How many times must a man look up, Before he can see the sky? How many ears must one man have, Before he can hear people cry? The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind.
sexta-feira, janeiro 08, 2016
quinta-feira, janeiro 07, 2016
Empurro a
porta
Empurro a
porta, experimento a chave, encosto o tapete
à parede,
entro pelas traseiras. Na casa há um momento
em que não
há tempo, eu fico de pé sem me mexer e a luz
diminui, de
gabardina, de pé, na casa quase vazia, de mala
na mão, sou
um homem filmado de todos os ângulos.
O gato, o
cão, o inominável insecto, todos saúdam a minha cara
baixa, com
dois olhos distraídos e um nariz afunilado.
Só a
expressão dessa cara não engana que o rol das frustrações
já nem
aumenta, é. E como é de tarde, ponho-me a pensar
que de tarde
é que é bom e há já uns bons anos que nunca mais.
Uma culpa
sente-se nas paredes molhadas enquanto demoro
ainda mais
tempo a tirar a gabardina, poisar a mala. Contudo,
como se
tivesse olhos na nuca, vejo a toda a volta o silêncio.
Eis o meu
pequeno mundo vazio, mundo tão mentiroso como eu,
aqui não há
dúvida de que cada palavra rola, metálica,
até
encontrar a linha resistente, cadeira onde se instale.
Algum tempo
demorarão os ossos a cair, se a morte tivesse
surpresa e o
meu corpo deslizasse em olhos de sangue
e
impaciência pela parede ainda nova e fresca de tintas brancas.
Ao dar
finalmente um pequeno passo, sinto-me segmento
de
fragmento, distância semeada por justos contemporâneos.
(poeta
setubalense que hoje faz 67 anos)
quarta-feira, janeiro 06, 2016
Sonhos no
Crepúsculo
Sonhos no
crepúsculo,
Apenas
sonhos encerrando o dia,
Retornando-o
com tal desfecho,
Aos tons
cinza, escurecidos,
Às coisas
fundas e longínquas
Do
território dos sonhos.
Sonhos,
apenas sonhos no crepúsculo,
Apenas as
rotas, imagens lembradas
Dos tempos
idos, quando o ocaso de cada dia
Escrevia em
prantos as perdas da afeição.
Lágrimas e
perdas e sonhos desfeitos
Talvez
acolham teu coração
ao
anoitecer.
(poeta
estado-unidense nascido a 6 de Janeiro de 1878)
Tradução de
Fernando Campanella
terça-feira, janeiro 05, 2016
segunda-feira, janeiro 04, 2016
OS HOMENS
OCOS - I
Nós somos os
homens ocos
Os homens
empalhados
Uns nos
outros amparados
O elmo cheio
de nada. Ai de nós!
Nossas vozes
dessecadas,
Quando
juntos sussurramos,
São quietas
e inexpressas
Como o vento
na relva seca
Ou pés de
ratos sobre cacos
Em nossa
adega evaporada
Fôrma sem
forma, sombra sem cor
Força
paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que
atravessaram
De olhos
retos, para o outro reino da morte
Nos recordam
- se o fazem - não como violentas
Almas
danadas, mas apenas
Como os
homens ocos
Os homens
empalhados.
(T.S. Eliot
faleceu a 4 de Janeiro de 1965)
Tradução de Ivan
Junqueira
domingo, janeiro 03, 2016
sábado, janeiro 02, 2016
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