How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
segunda-feira, abril 04, 2016
Bilhete de
Amiga
Não me
queira mal
Não me
queira tanto
Logo virá o
desencanto
E não tenho
mais palavras
Para
agradecer o silêncio
O vazio de
pessoas
A ausência
redentora.
Lavei aquele
coração de plástico
Onde está
escrito “eu te amo”
- presente
de uma amiga -
soprei o ar
até completar o cheio
e pendurei-o
num prego existente
na porta de
entrada, que também é saída.
Ali ele
está, presente, sempre, e tanto
Que nem se
vê e nem se sente, pronto
Para se
encher de poeira e murchar
Novamente,
Até a
próxima encarnação.
(escritora
sergipiana que hoje faz 69 anos)
domingo, abril 03, 2016
O homem do
mundo
Quando
acordei, não vi mais os tempos de meu pai,
a face de
minha mãe não falou de orações.
Minha avó
rezando na tempestade
e o vulto do
Monsenhor entre as rosas da praça.
As perdidas
casuarinas no crepúsculo vago,
lembrança de
mortos no soluço do vento.
Onde estás,
vitrola de bilhar deserto?
Onde arquivaste
os discursos de catorze?
Agora, ouço
apenas o clamor dos vivos
unindo os
continentes.
Não sou mais
o homem do interior, sou o homem do mundo.
Hoje, meu
coração é um alfinete no mapa,
aceso também
na hora solitária.
Adeus,
alegrias inúteis! A dor bateu às nossas portas.
Temos os
olhos enxutos, estamos conscientes.
(poeta
mineiro nascido faz hoje 105 anos)
sábado, abril 02, 2016
Sementes
É claro que
me lembro. Havia dois atalhos
pelo meio do
pinhal, direcções espantosamente
precisas,
animais que não voltei a ver.
Enquanto as
colheitas amadureciam nos campos,
havia
talismãs pendurados nas árvores e mercúrio
para tratar
certas lesões, uma peça vital
do
equipamento. Havia girassóis à volta da casa
e as
palavras imortais dos espantalhos, uma forma
de evitar
que endoidecêssemos. E havia um muro
que era
preciso saltar, a manhã gloriosa
da escalada,
a ciência das grandes migrações.
Mas não vale
a pena entrar em mais detalhes.
Este é o meu
corpo. Esta é a minha mente.
Conhecem-se
desde a infância e cumpriram pena juntos.
Do futuro
nada sei. Apenas que vem aí.
(poeta
vila-realense que faz hoje 50 anos)
sexta-feira, abril 01, 2016
Queda
Interior
Se a queda é
livre
o medo da
queda
é preso.
Livre é a
queda
sem embaraço
defeso.
A queda
de um homem
tenso
não é a
guerra
do
Peloponeso
pelo
estreito
de um
coração
perverso.
A queda
livre
é o próprio
peso
de um
coração
suspenso.
Toda queda
é o
menosprezo
de quem cai
sobre si
mesmo.
(poeta
paulista nascido faz hoje 83 anos)
quinta-feira, março 31, 2016
Enigma Lua
Esqueceste
o touro e o
grito
a parede
branca e fria
a cabeça
decepada enfunada
vento sangue
ferido.
Esqueceste
a lâmpada no
teto amarelo
rio de
sombra corrido
cavalo
eriçado na tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova onde
Sangue e
olhos
enterraste
Esqueceste e
alienado nos salões
Ficaste cheirando
orquídeas inodoras
sapatinhos
de papa ocos
réplicas
estéticas à metralha
dos aviões.
Cansado?
Inútil? Delinquente? Vazio?
Quem te
poderá julgar?
Eu só sei
rasgar enigma
contra
razões da terra
olhos que
espanto me crava
na lua da
tarde que erra.
Presença de
transparência
na força que
assim me arde
na lua de
noite branca
me banho
fantasma árvore.
Sombra na
sombra lua
enigma junto
à janela.
Esqueceste
mas não
comigo
esqueceste a
lâmpada amarela do abrigo
e as quatro
paredes frias.
Esqueceste
mas não
comigo.
(poetisa
moçambicana nascida faz hoje 94 anos)
quarta-feira, março 30, 2016
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