How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
quarta-feira, setembro 07, 2016
Despertáculo
Estou pronto
para a guerra que encontro
quando acordo:
botei vigia nos sentidos
e iludi com comprimidos
outros seres a meu bordo.
Abandonei o vício
de estar sempre
a soletrar ruínas,
dei liberdade a meus detentos
minha pressa diluiu nos passos lentos
e rasguei
meu calendário de rotinas.
Inverti a ordem.
Já não saio por aí
a devorar compromissos,
tomei posse no governo de mim mesmo
e derrotei os meus omissos.
Venci as batalhas
de ter que estar sempre por perto,
às vezes voo para dentro
do meu sonho a céu aberto.
Estou pronto:
eu já concordo
com a guerra que encontro
quando acordo.
Estou pronto
para a guerra que encontro
quando acordo:
botei vigia nos sentidos
e iludi com comprimidos
outros seres a meu bordo.
Abandonei o vício
de estar sempre
a soletrar ruínas,
dei liberdade a meus detentos
minha pressa diluiu nos passos lentos
e rasguei
meu calendário de rotinas.
Inverti a ordem.
Já não saio por aí
a devorar compromissos,
tomei posse no governo de mim mesmo
e derrotei os meus omissos.
Venci as batalhas
de ter que estar sempre por perto,
às vezes voo para dentro
do meu sonho a céu aberto.
Estou pronto:
eu já concordo
com a guerra que encontro
quando acordo.
(poeta goiano que hoje faria 52 anos)
terça-feira, setembro 06, 2016
Fui Pedir um
Sonho ao Jardim dos Mortos
Fui pedir um
sonho ao jardim dos mortos.
Quis
pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.
Os mortos
não sabem, lá onde é que estão,
Que neles se
enfeitam os meus braços tortos.
Os mortos
dormiam... Passei-lhes ao lado.
Arranquei-lhes
tudo, tudo quanto pude;
Páginas
intactas - um livro fechado
Em cada
ataúde.
Ai as pedras
raras! As pedras preciosas!
Relâmpagos
verdes por baixo do mar!
A sombra, o
perfume dos cravos, das rosas
Que os
dedos, já hirtos, teimavam guardar!
Minha alma é
um cadáver pálido, desfeito.
As suas
ossadas
Quem sabe
onde estão?
Trago as
mãos cruzadas,
Pesam-me no
peito.
Quem sabe se
a lama onde hoje me deito
Dará flor
aos vivos que dizem que não?
(poeta
portuense nascido faz hoje 112 anos)
segunda-feira, setembro 05, 2016
Na maré dos
teus olhos
É na maré
dos teus olhos
que eu
invento
naufrágios
de ternura
É na maré
dos teus olhos
que eu
descubro
a cor
insensata das manhãs
É na maré
dos teus olhos
que eu
assisto
ao
pôr-do-sol do meu desespero
É na maré
dos teus olhos
que eu
navego
em barcos
feitos de espuma.
(poeta
brigantino que hoje faz 53 anos)
domingo, setembro 04, 2016
A Mulher
Mais Bonita do Mundo
estás tão
bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas
na terra do jardim, quero dizer
que estás
bonita.
entro na
casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma
gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.
entre os
dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a
pele do teu pescoço.
há o céu, a
casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão
bonita hoje.
os teus
cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro
de algo que está dentro de todas as
coisas, a
minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.
os teus
cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro
ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão
bonita é aquilo que quero dizer.
(José Luís
Peixoto faz hoje 42 anos)
sábado, setembro 03, 2016
Mergulha nos
Sonhos
mergulha nos
sonhos
ou um lema
pode ser teu aluimento
(as árvores
são as suas raízes
e o vento é
o vento)
confia no
teu coração
se os mares
se incendeiam
(e vive pelo
amor
embora as
estrelas para trás andem)
honra o
passado
mas acolhe o
futuro
(e esgota no
bailado
deste
casamento a tua morte)
não te
importes com o mundo
com quem faz
a paz e a guerra
(pois deus
gosta de raparigas
e do amanhã
e da terra)
(Poeta
estado-unidenes falecido a 03/09/1962)
Tradução de
Cecília Rego Pinheiro
Primeiras
letras
Com as
toupeiras, aprendemos a fazer túneis.
Com os
castores, aprendemos a fazer diques.
Com os
pássaros, aprendemos a fazer casas.
Com as
aranhas, aprendemos a tecer.
Com o tronco
que rolava encosta abaixo, aprendemos a roda.
Com o tronco
que boiava à deriva, aprendemos o barco.
Com o vento,
aprendemos a vela.
Quem nos tem
ensinado os muitíssimos males?
Com quem
aprendemos a atormentar o próximo e a humilhar ao mundo?
(escritor
uruguaio que hoje faria 76 anos)
sexta-feira, setembro 02, 2016
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