas coisas que não sei
E outras que nunca saberei.
Mas há coisas bem seguras
Que jamais esquecerei:
Menos mais Menos dá Menos
Menos por Menos dá Mais
Impar por Impar dá Impar
Impar mais Impar dá Par
Claudio Navarra*
*poeta brasileiro
terça-feira, maio 12, 2009
Receitas de sacristia
Na sua habitual homilia de segunda-feira no Diário de Notícias, o sacristão contabilista bolçou, ontem, entre outras pesporrências, o seguinte palpite:
O nosso país já anda há dez anos a perder competitividade face aos parceiros, precisamente porque os salários têm ultrapassado a produtividade. Quando em cima da crise nacional surge um colapso internacional, a moderação salarial deixa de ser decisiva para passar a vital. É evidente que este ano os ordenados portugueses deviam, senão descer, ao menos manter o seu valor.
Por mim, fico à espera de saber se Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica onde JCN debita as suas inanidades, lhe vai reduzir o salário e em quanto. Se lho reduzir em 50%, talvez eu, que trabalho num sector onde a produtividade tem andado largamente à frente do aumento dos salários, esteja disposta a abdicar de uma pequena parcela do meu parco rendimento em prol daqueles que ainda têm menos.
segunda-feira, maio 11, 2009
O aval
Ontem de manhã, falando com uma amiga que pernoitou cá em casa e que gosta do Ratzinger quase tanto com eu, disse-lhe que a viagem de Bento XVI a Israel, mesmo disfarçado de peregrino, apenas ia contribuir para caucionar as atrocidades que aquele país tem cometido contra os palestinos e branquear a sua actuação geneticamente racista.
Hoje de manhã tive a confirmação disso mesmo. Segundo a Associated Press, o ministro israelita do Turismo, Yuli Edelstein, afirmou ontem a jornalistas que tinha a esperança de que as imagens do Papa a rezar fizessem esquecer algumas das impressões de Israel como um foco de guerra e violência e contribuíssem para uma aumento do fluxo de turistas que, como se sabe, é uma das maiores fontes de riqueza do país.
Só não adivinho os números do euromilhões!
Ontem de manhã, falando com uma amiga que pernoitou cá em casa e que gosta do Ratzinger quase tanto com eu, disse-lhe que a viagem de Bento XVI a Israel, mesmo disfarçado de peregrino, apenas ia contribuir para caucionar as atrocidades que aquele país tem cometido contra os palestinos e branquear a sua actuação geneticamente racista.
Hoje de manhã tive a confirmação disso mesmo. Segundo a Associated Press, o ministro israelita do Turismo, Yuli Edelstein, afirmou ontem a jornalistas que tinha a esperança de que as imagens do Papa a rezar fizessem esquecer algumas das impressões de Israel como um foco de guerra e violência e contribuíssem para uma aumento do fluxo de turistas que, como se sabe, é uma das maiores fontes de riqueza do país.
Só não adivinho os números do euromilhões!
domingo, maio 10, 2009
Não fossem os sonhos
as estrelas são as bolhas de sabão do céu
cristalizadas nos sonhos que a gente
não sabe que tem
não acorde os sonhos com o barulho
das máquinas erguendo casas
por onde abrigá-los
deixe-os quarando ao vento
sob a sua poeira líquida
de anil inocência
e liberte-os ao sol derretido
entre as águas límpidas
de um rio
- não fossem os sonhos
não haveria estrelas
no mar
Cissa de Oliveira*
*poetisa brasileira
sábado, maio 09, 2009
Mobáile
Eu sei que há uma equipa de ciclismo que participa na Volta à França (e com grandes ciclistas) que se chama TiMobáile (T Mobile), e também sei que a RTP tem uma programação específica para os utilizadores de telemóveis. Fiquei a saber, hoje, no programa do provedor do cliente, que não provê cliente nenhum, que a tal programação se chama RTP Mobile. Como diz que disse? O fornecedor dos conteúdos é o canal público português, pago com o dinheiro dos contribuintes e para inglês ver, ou é um canal inglês?
sexta-feira, maio 08, 2009
Anda porcaria no ar
Eu não costumo ser céptico relativamente às qualidades curativas ou meramente paliativas de medicamentos desenvolvidas pelas farmacêuticas e aceites como bons pelos médicos e pelas autoridades de saúde, e muito menos pretendo desvalorizar os riscos de uma pandemia ou assustar quem quer que seja. Mas desconfio que anda um mau cheiro no ar relativamente à gripe que começou por ser suína e agora é gripe A porque os muçulmanos, para quem o porco é um animal impuro, decidiram chacinar, no Egipto, cerca de 4 centenas de milhares de porcos, que eram o sustento de quase outros tantos cristãos coptas.
O meu cepticismo começou quando as acções da Roche, produtora do Tamiflu e na qual o amigo americano de um enfatuado ex-Ministro de Estado detém elevados interesses, subiram em flecha, e foi crescendo quando, na passada sexta feira, saí de casa com a notícia de 150 mortos no México devido à tal gripe e uma hora depois, quando cheguei ao destino, o número de mortos já era de 7. Afinal, a maioria das mortes verificadas no México não tinha sido provocada pela gripe A mas por outra causa não especificada. Ou o recuo ter-se-á devido à denúncia das responsabilidades da indústria pecuária dos Estados Unidos, que explora a produção animal nas mais degradantes condições, sobretudo no México, mas também dentro de portas?
Entretanto, os responsáveis da Organização Mundial de Saúde já tinham posto as mãos no lume pelo Tamiflu e as acções da Roche continuavam (e continuam) a subir. Da Roche e de uma pequena companhia australiana chamada Biota Holdings, que desenvolveu o medicamento concorrente Relenza, que depois licenciou à farmacêutica americana GlaxoSmithKline. Entre a gripe das aves e os actuais temores, a Roche vendeu, só aos governos, 220 milhões de doses, a que acrescem os muitos milhões mais dispensados pelas farmácias. Considerando que a dose custa cerca de 25 euros e mesmo que aos governos seja fornecida por metade, é uma maquia astronómica. Quanto ao Relenza, de mais difícil administração dado que tem de ser inalado por quem tem o nariz completamente entupido, foram vendidos no primeiro trimestre USD 462 milhões, dos quais 7% reverteram para a Biota Holdings.
É sabido que os médicos que trabalham para as farmacêuticas são os mesmos que prestam assessoria à OMS e há estudos independentes que apontam para a pouca eficácia dos dois medicamentos numa eventual pandemia, bem como para a possibilidade de a estirpe do vírus da gripe A já ter desenvolvido resistência aos mesmos. Sarah Boseley, a multi-premiada jornalista que edita a secção Saúde do Guardian, escreveu ontem um extenso e esclarecedor artigo sobre o assunto, e Ben Goldacre, médico e colunista do mesmo jornal, já tinha alertado para esse problema.
A OSM já avisou que a gripe A pode atingir um terço da população mundial (são só dois mil milhões) e especula-se que o perigo pode ser bem maior do que o esperado. Se calhar, a melhor protecção está no respeito pelas regras básicas de higiene - digo eu que não tenho nenhum medicamento para vender: lavar frequentemente as mãos com sabão, tapar a boca com lenços de papel para não borrifar o vizinho com perdigotos, tapar a boca e o nariz com lenços de papel quando se espirra, para não aspergir os circundantes com secreções contagiosas e dar sumiço higiénico aos lenços de papel após cada utilização.
quinta-feira, maio 07, 2009
Desporto?
Mas que raio de "desporto"! Então o leitão lá do Caneira dos Negrais não é melhor? Tão jovens e tão tristes "tias"!
Máscaras
O senhor director-geral de Saúde disse que não se justificava os portugueses usarem máscaras. Referia-se, apenas, às probabilidades de contaminação com o vírus da Gripe A, mas seria muito positivo que alguns portugueses deixassem de usar as actuais máscaras e passassem a usar outras.
Refiro-me à generalidade da classe política que, salvo honrosas excepções, usa as máscaras da “verdade”, do “serviço aos cidadãos”, da “lisura de maneiras e processos” e, até, da “democracia”, para irem mantendo os seus “tachos” à custa do contribuinte. Essas, deviam deixá-las cair, pois todos, a não os próprios e os seus indefectíveis, já perceberam de que tipo de máscaras se trata. E podiam passar a usar açaimes para não se morderem uns aos outros e máscaras para filtrarem a diarreia mental exteriorizada sob a forma da mais atroz boçalidade.
quarta-feira, maio 06, 2009
Abaixo a corrupção
Gosto do desassombro com que o pai das SCUT zurze a corrupção. Acho que é mesmo de políticos como ele que Portugal precisa, para passarmos a ser um país de virgens e de santos; no que à corrupção diz respeito, naturalmente, já que país de virgens e de santos esquecidos somos nós, noutros pormenores (ou pormaiores, dependendo da perspectiva). A completo despropósito, lembro-me de que não sei o que se chama ao acto de alguém desistir de um pacote de leis anti-corrupção e manter o bico calado durante uns tempos como moeda de troca para ir para uma gaiola dourada ganhar balúrdios, para uma função de gestor de uma entidade para a qual não consta que tivesse méritos especiais, embora os tenhas noutras áreas. Alguém é capaz de pôr cobro à minha ignorância?
Cúmplices
Onde o vento não cessa revejo as árvores
da infância e toco o anjo fascinante
de um selo antigo da Lituânia. A meu lado,
a mulher cinge a clâmide branca e é um ser alado
com as sandálias de esparto no chão cintilante.
À esquerda, na calle Portugal, um edifício
está em chamas. Os homens
depuram o fogo e a alquimia produz
uma passagem para outro lugar. A manhã
revela a epifania das coisas, a imortalidade
da alma perante o mistério sagrado da brancura, o olhar
cúmplice porque me encontro e me perco
na graça do enigma. Por uma palavra e os teus olhos,
transponho esta fogueira, vacilo, colho a flor
translúcida intensamente azul onde a vidência se fixa
para sempre,
olho nos olhos a Virgen de La Veguilla e peço para voltar,
entrego o coração, celebro a luz, alcanço a transparência.
Amadeu Baptista* - A Poesia na Era Digital
*poeta portuense que hoje celebra 56 anos de idade
terça-feira, maio 05, 2009
Das utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
a mágica presença das estrelas!
Mário Quintana* - Espelho Mágico
*no 15º aniversário do falecimento
segunda-feira, maio 04, 2009
Triste herança
A propósito dos 30 anos da chegada ao poder da Dama de Ferro, o colunista Fernando Sobral faz, no Jornal de Negócios, uma interessante associação entre a mãe do neoliberalismo sem regras que conduziu ao actual estado da economia mundial e o lançamento, um mês depois, de Unknown Pleasures, o primeiro álbum dos Joy Division.
Pela minha parte, acho que o mundo teria sido e continuaria a ser muito melhor se a epilepsia que levou Ian Curtis ao suicídio tivesse tido como alvo o corpo e o espírito de uma dama convencida e emproada que, juntamente com um actor menor que pontificava além Atlântico, “gerou” e “pariu” a enormidade a que temos assistido nas últimas décadas.
Vasco Granja
Singela homenagem ao Homem que ensinou crescidos e miúdos a ver cinema de animação. Para recordar o seu regresso no Herman Enciclopédia
Singela homenagem ao Homem que ensinou crescidos e miúdos a ver cinema de animação. Para recordar o seu regresso no Herman Enciclopédia
domingo, maio 03, 2009
Exagero, incompetência ou má fé?
Quando ligo o computador e acedo à versão digital do Diário de Notícias leio, em grandes parangonas, “500 mil na marcha de 'marijuana' do Porto”.
Quinhentos mil? Mas isso é mais do que alguma vez uma manifestação juntou em Portugal, numa só cidade!
Incrédulo, clico na ligação para me certificar da participação de 5% (cinco por cento) dos residentes em Portugal numa manifestação a favor da liberalização de uma droga leve que a maioria da população não sabe sequer que existe, quanto mais que é droga, e verifico estupefacto:
"Meio milhar de pessoas, de acordo com a estimativa policial, participaram ontem, no Porto, na Marcha Global da Marijuana (MGM), com o objectivo de pedir a legalização das drogas leves, nomeadamente da cannabis".
E assim vai a nossa imprensa dita de referência.
Quando ligo o computador e acedo à versão digital do Diário de Notícias leio, em grandes parangonas, “500 mil na marcha de 'marijuana' do Porto”.
Quinhentos mil? Mas isso é mais do que alguma vez uma manifestação juntou em Portugal, numa só cidade!
Incrédulo, clico na ligação para me certificar da participação de 5% (cinco por cento) dos residentes em Portugal numa manifestação a favor da liberalização de uma droga leve que a maioria da população não sabe sequer que existe, quanto mais que é droga, e verifico estupefacto:
"Meio milhar de pessoas, de acordo com a estimativa policial, participaram ontem, no Porto, na Marcha Global da Marijuana (MGM), com o objectivo de pedir a legalização das drogas leves, nomeadamente da cannabis".
E assim vai a nossa imprensa dita de referência.
sábado, maio 02, 2009
Tirai as mãos...
O renomado e virtuoso pianista polaco Krystian Zimerman costuma ser um homem de poucas palavras. Por regra, não fala para a audiência durante os concertos e pouco ou nada diz à imprensa entre as suas raras apresentações, mesmo a propósito da sua mania de viajar para todo o lado com o seu piano de cauda Steinway atrás.
Não admira, pois, que tenha desencadeado enorme burburinho no Disney Hall de Los Angeles no Domingo à noite quando, antes de tocar a peça final do programa, levantou a voz para anunciar que não actuaria mais nos Estados Unidos em protesto contra as políticas militares de Washington.
“Tirai as vossas mãos do meu país”, disse a uma audiência estupefacta, denunciando os planos de instalar um escudo anti-míssil em solo Polaco. Uns aplaudiram, outros gritaram-lhe para que se calasse e tocasse e alguns, poucos, abandonaram a sala berrando obscenidades.
“Pois é”, respondeu o pianista em tom de troça: “algumas pessoas começam logo a marchar quando ouvem a palavra militar”. Sentou-se e tocou de forma soberba as “Variações Sobre um Tema do Folclore Polaco”, de Karol Szymanowski.
É que se chama atacar o lobo no seu próprio covil.
sexta-feira, maio 01, 2009
quinta-feira, abril 30, 2009
Javier Ortiz
Os que o conheceram bem, e ao seu trabalho, dizem que era um mestre do jornalismo e dos princípios, um jornalista que nunca claudicou, um panfletista incansável. Morreu anteontem, ao 61 anos, de paragem respiratória, esgotado de tanto trabalhar e pregar no deserto. Por cá, apesar de tão próximos, não me parece que fosse muito conhecido, arreigados que estamos ao velho preconceito que “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”.
Que descanse em paz
Os que o conheceram bem, e ao seu trabalho, dizem que era um mestre do jornalismo e dos princípios, um jornalista que nunca claudicou, um panfletista incansável. Morreu anteontem, ao 61 anos, de paragem respiratória, esgotado de tanto trabalhar e pregar no deserto. Por cá, apesar de tão próximos, não me parece que fosse muito conhecido, arreigados que estamos ao velho preconceito que “de Espanha nem bom vento nem bom casamento”.
Que descanse em paz
quarta-feira, abril 29, 2009
100 dias
Barack Obama cumpre hoje o seu centésimo dia como Presidente dos Estados Unidos e nestes três meses e dez dias muitas coisas mudaram, embora alguns achem que tudo ficou na mesma. Para mim, que nunca coloquei a fasquia demasiado alta porque sei que há conceitos na Europa e na América Latina de que os estado-unidenses têm medo (socialismo é um deles, nacionalização é outro), não tem sido uma desilusão.
Houve mudanças de fôlego na política externa: no trato com a União Europeia, nas relações com a América Latina - Lula foi o primeiro presidente a visitar a Casa Branca e houve um bom relacionamento com todos os dirigentes que participaram na Cimeira da América - , no estender de mãos ao Irão, no diálogo com a Rússia, no levantamento das restrições relativas a viagens, remessas e envio de algumas mercadorias para Cuba, na contenção relativamente ao apoio incondicional a Israel. Para mim, que não pretendo ser analista político, as situações mais difíceis serão mesmo as duas últimas. Para levantar o incompreensível embargo a Cuba necessita do apoio das duas Câmaras do Congresso e ainda não dispõe dos 60 Senadores necessários para impedir o boicote da minoria; mas está prestes a consegui-lo, pois o Senador Republicano da Pensilvânia, Arlen Specter, mudou ontem de campo, cansado da linha cada vez mais conservadora do seu partido, e o Democrata (e humorista) Al Franken já foi declarado por três vezes vencedor no Minesota em Novembro de 2008, faltando apenas a confirmação do Supremo Tribunal do Estado. No que concerne a Israel (a que está estreitamente ligado o relacionamento com o Irão), o lóbi israelita é muito poderoso e Hillary Clinton tem dado uma no cravo e outra na ferradura, mas há sinais de que os Estados Unidos estão mesmo apostados na política dos dois Estados. Fica por saber o que fazer com os atoleiros do Afeganistão e do Paquistão.
A nível de política interna, decidiu fechar Guantánamo e fazer julgar os presos em tribunais dignos desse nome, apresentou um orçamento virado para aspectos sociais (saúde, educação, diminuição de impostos para as pessoas de rendimentos médios e baixos, infra-estruturas), reverteu a decisão de Bush sobre o financiamento da investigação em células estaminais embrionárias, conseguiu aprovar um pacote de estímulos considerado bastante positivo, revelou os memorandos acerca da autorização da tortura como meio de obtenção de informações, reconheceu a responsabilidade dos Estados Unidos na guerra das drogas. É duvidoso que a atitude para com os bancos seja a mais adequada, terá de ter pulso forte para conseguir uma regulação efectiva dos mercados financeiros, a Comissão de Investigação para apurar (e punir) os responsáveis pelas torturas parece que vai avançar, mesmo contra a sua vontade, tem de fazer frente à toda poderosa RNA.
No que respeita ao ambiente, foram reconhecidos os problemas das alterações climáticas, a EPA mudou radicalmente de atitude e as energias renováveis tornaram-se uma prioridade.
Dos vários balanços que me pude ler, destaco a coluna do Times da autoria da politicamente incorrecta Arianna Huffington, criadora e editora do Blogue (mais jornal digital) The Huffington Post , e o editorial do The New Iork Times.
terça-feira, abril 28, 2009
segunda-feira, abril 27, 2009
Santo, santo, santo…
Depois de um Domingo dedicado ao novo santo, com três horas de transmissão em directo na televisão pública (e parece que também na TVI), mais meia hora no Jornal da Tarde, quinze minutos no Telejornal e os encómios de Cavaco Silva, foi hoje a vez de o sacristão mor opinar sobre o Condestável, terminando o seu arrazoado com estas palavras: “S. Nuno de Santa Maria foi sempre um homem radicalmente livre. Esta santa liberdade é aquilo que mais precisamos na crise dos 35 anos da nossa democracia”.
Eu sei pelos livros de História que Nuno Álvares Pereira travou acérrimos combates contra os inimigos castelhanos para manter a independência cá do rectângulo, mas não sei se era santo ou não. O que realmente acho é que se cá voltasse e, não havendo razão para guerrear castelhanos, perguntasse a Deus contra quem é que devia lutar, ouviria, certamente: “vai, Nuno, parte as Portas todas e luta pelo teu povo trabalhador contra Césares e Cavacos, Leites e Durões, Lopes e Rangeis e mais uns tantos Rosas que, além de terem vendido o país ao estrangeiro, desconhecem os meus mandamentos, principalmente o segundo, dado estarem sempre a invocar o meu nome em vão”.
domingo, abril 26, 2009
EXTRAVIO
Devia a vida ser só isso,
O vinho, o pão, o som da chama.
Sapos no tanque. O olhar mortiço
Do mocho. O luar crivando a cama.
Mãos de mulher cerrando a fresta
Onde entra, como a morte, a bruma.
Mas nos perdemos na floresta
Onde não há árvore nenhuma
Alexei Bueno
Feliz aniversário, Alexei
A ameaça
Na cidade do México, um casal beija-se através das máscaras de protecção contra a gripe suína, que já matou 80 pessoas no país e terá atingido os Estados Unidos e a Nova Zelândia.
Imagem: Alfredo Estrella/AFP/Getty Images
Na cidade do México, um casal beija-se através das máscaras de protecção contra a gripe suína, que já matou 80 pessoas no país e terá atingido os Estados Unidos e a Nova Zelândia.
Imagem: Alfredo Estrella/AFP/Getty Images
sábado, abril 25, 2009
sexta-feira, abril 24, 2009
Reflexões do dia
Das minhas leituras de hoje tenho de realçar duas colunas de opinião do Jornal de Negócios que, como é habitual nos autores, têm como objectivo outro tipo de “negócios”.
A primeira é do artista plástico Leonel Moura e realça a atitude da Câmara Municipal de Viana do Castelo, capital do distrito onde nasci, que decidiu acabar com as touradas na cidade. Como era de esperar, o PSD, que gosta muito de “touradas”, votou contra. Mas a praça de touros, adquirida pela autarquia, vai deixar de ser palco de lides de touros para ser um museu de ciência viva.
A segunda é do escritor e jornalista Baptista Bastos e debruça-se sobre os protagonismos do 25 de Abril e a adulteração de que a Revolução dos Cravos tem sido alvo.
OS PASSOS NA NOITE
Ouve, querida, na noite angustiada,
sem portas mas perfeita como um ovo,
como soa e ressoa a martelada
de cada passo do povo.
Ouve, na noite descarnada e enxuta,
o som que sobe, vertical e inteiro.
Ouve, querida, até às lágrimas, escuta
o oceano prisioneiro.
Noite implacável, arrepiada de vultos
como versos que mordem o papel
em que crianças, com gestos de adultos,
enchem de grãos de areia a nossa pele.
Noite aos quadrados, grades de gaiola,
cada quadrado fecha uma canção,
era aos quadrados no tempo da escola,
continua aos quadrados desde então.
Mas para lá dos barrancos, das ciladas,
para lá do engano e o desengano
cada pancada assobia madrugadas
cada pancada tem um som humano.
Compassados os passos, contra o vento,
escalam a noite descarnada e enxuta.
Viris, soam, ressoam no cimento,
ouve, querida, até ás lágrimas, escuta.
Sidónio Muralha
(in Poemas de Abril - Prelo Editora – 1974)
quinta-feira, abril 23, 2009
O Eça e dona Pulquéria
Agora que já assentou a poeira levantada pela alegada existência de um “manuel de bem vestir” para as candidatas às funções de atendimento na Loja do Cidadão de Faro e pensando ter percebido que o única intenção da dona Maria Pulquéria Lúcio era chamar a atenção das candidatas para as ligeiras diferenças entre esticar as pernas nas areias da praia e ajudar a ultrapassar as burocracias a que os cidadãos são obrigados - só não percebi aquele veto às cuecas e sutiãs pretos - não quero deixar de aqui denunciar a gritante iliteracia de muitos dos críticos da dona Pulquéria.
Na verdade, vi-a ser tratada como se fosse aquela dona da educação lá do norte, que é bem mais nova, muito mais gorda e sem a fineza da AMA mor. A começar pelo nome, já que Moreira (ou mureira), por muito desgostosos que fiquem aqueles que com ele carregam, significa, de acordo com o Aurélio, monte de esterco, enquanto Pulquéria deriva do latim pulchra, o adjectivo latino para bela, bonita, formosa, gentil. Para quem tiver dúvidas, basta verificar que o superlativo absoluto sintético de pulcra é pulcríssima ou pulquérrima.
Mas não se ficam por aqui os contrastes entre as duas personagens. Segundo alguns ofícios da Moreira tornados públicos, ela é Directora Regional da Educação mas não sabe escrever. Já a Administradora da AMA se revelou uma queirosiana da mais fina estirpe, tão conhecedora da obra do grande Eça que até descobriu e adaptou uma das crónicas que ele escreveu no ano de 1867, no Distrito de Évora, jornal criado e dirigido pelo José Maria no curto período que passou na cidade alentejana, quando tinha apenas 21 anos de idade; senão, vejam:
O Vestuário Influencia o Pensamento
Nada influencia mais profundamente o sentir do homem do que a fatiota que o cobre. O mais ríspido profeta, se enverga uma casaca e ata ao pescoço um laço branco, tende logo a sentir os encantos dos decotes e da valsa; e o mais extraviado mundano, dentro de uma robe de chambre, sente apetites de serão doméstico e de carinhos ao fogão. Maior ainda se afirma a influência do vestuário sobre o pensar. Não é possível conceber um sistema filosófico com os pés entalados em escarpins de baile, e um jaquetão de veludo preto forrado a cetim azul leva inevitavelmente a ideias conservadoras.
Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'
Claro que Eça não podia escrever sobre mini-saias e roupa interior preta, já que no seu tempo aquilo que os homens ambicionavam ver - fora das alcovas, naturalmente - era o tornozelo da dama quando ela descia da caleche. Mas tal facto apenas realça o arrojo da dona Pulquéria ao adaptar para o século XXI aquilo que ele escreveu há 150 anos.
quarta-feira, abril 22, 2009
Parvoíces em directo
Sempre que regresso a casa a tempo, enquanto trato aqui do besidróglio vou ouvindo o Portugal em Directo na RTP1, com reportagens de vários pontos do País. É um programa com coisas interessantes mas, de quando em vez, ouvem-se umas barbaridades de bradar aos céus. Ontem, por exemplo, um jornalista muito conhecedor disse que o Che Guevara era natural de Cuba mas tinha fortes ligações à Argentina, enquanto uma jornalista mais jovem confundiu vinho branco com vinho verde, como se não houvesse verdes tintos de se lhe tirar o chapéu e brancos maduros de fazer saltar a tampa. E a Dina Aguiar, que coordena no estúdio com um ar cada vez mais enfatuado, tudo deixa passar em claro. Santa ignorância!
terça-feira, abril 21, 2009
Chamar os bois pelos nomes
William Kurt Black é um académico e autor estado-unidense, especialista, entre outras coisas, em crimes de colarinho branco, finanças públicas e regulação das actividades financeiras. Era regulador do sistema bancário quando, em finais da década de 1980 e princípios da de 1990 se deu a crise S&L, na qual faliram mais de 700 Associações de Poupanças e Empréstimos. Fez parte desta crise o escândalo político conhecido como Keating Five, no qual 5 Senadores, incluindo John McCain, foram acusados de corrupção. William Kurt Black sabe, portanto, do que fala.
Democrata e apoiante do Presidente Obama, decidiu pôr a boca no trombone. No passado dia 3 de Abril resolveu aceitar o convite de Bill Moyers para dar uma entrevista ao Bill Moyers Journal, da PBS, na qual fez declarações assombrosas, afirmando que a actual crise é, no fundo, um enorme Esquema Ponzi, que os "empréstimos mentirosos" e outros artifícios financeiros eram, essencialmente, fraudes ilegais e que as notações AAA dadas àqueles empréstimos faziam parte de uma cobertura criminosa.
Muito mais disse o experiente académico, nomeadamente sobre o Secretário do Tesouro Timothy Geithner, mas o melhor é ouvi-lo ou ler a transcrição da sua entrevista, significativamente intitulada “A melhor maneira de roubar um banco é ser dono de um”, nome de um livro do entrevistado. Fica-se a saber (quase) tudo sobre a origem da crise.
segunda-feira, abril 20, 2009
Sessenta e nove?
Acabei de ouvir que o governo, para além de encaminhar os casais com problemas de infertilidade para clínicas privadas, vai aumentar a comparticipação dos medicamentos para tratamento da mesma de 67 por cento para 69, nas palavras da Ministra da Saúde.
Congratulo-me, naturalmente, com o facto de os casais inférteis verem acrescidas as suas possibilidades de terem filhos. Mas financiar “sessenta e noves”? Então isso não é um método mais do que seguro de evitar a gravidez? Ou sou eu que estou desactualizado?
domingo, abril 19, 2009
Vicissitudes da vida
Era minha intenção homenagear um dos dois intelectuais brilhantes de língua portuguesa cujos aniversários natalícios hoje se celebram - a grande Lygia Fagundes Telles, prémio Camões de 2005, felizmente ainda entre nós, ou o enorme Manuel Bandeira, nascido há 123 anos.
Mas opto por me referir à estória de solidão e desprezo sofridos de uma mulher, cujo talento oculto apenas se revelou aos 47 anos de idade, perante os ouvidos incrédulos e as faces perplexas do júri e da assistência de um concurso de novos talentos, faces essas que há apenas uns instantes faziam trejeitos de impaciência carregados de desdém.
Já quase tudo foi dito sobre Susan Boyle, a senhora escocesa vítima de um parto complicado que lhe provocou dificuldades de aprendizagem, que sempre foi tratada como atrasada mental, que nunca recebeu um beijo de um homem, cuja única companhia, após a morte da mãe, era o seu gato velho de 10 anos e que se transformou num fenómeno global de uma dita sociedade da informação tão capaz de incensar os seus heróis momentâneos como de enterrá-los no momento seguinte.
Eu não percebo nada de qualidade vocal, mas acho extraordinário que ninguém, incluindo os agora orgulhosos vizinhos, tenha antes reparado naquela voz, autêntico diamante em bruto escondido por detrás de uma face banal.
Mas é bom saber que, fora do apetite devorador dos media, uma cantora da qualidade e estatuto da Elaine Paige, precisamente o grande ídolo da Susan, decididiu sugerir a possibilidade de cantaram em dueto.
sábado, abril 18, 2009
Da esquina da rua
Da esquina da rua
chegam vozes absortas.
Da esquina da rua
pessoas brincam de artistas.
Da esquina da rua
homens sonham com direitos iguais.
Da esquina da rua
uma linda menina tenta beijar a lua.
Da esquina da rua
cachorros ladram para um vulto que passa.
Da esquina da rua
um carro derrapa feito cavalo de lote.
Da esquina da rua
a poesia sazona o tempo.
Da esquina da rua
eu e minhas vontades
esperamos o tempo passar.
Chico Miranda*
*poeta brasielro
sexta-feira, abril 17, 2009
Imaginação ao poder
A empresa alemã Doc Morris Pharmacies começou a fazer uma hilariante campanha publicitária aos seus preservativos, a qual pretende fazer passar o conceito “use preservativo e assegure-se de que não vai trazer ao mundo o próximo Osama bin Laden, Adolfo Hitler ou Mao Tze-Tung”.
Cada anúncio, elaborado pela Grey, apresenta um conjunto de espermatozóides, entre os quais sobressai um que se parece com Hitler, bin Laden ou Mao e uma mensagem nada subtil: “É melhor cobri-lo... a menos que queira introduzir o mal no mundo”.
Embora as imagens possam ser vistas aqui em tamanho gigante, não resisto a afixá-las.
quinta-feira, abril 16, 2009
O Errante
Por um erro me fiz errante,
Mais errante que o erro do errado
Mil tropeços no meu passado,
Os infernantes constando
Dos meus retalhos.
Sem dúvida, com mágoas
Meu sorriso pichado.
Ó triste dor tão infinita:
Não me inflame agora
Não me deixe ser um errante,
O mesmo que ontem amava
Nas curvas de um delirante.
Um errado errante,
Um facínora
Um desamante.
Tantos sonhos refeitos,
Tantos tombos levados...
Viver numa clausura com incúria
Tamanha fera, qual a rua desabitada.
Nos degraus de uma ponte pitoresca?
Na esquina de um velho sobrado?...
Não importa
É um errado,
Um errante de sonhos mutilados
Pelo poder da censura
César William*
*poeta brasileiro
quarta-feira, abril 15, 2009
Bizarrias
A notícia é tão bizarra que, para além da generalidade dos tablóides, do Pravda e de uma revista de ciência, até o jornal humorístico inglês Anorak se lhe referiu.
Ao cidadão russo Artyom Sidorkin, de 28 anos, foi diagnosticado um cancro quando começou a sentir insuportáveis dores no peito e a tossir sangue.
Ao submeterem-no a uma intervenção cirúrgica para remoção do tumor, os médicos verificaram, estupefactos, que se tratava de um abeto a crescer dentro do pulmão, já com o tamanho de 5 centímetros.
Os médicos pensam que o homem inalou uma semente que acabou por germinar e o paciente ficou todo satisfeito porque, afinal, não tinha cancro.
A notícia é tão bizarra que, para além da generalidade dos tablóides, do Pravda e de uma revista de ciência, até o jornal humorístico inglês Anorak se lhe referiu.
Ao cidadão russo Artyom Sidorkin, de 28 anos, foi diagnosticado um cancro quando começou a sentir insuportáveis dores no peito e a tossir sangue.
Ao submeterem-no a uma intervenção cirúrgica para remoção do tumor, os médicos verificaram, estupefactos, que se tratava de um abeto a crescer dentro do pulmão, já com o tamanho de 5 centímetros.
Os médicos pensam que o homem inalou uma semente que acabou por germinar e o paciente ficou todo satisfeito porque, afinal, não tinha cancro.
terça-feira, abril 14, 2009
Centenário
Numa manhã rutilante que vem perto, quando findar a noite ilegal que nos ensombra – tu e eles virão, aos ombros dos velhos lutadores, para o templo dos heróis. Bandeiras vermelhas como o sangue dos mártires hão-de envolver os vossos corpos. Braçadas de flores de todos os jardins proletários se desfolharão sobre vós. Bocas que mal sabiam cantar hão-de entoar um hino revolucionário. E hão-de brotar lágrimas de muitos olhos, tão puras como as lágrimas da tua companheira.
Vale a pena lutar por esse dia, camarada! Lutaremos.
Sabes? Os militantes da base já descobriram o teu nome. ALFREDO DINIS. Mas não houve deslize conspirativo… Vai sendo tempo que o povo decore os nomes dos seus filhos heróicos. Vai sendo tempo.
Não te digo adeus, camarada. Até um dia, no Portugal liberto.
Soeiro Pereira Gomes – Última Carta
(in Refúgio Perdido e Outros Contos – Edições Avante - 4 de Fevereiro de 1975)
segunda-feira, abril 13, 2009
Que sossego!
Estes dias têm sido tão calmos que até parece que governo e oposição foram a banhos.
Tirando uma inauguraçãozita nos Algarves em que a AMA mor, dona Pulquéria de seu nome, “explicou” às meninas que há algumas diferenças entre as areias da praia e os balcões da Loja do Cidadão e, portanto, nada de coxa ao léu, maminha à mostra, cueca preta ou perfume sensual, de nada mais me apercebi.
O Paulo Portas não pediu mais polícias na rua, a dona Manuela não disse nenhuma “verdade”, o Rangel não armou ao pingarelho, o Sócrates não se exibiu mais uma vez, O Chico não pediu a nacionalização da banca, o Lino não disse “jamé”, o Jerónimo não foi dançar o vira, o Pinho não abriu o bico, o Cavaco não comeu bolo rei, o Pedreira não tentou justificar o injustificável, não houve Juízes ou Magistrados do MP a fazerem justiça no telejornal, o Marinho esteve calado, o Silva não malhou em ninguém, o AJJ conteve-se na poncha. Claro que o meu universo de observação se resume à televisão pública, dado que SIC e TVI me servem, apenas, para bola ou filmes.
Portugal é um bom país para se viver na segunda metade da Semana Santa. Pena que só seja uma vez por ano.
domingo, abril 12, 2009
Dia Poético
Que lindo dia
De poesia
Se pôs!
A manhã baça,
O jornal carrancudo,
E, de repente, tudo
Cheio de luz e graça!
E que não há milagres!
Há, mas são destes, que não provam nada…
É uma pena
Que a nossa alma seja tão pequena,
Ou já esteja ocupada.
Miguel Torga
Poesia Completa I - D. Quixote - 2007
sábado, abril 11, 2009
sexta-feira, abril 10, 2009
Parce Mihi Domine
Parce mihi, Domine, nihil enim sunt dies mei.
Quid est homo, quia magnificas eum?
Aut quid apponis erga eum cor tuum?
Visitas eum diluculo et subito probas illum.
Usquequo non parcis mihi, nec dimittis me, ut glutiam salivam meam?
Peccavi, quid faciam tibi, o custos hominum?
Quare posuisti me contrarium tibi, et factus sum mihimetispsi gravis?
Cur non tollis peccatum meum, et quare non aufers iniquitatem meam?
Ecce, nunc in pulvere dormiam, et si mane me quaesieris, non subsistam.
(Ouvir)
Música: Cristóbal de Morales
Vozes: The Hilliard Ensemble
Saxofones: Jan Garbarek
Esta peça faz parte de um extraordinário disco que Jan Garbarec e os The Hilliard Ensemble gravaram em 1993 para a ECM. A letra em inglês pode ser lida aqui.
quinta-feira, abril 09, 2009
Memórias de Adriano
Não, não se trata do romance de Marguerite Yourcenar, que viaja pelos meandros do imperador romano Adriano, mas do “nosso” Adriano, lutador antifascista e cantor de eleição, de quem estaríamos a celebrar o 67º aniversário se a malfadada velha da foice e nariz adunco não lhe tivesse ceifado a vida aos 40 anos. Levou-lhe o corpo, mas ficaram connosco a memória, a voz e, entre muitas outras pérolas, As mãos:
As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre/Adriano Correia de Oliveira
quarta-feira, abril 08, 2009
O Grande Irmão
Poder-se-ia pensar que a realidade do romance 1984 ainda era uma coisa distante, mas já há cientistas a trabalhar num sistema europeu de rastreio global de carros que afirmam que a tecnologia necessária para isso já faz parte da nossa vida diária, dado que o sistema utiliza as mesmas ligações dos telemóveis, da internete Wi-Fi e das etiquetas de segurança presas às roupas nas lojas.
Um carro passará a estar sempre localizável através daqueles meios de comunicação, guardados num roteador por detrás do painel de instrumentos. Algo similar ao dispositivo da via verde, mas com um olho muito mais abrangente.
O dispositivo emitirá uma mensagem “pulsar” a revelar a sua localização precisa, a velocidade e a direcção a todos os outros carros num raio de 400 metros. O “pulsar” pode enviar outras mensagens: assim, quando uma carro faz uma travagem forçada para evitar um obstáculo ou quando as rodas encontram um pavimento escorregadio, essa informação pode ser enviada para outros condutores que se encontrem na zona. O pagamento automático de portagens é outra funcionalidade.
Os veículos também poderão comunicar com a “infra-estrutura rodoviária”, através de sinais colocados em pilastras ou em pontes para receber e dar informação, permitindo adequar a rede semafórica ao fluxo de trânsito que se aproxima e avisando os condutores quando há engarrafamentos.
Como se vê, só “vantagens”, se não nos preocuparmos com o facto de a nossa vida passar a ser completamente devassada, quando os governos decidirem utilizar todas as potencialidades do sistema para uma vigilância total dos cidadãos, permitindo saber quem foi onde e que eventuais infracções cometeu, através do roteador, do telemóvel e do uso dos cartões de débito e crédito. É que a Comissão Europeia já pediu aos governos para reservarem a rádio frequência na banda 5.9 Gigahertz para o “sistema” de rastreio automóvel.
Para saber “tudo” sobre o próximo Big Brother is watching you pode ler este artigo do Guardian.
Poder-se-ia pensar que a realidade do romance 1984 ainda era uma coisa distante, mas já há cientistas a trabalhar num sistema europeu de rastreio global de carros que afirmam que a tecnologia necessária para isso já faz parte da nossa vida diária, dado que o sistema utiliza as mesmas ligações dos telemóveis, da internete Wi-Fi e das etiquetas de segurança presas às roupas nas lojas.
Um carro passará a estar sempre localizável através daqueles meios de comunicação, guardados num roteador por detrás do painel de instrumentos. Algo similar ao dispositivo da via verde, mas com um olho muito mais abrangente.
O dispositivo emitirá uma mensagem “pulsar” a revelar a sua localização precisa, a velocidade e a direcção a todos os outros carros num raio de 400 metros. O “pulsar” pode enviar outras mensagens: assim, quando uma carro faz uma travagem forçada para evitar um obstáculo ou quando as rodas encontram um pavimento escorregadio, essa informação pode ser enviada para outros condutores que se encontrem na zona. O pagamento automático de portagens é outra funcionalidade.
Os veículos também poderão comunicar com a “infra-estrutura rodoviária”, através de sinais colocados em pilastras ou em pontes para receber e dar informação, permitindo adequar a rede semafórica ao fluxo de trânsito que se aproxima e avisando os condutores quando há engarrafamentos.
Como se vê, só “vantagens”, se não nos preocuparmos com o facto de a nossa vida passar a ser completamente devassada, quando os governos decidirem utilizar todas as potencialidades do sistema para uma vigilância total dos cidadãos, permitindo saber quem foi onde e que eventuais infracções cometeu, através do roteador, do telemóvel e do uso dos cartões de débito e crédito. É que a Comissão Europeia já pediu aos governos para reservarem a rádio frequência na banda 5.9 Gigahertz para o “sistema” de rastreio automóvel.
Para saber “tudo” sobre o próximo Big Brother is watching you pode ler este artigo do Guardian.
terça-feira, abril 07, 2009
ULTIMATUM FUTURISTA
ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!
segunda-feira, abril 06, 2009
Puro como a neve
Já se sabia que a “profunda investigação” prometida pelo exército israelita às acusações, feitas pelos próprios militares, de abate deliberado de civis palestinos, incluindo mulheres e crianças, não ia dar em nada. O que não se sabia era que o assunto ia ser encerrado tão rapidamente e que o investigador iria usar a marca de detergente que apregoa que “branco mais branco, não há”.
Mas foi o que aconteceu. Bastaram ao MAG (Military Advocate General), Brigadeiro General Avichai Mendelblit, 11 dias, incluindo dois Sábados, para investigar os relatos dos combatentes e esconjurar as suas alegações, fazendo o exército emergir das acusações puro com a neve. A crer nas conclusões do MAG, um grupo de soldados e oficiais de combate ao serviço de algumas das unidades de maior elite das forças de ataque israelitas demonstraram não ser mais do que uma mão cheia de requintados mentirosos e exagerados contadores de histórias, homens que não proferiram uma única palavra verdadeira, pois limitaram-se a eliminar “terroristas”.
Como a imagem abaixo prova, a criança que olha para as duas vacas mortas neste “jardim” de Gaza só pode ser um “perigoso terrorista” que se dirige para as duas velhotas que lhe vão “ensinar” a forma de destruir Israel. Aliás, de certeza que as duas vacas também eram “perigosas terroristas suicidas”, com granadas dissimuladas de chocalhos, que se dirigiam para uma unidade de elite israelita a fim de rebentar com os tanques e seus ocupantes.
Imgem : Tyler Hicks/The New York Times
Imgem : Tyler Hicks/The New York Times
domingo, abril 05, 2009
Elogio do sonho
Quando caminha nas águas
banha as agulhas noturnas
e bebe chamas de espumas
nos claros copos da lua
esconde no corpo um fogo
claro, vermelho, constante:
rubro ondular de bandeiras
por entre nuvens dançantes
ei-la subindo nas chuvas
galopando em seu cavalo
a cabeleira de trigo
solta ao furacão voante
ordena para que um dia
os sons se mudem nas cordas
destes violinos cegos
que por entre urtigas tocam
- vejo-a inteira, emparedada
entre as brasas que caíam
naqueles vales secretos
onde as árvores fugiam.
César Leal*
*poeta brasileiro
sábado, abril 04, 2009
Curtos de vista
Eu não percebo a atitude dos políticos mouros perante a nomeação de Domingos Névoa para presidente da Braval.
A Braval é uma empresa criada para o tratamento do lixo (em linguagem técnica, resíduos sólidos) dos concelhos de Braga, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Amares, Vila Verde e Terras de Bouro, municípios dirigidos por gente do PS (2) do PSD (3) e do PSD/Paulo Portas (1).
Não sei se a participação accionista é proporcional aos habitantes de cada concelho ou não, mas isso não vem ao caso. Mesmo que Braga tenha a maioria absoluta, se os outros 5 accionistas não estivessem de acordo com a decisão podiam impugná-la junto de quem de direito, através de uma previdência cautelar, que é o meio que está na moda. Se a previdência cautelar não surtisse efeitos, metiam previdências cautelares sucessivas em sucessivos (é de propósito) tribunais, de modo que o tal Domingos Névoa não tomasse posse antes de morrer. Não é o que tem sucedido com a malfadada co-incineração (ou será cu-incineração)?
Mas não, portaram-se com a galhardia da unanimidade, e fizeram muito bem. Na verdade, quem melhor para lidar com o lixo do que uma pessoa condenada por corrupção activa? Lixo por lixo, estava muito melhor a tratar do lixo menos poluente do que a tentar corromper os tratadores de outros lixos.
Como os mouros que mandam, todos sem excepção, entenderam que era melhor corromper pessoas do que corromper resíduos sólidos, o Névoa demitiu-se e lá fica a Braval sem um especialista do mais fino recorte. Quem vai pagar a falta de produtividade?
sexta-feira, abril 03, 2009
Exageros
Parafraseando Mark Twain, no Telejornal da RTP de ontem as notícias sobre o montante financeiro do acordo conseguido na Cimeira dos G20 foram grandemente exageradas, quase 5 vezes exageradas.
Mas vamos por partes. Na nomenclatura internacional, adoptada por quase todo o mundo e por todos os países europeus com excepção da Inglaterra, um bilião é um milhão de milhões (1 seguido de doze zeros), enquanto na nomenclatura anglo-saxónica, adoptada na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil, um bilião são mil milhões (1 seguido de nove zeros). De igual forma, na nomenclatura internacional um trilião é um milhão de biliões (1 seguido de dezoito zeros) e na anglo-saxónica são mil biliões dos deles (1 seguido de doze zeros).
Difícil de imaginar? Talvez seja mais fácil se utilizarmos o tempo. Se considerarmos segundos, um bilião de segundos para os anglo-saxónicos corresponde a 31 anos e 259 dias, enquanto que um bilião de segundos na nomenclatura internacional significa 31.709 anos e 289 dias. Se passarmos para o trilião, a diferença é ainda maior, já que para os anglo-saxónico um trilião de segundos representa 31.709 anos e 289 dias, enquanto para quem segue a numeração internacional será o curto período de 31.709.791.983 anos, mais do dobro do tempo que se estima ter decorrido desde o big bang até hoje. É um bocadinho mais de tempo (ou de dinheiro, no caso em apreço).
Passando à notícia divulgada e comentada pela RTP e utilizando a designação internacional e os dólares dos Estados Unidos, foi posta uma grande ênfase no estímulo de 5 biliões de dólares (3,7 biliões de euros), quando o mesmo foi de apenas 1,1 biliões de dólares - ou seja, 22% do valor divulgado -, que serão quase todos despendidos no financiamento do FMI e do Banco Mundial. 5 biliões de dólares foi o montante total que os presentes estimaram já terem decidido, cada um por si, “gastar” em estímulos até ao fim do próximo ano e não teve nada a ver com a Cimeira.
Teria sido muito fácil a televisão pública não ter cometido tamanha argolada. Bastava que tivesse posto um simples estagiário a seguir jornais ingleses (o Guardian ou o Times, por exemplo) que tinham jornalistas económicos a acompanhar o evento no local, para verificar que o valor em discussão e considerado como uma grande vitória para o anfitrião da Cimeira andava à volta 1 bilião (1 trillion); mas não, prefere gastar o dinheiro dos contribuintes na novela mexicana do Freeport.
Como hoje tirei o dia para cascar no canal que malbarata os meus impostos, não vou dizer nada sobre a bondade (ou falta dela) desta e doutras decisões da Cimeira. Mas quem quiser, pode ler aqui o comunicado, na integra, ou, se preferir, um resumo bastante bem estruturado.
Cartoon: Steve Bell/Guardian
Parafraseando Mark Twain, no Telejornal da RTP de ontem as notícias sobre o montante financeiro do acordo conseguido na Cimeira dos G20 foram grandemente exageradas, quase 5 vezes exageradas.
Mas vamos por partes. Na nomenclatura internacional, adoptada por quase todo o mundo e por todos os países europeus com excepção da Inglaterra, um bilião é um milhão de milhões (1 seguido de doze zeros), enquanto na nomenclatura anglo-saxónica, adoptada na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil, um bilião são mil milhões (1 seguido de nove zeros). De igual forma, na nomenclatura internacional um trilião é um milhão de biliões (1 seguido de dezoito zeros) e na anglo-saxónica são mil biliões dos deles (1 seguido de doze zeros).
Difícil de imaginar? Talvez seja mais fácil se utilizarmos o tempo. Se considerarmos segundos, um bilião de segundos para os anglo-saxónicos corresponde a 31 anos e 259 dias, enquanto que um bilião de segundos na nomenclatura internacional significa 31.709 anos e 289 dias. Se passarmos para o trilião, a diferença é ainda maior, já que para os anglo-saxónico um trilião de segundos representa 31.709 anos e 289 dias, enquanto para quem segue a numeração internacional será o curto período de 31.709.791.983 anos, mais do dobro do tempo que se estima ter decorrido desde o big bang até hoje. É um bocadinho mais de tempo (ou de dinheiro, no caso em apreço).
Passando à notícia divulgada e comentada pela RTP e utilizando a designação internacional e os dólares dos Estados Unidos, foi posta uma grande ênfase no estímulo de 5 biliões de dólares (3,7 biliões de euros), quando o mesmo foi de apenas 1,1 biliões de dólares - ou seja, 22% do valor divulgado -, que serão quase todos despendidos no financiamento do FMI e do Banco Mundial. 5 biliões de dólares foi o montante total que os presentes estimaram já terem decidido, cada um por si, “gastar” em estímulos até ao fim do próximo ano e não teve nada a ver com a Cimeira.
Teria sido muito fácil a televisão pública não ter cometido tamanha argolada. Bastava que tivesse posto um simples estagiário a seguir jornais ingleses (o Guardian ou o Times, por exemplo) que tinham jornalistas económicos a acompanhar o evento no local, para verificar que o valor em discussão e considerado como uma grande vitória para o anfitrião da Cimeira andava à volta 1 bilião (1 trillion); mas não, prefere gastar o dinheiro dos contribuintes na novela mexicana do Freeport.
Como hoje tirei o dia para cascar no canal que malbarata os meus impostos, não vou dizer nada sobre a bondade (ou falta dela) desta e doutras decisões da Cimeira. Mas quem quiser, pode ler aqui o comunicado, na integra, ou, se preferir, um resumo bastante bem estruturado.
Cartoon: Steve Bell/Guardian
quinta-feira, abril 02, 2009
Hilaridade
A descontracção dos “grandes”, apanhados pelo fotógrafo com “as calças na mão”, foi muito menos hilariante do que os alegados 3,7 biliões (triliões para os ingleses e americanos) anunciados pela televisão pública. Tanto quanto pude ver, não passaram de menos de um terço (1,1 biliões, o que já não é nada mau); como o despertador canta às 5H30, amanhã talvez volte ao assunto.
Imagem: Kirsty Wigglesworth/Associated Press/NYT
A descontracção dos “grandes”, apanhados pelo fotógrafo com “as calças na mão”, foi muito menos hilariante do que os alegados 3,7 biliões (triliões para os ingleses e americanos) anunciados pela televisão pública. Tanto quanto pude ver, não passaram de menos de um terço (1,1 biliões, o que já não é nada mau); como o despertador canta às 5H30, amanhã talvez volte ao assunto.
Imagem: Kirsty Wigglesworth/Associated Press/NYT
A Última Ceia
Como ainda não há novidades e a fotografia de “família” só depois de mais uma tentativa, já que na primeira o canadiano tinha ido à casa de banho e na segunda foi o italiano que se pirou, talvez à procura de um espelho para se certificar de que não é mais pálido do que Obama, fica o humor de Morten Morland para o Times online.
quarta-feira, abril 01, 2009
As minhas verdades e inverdades
Hoje é o dia adequado para pôr a nu as minhas inverdades.
Mas vou começar pelas verdades:
Sou muito complacente mas detesto hipócritas. É mesmo a hipocrisia aquilo que mais detesto nas pessoas;
Gosto de cozinhar. Dizem as mulheres a as visitas que o faço muito bem;
Adoro lampreia. Sou limiano e a lampreia é um dos meus pratos favoritos; só é pena ser tão cara;
Gosto de dormir a sesta quando posso. Hábito que me ficou do meu tempo de adolescente passado com espanhóis;
Adoro ervilhas tortas guisadas com carne. Carne de vaca, frango ou coelho mas, para ficarem boas, lá vou eu de avental para a cozinha;
Considero-me um conversador nato. É verdade, embora não seja um fala barato.
E agora as tais inverdades:
Tenho muito medo de andar de avião. Nunca tive e já voei quase um milhão de milhas. O avião é o meio de tranporte mais seguro (desde que se mantenha no ar quando é preciso);
Não gosto de lulas grelhadas. É a única forma como gosto delas;
Gosto de deambular pelos centros comerciais. Se pudesse nunca punha lá os pés.
terça-feira, março 31, 2009
Ditaduras e ditabrandas
Há 45 anos uma ditadura militar sangrenta, que durou mais de 20 anos, abateu-se sobre o Brasil.
Milhares foram perseguidos e presos, centenas tiveram de se exilar, muitos - várias centenas, segundo uns, alguns milhares, de acordo com outros - foram barbaramente assassinados ou desapareceram.
Ao contrário de outros países da América Latina que viverem sob ditaduras militares - Chile, Argentina, Uruguai, Guatemala - que já começaram a julgar e a punir os algozes, no Brasil não tem sido possível abrir os arquivos do regime militar com vista a reconhecer, julgar e punir os criminosos, em grande parte porque os meios de comunicação social que apoiaram o regime ainda dominam a informação brasileira, a ponto de um deles - A Folha de São Paulo - ter afirmado não ter existido uma ditadura, mas sim uma ditabranda.
Entre os muitos exilados esteve o meu cantor brasileiro preferido, Chico Buarque, que escreveu e cantou alguns das canções mais cáusticas para a ditadura, entre as quais Fado Tropical, Cálice e Meu Caro Amigo. Esta última foi escrita em forma de carta musicada dirigida a Augusto Boal, que na altura vivia no exílio, em Lisboa, e incluída no álbum Meus Caros Amigos, de 1976. Para ouvir:
Meu Caro Amigo
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui ‘tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui ‘tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui ‘tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente ‘tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra’ tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui ‘tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
Chico Buarque
segunda-feira, março 30, 2009
Sonho domado
Sei que é preciso sonhar.
Campo sem orvalho, seca
A frente de quem não sonha.
Quem não sonha o azul do vôo
perde seu poder de pássaro.
A realidade da relva
cresce em sonho no sereno
para não ser relva apenas,
mas a relva que se sonha.
Não vinga o sonho da folha
se não crescer incrustado
no sonho que se fez árvore.
Sonhar, mas sem deixar nunca
que o sol do sonho se arraste
pelas campinas do vento.
É sonhar, mas cavalgando
o sonho e inventando o chão
para o sonho florescer.
Thiago de Mello*
*poeta brasileiro que hoje completa 83 anos
domingo, março 29, 2009
Farrapos e trapos
Há bem mais de sessenta anos, a minha avó e a minha mãe, pessoas que apenas tinham saber de experiência feito, eram exímias tecedeiras e, entre outras coisas, teciam mantas de farrapos.
Essas mantas, que constituíam o único meio de aquecimento das camas lá de casa, eram feitas a partir de recortes finos das roupas rotas que já não tinham possibilidade de ser remendadas e a variedades de cores era decidida a olho pela tecedeira. Eu ainda tenho algumas, de cores claras, que já utilizei nos bancos traseiros do carro quando a filhota era criança, e que agora são utilizadas para dar uma cor minhota ao sofá da sala, quando tenho visitas especiais.
Lembrei-me da influência das mantas de farrapos na minha vida quando, no Jornal da Tarde de hoje, vi uma reportagem sobre a Vianatece, uma empresas de tapetes de trapos com sede em Castelo de Neiva, que exporta os seus artigos um pouco para todo o mundo.
Ao ver aquelas jovens em teares manuais, recuei às imagens da minha infância, ali reflectida com ligeiras diferenças: na casa onde nasci, no concelho de Ponte do Lima, havia só um tear numa longa varanda, as tecelãs eram a minha avó, a minha mãe ou uma das duas minhas irmãs mais velhas, as lançadeiras eram muito mais pequenas, havia um treco treco do pente muito mais sincopado e os trapos chamavam-se farrapos, porque o nível cultural dos camponeses dos anos 40/50 não lhes permitia chamarem-lhe trapos.
Seja como for, os meus parabéns à empresária da Vianatece e os meus votos de que apareçam outras empresas dedicadas, por exemplo, aos produtos de linho. É que na freguesia de onde sou natural, rural e pequena de três mil e tal eleitores, a última pessoa que sabia tratar o linho desde a sementeira até aparecer na mesa sob a forma de toalha, faleceu num dia de Junho (dia 10, mais concretamente) de 1993. Tinha 84 anos, chamava-se Rosa Maria e era minha mãe.
As teias que a memória tece!
sábado, março 28, 2009
Introdução à Lógica
Com as pernas cruzadas,
o Sol à esquerda,
os nimbos brancos da chuva
inauguram uma nova prática.
Algo que transcende
o estar sem viver
(o dever do prisioneiro
é a evasão)
no ar.
Inauguram-se a relação
eterna e frágil, com
os músculos tensos
no horizonte
que é limbo
além de nosso
estar descalço.
Celso Mesquita*
*poeta brasileiro
sexta-feira, março 27, 2009
Inverdades
A amiga Sofia obsequiou-me com um prémio de cristal e desafiou-me para identificar três mentiritas entre 9 afirmações que fez no seu Defender o Quadrado, escrever 9 coisas a meu respeito, 3 das quais serão claramente mentiras, e reencaminhar para 5 eleitos que deverão proceder da mesma forma.
Penso que as inverdades da Sofia são as seguintes:
Gosto muito de ir ao ginásio
Tenho a vida cheia de compromissos
O cabeleireiro é um dos meus vícios
Quanto às afirmações a meu respeito, onde escondo 3 que não são verdadeiras, aqui vão:
Sou muito complacente mas detesto hipócritas.
Gosto de cozinhar.
Tenho muito medo de andar de avião.
Adoro lampreia.
Não gosto de lulas grelhadas.
Gosto de dormir a sesta quando posso.
Adoro ervilhas tortas guisadas com carne.
Gosto de deambular pelos centros comerciais.
Considero-me um conversador nato.
Passo o troféu e o desafio aos blogues Inflorescências, Jardim de Luz, Lusosapien, Mar Arável e O Azereiro.
quinta-feira, março 26, 2009
Beleza e...medo
A beleza destes amores-perfeitos imersos na neve, em Salzburg, na Áustria ...
Imagem: Kerstin Joensson/AP/Guardian
...contrasta com o medo estampado no rosto deste idoso cidadão israelo-árabe residente em Umm al-Fahm, Israel, que sente os efeitos do gás lacrimogéneo lançado pela polícia anti-motim depois de violentos protestos contra uma marcha da extrema-direita israelita através de uma cidade maioritariamente habitada por árabes.
Imagem: David Silverman/Getty Images/Guardian
Imagem: Kerstin Joensson/AP/Guardian
...contrasta com o medo estampado no rosto deste idoso cidadão israelo-árabe residente em Umm al-Fahm, Israel, que sente os efeitos do gás lacrimogéneo lançado pela polícia anti-motim depois de violentos protestos contra uma marcha da extrema-direita israelita através de uma cidade maioritariamente habitada por árabes.
Imagem: David Silverman/Getty Images/Guardian
quarta-feira, março 25, 2009
Custos e benefícios
O nosso Presidente tentou ontem dar uma lição de contabilidade a quem dela não precisava, mas não disse o que poderia (e, talvez, deveria) ter dito.
Com efeito, a grande maioria dos portugueses e todos os decisores políticos sabem quais são os custos e os benefícios de uma auto-estrada. Os custos incluem os imediatamente quantificáveis - projectos, expropriações, construção, manutenção e cobrança de portagens - e os que apenas podem ser estimados - danos ambientais e colaterais, nomeadamente; os benefícios, também compreendem os imediatamente quantificáveis – portagens e rendas dos espaços comerciais, vulgo estações de serviço – e os que só podem ser estimados – diminuição dos percursos e do consumo de combustíveis, maior segurança de condutores e passageiros, acesso facilitado à circulação de mercadorias, melhoria da inclusão social, redução drástica de acidentes em localidades, melhoria da qualidade ambiental das mesmas e todo um conjunto de outros benefícios qualitativos que seria fastidioso enumerar. Quando se trata de uma SCUT, das quais sempre discordei, o "benefício" das portagens é suportado pelos contribuintes.
De igual modo, para uma linha TGV Lisboa/Porto (e volta) ou qualquer outra, haverá os custos imediatamente quantificáveis – projectos, construção, manutenção, material circulante e diminuição das receitas das transportadoras aéreas e das exploradoras de auto-estradas - e os que somente podem ser estimados – de novo danos ambientais e colaterais; quanto aos benefícios temos os imediatamente quantificáveis – bilhetes, exploração dos restaurantes, alugueres de espaços nas estações – e os que se obtêm por estimativa – menos consumo de combustível, menos emissões poluentes, maior rapidez e mais segurança nas deslocações, etc.
Construir, pois, uma auto-estrada (seja ou não SCUT), um aeroporto ou uma linha de comboio de alta velocidade, pode ser um bom ou um mau investimento, dependendo da análise custo/benefício efectuada e só será um encargo para a gerações vindouras se os custos, no longo prazo, ultrapassarem os benefícios. Caso contrário, a decisão de a iniciar agora ou daqui a 10 anos deve ter exclusivamente a ver com o custo de oportunidade (esgotar a capacidade do aeroporto existente e ficar fora da alta velocidade e mais isolados da Europa são custos de oportunidade a favor do começar já, enquanto a baixa capacidade de endividamento e a necessidade de fazer investimentos alternativos são possíveis custos de oportunidade a favor do adiamento).
Daí que o facto de a D. Manuela e os seus porta-vozes virem falar de obras faraónicas relativamente ao TGV seja revelador da falta de honestidade intelectual da claque laranja, já que a D. Manuela era a ministra das finanças quando Portugal acordou com a Espanha prazos para as ligações Porto/Vigo e Lisboa/Madrid. E a insinuação implícita nas palavras do Presidente só piora a situação.
Mas aquilo que não ele disse é que já houve em Portugal uma obra faraónica, símbolo máximo do cavaquismo. Refiro-me ao CCB (Centro Comercial de Belém, como eu lhe chamo), com custos enormes – ocupação de um espaço nobre de Lisboa, a colocação de um mamarracho em frente do Mosteiro dos Jerónimos, quase 500 milhões de euros a preços de há 20 anos, custos de manutenção enormes – e benefícios reduzidos – Lisboa já tinha bons museus mal aproveitados, salas condignas para concertos e espectáculos, espaços para grandes eventos. Esta autêntica obra faraónica parece que só serviu para receber a colecção de arte do Joe Berardo, o que é pouco, muito pouco, para quem vem agora dizer cobras e lagartos de dois projectos sobre os quais não tem a coragem de dizer que são desnecessários, provavelmente porque não o são.
terça-feira, março 24, 2009
Demência assassina
Como se não fossem suficientes os massacres que levaram e levam a cabo, virou moda entre os soldados sionistas utilizar camisolas onde se gabam de terem matado mulheres grávidas e bebés palestinos e de terem sodomizado líderes do Hamas.
Os pormenores macabros deste verdadeiro jogo da morte e do ódio racista podem ser lidos na página pessoal do jornalista judeu Richard Silverstein, embora não seja recomendável a pessoas muito sensíveis.
Como se não fossem suficientes os massacres que levaram e levam a cabo, virou moda entre os soldados sionistas utilizar camisolas onde se gabam de terem matado mulheres grávidas e bebés palestinos e de terem sodomizado líderes do Hamas.
Os pormenores macabros deste verdadeiro jogo da morte e do ódio racista podem ser lidos na página pessoal do jornalista judeu Richard Silverstein, embora não seja recomendável a pessoas muito sensíveis.
segunda-feira, março 23, 2009
Um homem às direitas
Mordechay Vanunu é o antigo técnico nuclear israelita que teve a coragem de denunciar à imprensa inglesa, em 1986, que Israel era possuidor ilegal de 300 ogivas nucleares. Pouco tempo depois foi raptado em Roma pela Mossad, torturado e confinado a uma cela de 2 x 2 metros, na qual permaneceu no mais completo isolamento durante 12 anos. Depois cumpriu mais 6 anos de cárcere, durante os quais também não pôde falar com ninguém, sendo-lhe apenas permitidas breves saídas para o pátio, onde era insultado e maltratado por ser considerado um traidor à pátria. Foi solto em 2004, mas com severas restrições de expressão e movimentos. Preso diversas vezes, aguarda em liberdade o julgamento por mais de duas dezenas de “infracções às ordens legais”.
Nomeado várias vezes para o prémio Nobel da Paz, foi novamente proposto para o prémio de 2009. No início deste mês escreveu ao Comité do Prémio Nobel da Paz, em Oslo, pedindo que o seu nome seja retirado da lista, pois não pode fazer parte de uma lista de laureados que inclua Simon Peres. LIBERDADE, APENAS LIBERDADE, É AQUILO QUE EU QUERO.
Numa sociedade teocrática com0 é Israel, chama-se a esta atitude ter a coluna vertebral direita.
Mordechay Vanunu é o antigo técnico nuclear israelita que teve a coragem de denunciar à imprensa inglesa, em 1986, que Israel era possuidor ilegal de 300 ogivas nucleares. Pouco tempo depois foi raptado em Roma pela Mossad, torturado e confinado a uma cela de 2 x 2 metros, na qual permaneceu no mais completo isolamento durante 12 anos. Depois cumpriu mais 6 anos de cárcere, durante os quais também não pôde falar com ninguém, sendo-lhe apenas permitidas breves saídas para o pátio, onde era insultado e maltratado por ser considerado um traidor à pátria. Foi solto em 2004, mas com severas restrições de expressão e movimentos. Preso diversas vezes, aguarda em liberdade o julgamento por mais de duas dezenas de “infracções às ordens legais”.
Nomeado várias vezes para o prémio Nobel da Paz, foi novamente proposto para o prémio de 2009. No início deste mês escreveu ao Comité do Prémio Nobel da Paz, em Oslo, pedindo que o seu nome seja retirado da lista, pois não pode fazer parte de uma lista de laureados que inclua Simon Peres. LIBERDADE, APENAS LIBERDADE, É AQUILO QUE EU QUERO.
Numa sociedade teocrática com0 é Israel, chama-se a esta atitude ter a coluna vertebral direita.
domingo, março 22, 2009
Ignorância Atrevida
É a ignorância profunda que inspira o tom dogmático. Aquele que nada sabe pensa ensinar aos outros o que acaba de aprender; aquele que sabe muito mal chega a pensar que o que diz possa ser ignorado, e fala com maior indiferença. As maiores coisas só precisam de ser ditas de forma simples; elas estragam-se com a ênfase: é preciso dizer nobremente as pequenas; elas só se sustentam pela expressão, pelo tom e pela maneira.
Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"
Retirado de O Citador
(A propósito das tiradas inanes durante a visita papal a África)
sábado, março 21, 2009
A Central das Frases
...já te disse que são os do primeiro...
...e afinal não pudemos telefonar...
...ai nem queira saber o engenheiro...
...se me dão licença eu vou contar...
...penses nisso era só o que faltava...
...não as outras duas é que são as tais...
...mas o senhor presidente autorizava...
...na avenida centenas de pardais...
...de facto muito inteligente...
...ó filha por aqui fazes favor...
...que veio ontem para falar com a gente...
...é mesmo lá ao fim do corredor...
Alexandre O’Neill
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Eleonora Gaggioli, a actriz que parece ser uma das favoritas do Caimão para as Europeias.




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