quinta-feira, novembro 05, 2015

Ana Bacalhau faz hoje 37 anos
Bryan Adams faz hoje 56 anos
A liberdade está morta

A liberdade está morta
com seus cabelos tão longos,
com seus cabelos boiando
no mar em que se afogou.

A liberdade está morta
com seus cabelos desnastros.
Caiu, coitada, dos astros
no mar em que se afogou.

A liberdade está morta
com seus cabelos compridos
que eu desejava beijar.

A liberdade está morta.
Lá vão os homens buscá-la
naqueles barcos de vela,
naqueles barcos com asas.

Lá vão os cisnes marinhos
na água azul e sonora.

Lá vão os cisnes do mar
buscar a deusa da aurora.

Lá vão as aves buscá-la
para guardá-la em seus ninhos.

A liberdade está morta
e coroada de espinho


(poeta baiano falecido faz hoje 47 anos)

terça-feira, novembro 03, 2015

segunda-feira, novembro 02, 2015

K. D. Lang faz hoje54 anos
A Canalha

Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.


(Jorge de Sena nasceu em 2 de Novembro de 1919)

domingo, novembro 01, 2015

Anthony Kiedis faz hoje 53 anos
Paulo Gonzo faz hoje 59 anos
Salvatore Adamo faz hoje 72 anos
Um Poema

Um poema
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.

Dores,
vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)

Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar...


(poeta vila-condense nascido faz hoje 113 anos)

sábado, outubro 31, 2015

Ali Farka Touré nasceu faz hoje 76 anos
Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado,
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até à exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso.


(poeta mineiro nascido faz hoje 113 anos)